Review: Within Temptation – Resist (2019)

Ao mudar o rumo das coisas a fim de alimentar suas chamas criativas, o Within Temptation criou um conjunto de músicas imersivas que tocam tanto nos seus pontos fortes quanto nos fracos.

Os dois maiores nomes do metal sinfônico europeu, Nightwish e Within Temptation, abordam seus problemas e oportunidades de maneiras bem diferentes. O Nightwish tornou-se famoso pelos vocais de Tarja Turunen, mas desde então continua criando músicas consistentes e emocionantes com duas cantoras sucessivas, Anette Olzon e agora Floor Jansen – porque o principal compositor da banda, Tuomas Holopainen, desenvolveu uma fórmula vencedora. Por outro lado, o elemento unificador da variada discografia do Within Temptation é a voz de Sharon Den Adel e seu incrível alcance vocal. Não é a voz mais polida ou tecnicamente forte, mas ela é capaz de extrair emoção em cada registro lançado, seja com um suave falsete ou gemido gutural. Cada álbum do Within Temptation, então, é basicamente uma chance de experimentar um estilo diferente, sabendo que Den Adel continuará nos encantando. “The Silent Force” (2004), muitas vezes considerado o álbum mais popular da banda, segue uniformemente para o lado suave do Within Temptation; a maioria de suas canções são baladas emocionais com apoio de uma poderosa orquestra. Seu quinto álbum de estúdio, “The Unforgiving” (2011), foi um registro conceitual, mas também um puro retrocesso dos anos 80. “Iron” e “Sinead” são algumas das músicas mais legais que eles lançaram, e você nem precisa gostar muito do conceito para apreciá-las. Infelizmente, então, eu não posso invejar o Within Temptation por querer expandir seu repertório com elementos eletrônicos, como eles fizeram em seu novo álbum – mesmo que eu pessoalmente não ame os resultados.

É um passo à frente do inatingível “Hydra” (2014), que, nesse mesmo espírito aventureiro, incorporou o rap em uma de suas faixas. Vindo do que parece ser uma intensa tragédia pessoal e estresse para Den Adel, é definitivamente o som de uma banda que está pronta para continuar explorando e forçando os limites musicais. “Resist” possui algumas faixas que remontam à história da banda, mesmo que essa memória institucional não se estenda mais do que o “The Silent Force” (2004), significando que o “Mother Earth” (2000) provavelmente nunca verá uma ressurreição ou a luz do dia novamente. A faixa de encerramento, “Trophy Hunter”, soa como se eles reaproveitassem a melodia de “A Dangerous Mind”, enquanto os propagandeadores “The Reckoning” e “Raise Your Banner” parecem faixas bônus do “The Heart of Everything” (2007) – porém, com batidas modernas adicionadas à mistura. Os elementos menos bem sucedidos nos álbuns do Within Temptation são as músicas onde eles tentam atrair um público adulto-contemporâneo. Geralmente isso significa pegar emprestado algum vocalista de outra banda para um dueto, muitas vezes estranho. Aqui no “Resist”, essa música é “Firelight”, com Jasper Steverlinck da banda belga Arid, que fica completamente desconexo toda vez que ele tenta encaixar sua voz com a de Den Adel. Dois números agradáveis são “Mad World”, que tem o refrão mais forte e a batida mais energética, e “In Vain”, que tem uma atraente melodia vocal. Essas duas canções são provavelmente as melhores do repertório.

O electropop “Supernova”, com suas metáforas relacionadas ao espaço, está pronto para um videoclipe futurista. Uma coisa perceptível é a ausência de alguma balada solene que o Within Temptation costuma se destacar. “The Heart of Everything” (2007) tinha as devastadoras “Forgiven”, “Frozen”, e “All I Need”, o seu terceiro LP, “The Silent Force” (2004), tinha faixas como “Pale”, “Memories” e “Somewhere”, enquanto o eclético “Mother Earth” (2000) tinha a charmosa “Our Farewell”. Como eu considero a tracklist, eu tenho que me perguntar se talvez “Resist” teria sido melhor como um EP mais simplificado ou um álbum mais curto. Há muitas músicas que parecem impossíveis de serem associadas a este registro. “Endless War” pega emprestado o pulso gaguejante da música eletrônica e usa um efeito medíocre, enquanto “Holy Ground” e “Mercy Mirror” são duas fillers exageradas. “Resist” começa com o pé errado musicalmente e tematicamente, mas acaba colorindo a experiência em sua totalidade. Se você for escrever um álbum político, não poderá fazê-lo em meias-medidas, e é por isso que há poucos discos políticos realmente bons. O “American Idiot” (2004) do Green Day está um pouco datado, mas é incrivelmente específico em seus alvos políticos, o que significa que é um produto de seu tempo e um álbum incrivelmente valioso. Within Temptation é uma banda holandesa, então eu não estou esperando que eles sigam um caminho parecido com o do Green Day. Den Adel está preocupada com a privacidade, publicidade e democracia, como ela indica em suas entrevistas. Entretanto, nada disso refletiu nas composições do “Resist”.

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Favorite Tracks:

“The Reckoning (feat. Jacoby Shaddix)” / “In Vain” / “Mad World”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.