Review: XXXTENTACION – ? (2018)

Lançamento: 16/03/2018
Gênero: Hip-Hop, Trap, Emo Rap, Rap Rock
Gravadora: Bad Vibes Forever
Produtores: XXXTentacion, Frank Pierre Herrera, John Cunningham, Dell Soda, Den Beats, Laron Wages, P. Soul, Robert Soukiasyan, Smash David, TM88, Tre Pounds e Z3N.

Jahseh Dwayne Onfroy, conhecido profissionalmente como XXXTentacion, e muitas vezes referido apenas como X, é um rapper e cantor americano. Nascido e criado em Plantation, Flórida, Onfroy passou a maior parte de sua infância na Flórida. Ele começou a escrever após ser liberado de um centro de correção para jovens e em 2014 lançou sua primeira música no SoundCloud. Ele é uma figura popular no cenário trap que pega emprestado elementos de música lo-fi e emo. Onfroy é geralmente considerado uma figura controversa dentro da indústria do hip-hop devido a assaltos, brigas públicas com outros artistas e escândalos gerais nas redes sociais. Em seus registros de Miami, revelam acusações pesadas, incluindo agressão à uma ex-namorada grávida. Uma foto dessa mulher com olhos inchados e machucados chegou a circular pela internet. Em julho de 2016, XXXTentacion foi preso e acusado de roubo e assalto com uma arma de fogo. Depois de pagar fiança no início de outubro do mesmo ano, enquanto aguardava julgamento, ele foi preso novamente por acusações de adulteração de testemunhas e espancamento de sua ex-namorada.

Ele foi novamente liberado da prisão sob fiança em março de 2017, porém, após as denúncias de cárcere privado e violência doméstica terem sido levadas ao tribunal, o rapper foi preso novamente em dezembro. Portanto, sua ficha criminal se estende para mais de sete crimes, incluindo os que foram relatados em 2016. É complicado ouvir a música de um homem desarticulado e frustrado que já atacou homossexuais e mulheres sem nenhuma razão aparente. O seu novo álbum, “?”, traz o produtor e colaborador de longa data John Cunningham, além de participações especiais de Joey Bada$$, Travis Barker e PnB Rock. Apesar de rodar por um curto período de 37 minutos, o álbum possui um punhado de interlúdios que apresentam os falsetes mais vulneráveis ​​do cantor. Além disso, aposta numa experimentação e som mais alternativo, que vai desde a música latina até o gênero screamo. Inesperadamente, este álbum recebeu uma recepção calorosa nas plataformas de streaming, mesmo pertencendo à um artista tão controverso.

Sem dúvida, XXXTentacion é frequentemente visto negativamente devido ao seu passado. Muitos fãs o amam por causa de sua crueza, vulnerabilidade e versatilidade, visto que ele pode canalizar vários gêneros com facilidade. Outros o odeiam por causa de suas inúmeras polêmicas, comportamento imaturo, crimes e acusações. Estranhamente intitulado, “?” é um reflexo melhor do que ele realmente é como pessoa. E, ouvir a música deste álbum, é uma representação mais precisa de quem ele é como artista. O disco abre com “Introduction (Instructions)”, um breve aviso de XXXTentacion dizendo aos ouvintes, particularmente críticos, que escutem o repertório com a mente aberta. No entanto, é discutível se isso é uma exibição dos seus pensamentos mais íntimos ou se ele está nos preparando para o desastre que está por vir. “ALONE, PART 3”, acompanhada por um violão, vê XXXTentacion cantando de forma emocional e introspectiva. Eventualmente, a produção se expande, incorporando bateria, baixo, teclado e sintetizadores. Aparentemente, possui um som mais intimista e musicalmente atraente do que o álbum anterior.

Sem dúvida, é uma das músicas mais suaves do repertório, embora forneça uma forte mensagem. Onfroy sempre foi aberto com sua luta contra a depressão e ansiedade. Esta música fala sobre perder alguém e sentir como se estivesse completamente sozinho sem ninguém para te apoiar. “Não consigo encontrar o ombro de alguém / Em quem eu vou confiar quando terminar?”, ele canta. Em “Moonlight”, ele começa a fazer rap sobre uma repetitiva produção trap e eletrônica. Felizmente, possui uma batida distinta, letras emocionantes e sons alternativos. É uma mudança drástica quando comparada às batidas e letras violentas de canções como “Look at Me” e “Gospel”. A produção moderna é, inicialmente carregada pelo rap, mas depois X abraça totalmente o canto. Batidas experimentais como as de “Moonlight” são a melhor tela para ele pintar suas experiências. O primeiro single do álbum, “SAD!”, é uma canção reflexiva que encontra o rapper cantando sobre seus sentimentos mais dolorosos. A composição mantém as coisas doces e melancólicas até a marca de 2 minutos e 46 segundos, à medida que a produção é sombria e misteriosa.

Logo após uma introdução de 25 segundos, XXXTentacion rapidamente revela o refrão. “Quem sou eu? Alguém com medo de te deixar ir, uh / Você decide, se um dia você for, me deixe saber (sim) / Suicídio, se um dia você tentar ir embora, uh / Estou triste, eu sei, sim / Estou triste, eu sei, sim”, ele canta. Mais uma vez, XXXTentacion canta ao invés de cuspir versos de rap: “Eu dei tudo pra ela / Ela pegou meu coração e me deixou sozinho / Estou quebrado, coração está uma bagunça / Não vou me curar, prefiro chorar”. Mas, além do refrão, há apenas um verso por aqui onde ele compartilha sentimentos que envolve tristeza, solidão e desesperança. “Estou perdido e então me encontro mas / Estar apaixonado é tortura / Amo quando você está por perto / Mas eu odeio pra caralho quando você sai”, ele diz durante o único verso. Seguindo por temas que envolvem depressão e desgosto amoroso, esta é provavelmente a faixa mais cativante do álbum. Ao lado de uma simples batida eletrônica, ele transborda com uma melodia viciante e compartilha sua desolação.

A suavidade e vibração misteriosa do pano de fundo é uma das principais características da canção. “SAD!” é uma daquelas músicas que podem te emocionar, dependendo do seu humor. A letra e o conceito são crus, mas XXXTentacion não consegue exalar a emoção necessária, principalmente quando lembramos do seu passado polêmico. Em suma, “SAD!” é uma canção agradável, mas não apresenta muito além de um refrão repetitivo, inflexões vocais e um verso de ligação. Em seguida, “the remedy for a broken heart (why am I so in love)” combina um som acústico com modernos elementos de trap. Desta vez, ele realmente faz rap com grande agilidade. Assim como “SAD!”, é uma faixa simplesmente sombria que apresenta a escuridão com auxílio de um melancólico riff de guitarra. O principal atrito com essa música é porque parece inacabada e mal desenvolvida, assim como muitas outras faixas do repertório. Em contraste com a faixa anterior, “Floor 555” possui uma produção exuberante e intransigente. Porém, é uma canção curta e agressiva que não ultrapassa a marca de 2 minutos de duração.

Sob uma sensibilidade pop-rock, “NUMB” fornece cativantes linhas de baixo, bateria, piano e guitarra elétrica. Ademais, essa é a primeira faixa do álbum que possui mais de 3 minutos de duração. Em “infinity (888)” há rimas eletrizantes de XXXTentacion e o rapper Joey Bada$$, enquanto “going down!” é um número trap up-tempo digno de nota. A estranha “Pain = BESTFRIEND”, com Travis Barker, emprega uma mistura ruim de pop-rock e pop-punk, e as coisas só voltam ao normal durante “$$$”, com Matt Ox. Sobre um instrumental carregado pelo piano, “SMASH!” apresenta o rapper PnB Rock. Novamente, não há muito conteúdo para ser apreciado. As vibrações latinas de “I don’t even speak spanish lol” são legais, mas também parecem um pouco forçadas. Onfroy optou por algo completamente diferente, até mesmo a linguagem. Mesmo que tenha batidas de reggaetón, riffs de guitarra acústica e letras em espanhol, ele correu um risco e pecou pela execução. O segundo single, “changes”, é uma faixa harmônica com vibrações mais contemporâneas. Ela abre com um piano minimalista, enquanto XXXTentacion produz um canto reflexivo no refrão.

Os únicos elementos interessantes da música são as harmonias vocais e as cordas. “Hope” foi na verdade a primeira música lançada do álbum, uma vez que ele a compartilhou pela primeira vez no SoundCloud. Segundo X, “Hope” é dedicada e escrita sobre a tragédia ocorrida em Parkland, na Flórida. É uma música muito simples, mas com uma boa mensagem. Sob um misterioso instrumental de guitarra que colide com a bateria e gritos eufóricos, ele apresenta “schizophrenia”. Uma música curta, mas intensa para dizer o mínimo. O álbum parece cruamente colado e está longe de ser tão impressionante quanto outros produtos do gênero. A forma como a tracklist é montada, com tantas faixas inacabadas, diminui o seu valor de replay. É difícil encontrar coesão em um material tão relaxado. XXXTentacion mostrou sua versatilidade e vontade de experimentar, mas, embora o seu ecletismo seja admirável, “?” é difícil de ser apreciado por completo. Além disso, suas músicas não possuem um charme ou potencial para reinvenção.

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Favorite Tracks:

“Moonlight” / “SAD!” / “NUMB”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.