Review: White Lies – FIVE (2019)

White Lies conseguiu criar uma prova da natureza duradoura do seu som. “FIVE” denota um capítulo na carreira da banda, mas de forma alguma simboliza o fim dela.

Estabelecido em Londres como uma mistura satisfatória de grandiosidade sombria e digna de canto, White Lies definiu sua especificidade e a aperfeiçoou perfeitamente. Para o seu quinto álbum de estúdio, o grupo liderado por Harry McVeigh resolveu fazer o que faz de melhor: manter os pés no caminho pop e a estética de seus trabalhos anteriores. Se você pulou direto do seu primeiro lançamento, “To Lose My Life…” (2008), para o “FIVE”, certamente vai sentir grandes diferenças. Esse primeiro álbum rendeu à banda comparações com os gostos de Joy Division por causa de seus temas relativamente sombrios e vocais caracteristicamente profundos. No entanto, desde então, cada álbum tornou-se progressivamente mais leve, bem como cada vez mais perto do pop mainstream – que parece mais longe do Joy Division e mais perto do New Order. “FIVE” é provavelmente o mais aventureiro e desafiador material da White Lies, uma vez que ele capta a essência de uma banda ainda apaixonada pela arte da música, disposta a investigar novas rotas de criatividade e possivelmente chegar na mudança de mentalidade. Enquanto esse álbum continua firme no território synth-pop, como um todo ele parece muito confortável e familiar. Se você está perfeitamente satisfeito com a White Lies ficando como está, então não ficará incomodado com este novo registro. Aqui, os melhores momentos são encontrados em grande parte na segunda metade do repertório.

A faixa de abertura, “Time to Give”, é uma gravação lenta em seu tom, onde a White Lies se move ao longo de uma onda de sintetizadores tão boa, que você não vai se importar com a duração de 7 minutos e meio. Sua estrutura ambiciosa alimenta um glutão de progressões panorâmicas e opulentos interlúdios instrumentais, e une tudo com um discurso bem envolvente. É uma história que transita entre pessimismo, dependência e desânimo. Sem dúvida, uma linha tênue para pisar, mas francamente, eles evitam possíveis armadilhas ou narrativas tediosas, talvez por causa da extravagância que impõem. Mudando de tática em “Never Alone”, um retrato bem oleado do apelo universal da White Lies é encenado: uma seção rítmica é reforçada pela luz do estridente e emotivo barítono do Harry McVeigh. Liricamente, narra uma reflexão sobre o caráter pessoal e a fachada online: “Eu realmente tentei ser bom, mas bondade não virá fácil para mim / Você é muito bom em seus velhos tempos, em outros você é o mal como eu”. Sem um tema óbvio para interligar a entidade e inspiração de todo o álbum, a continuidade é encontrada por meio das liberdades criativas da própria banda. Embora alguns trechos de assinatura ainda sejam referenciados, a opinião predominante é que o “FIVE” só poderia ter nascido nesse momento. No entanto, o álbum passa por uma fase meio morna e só recupera sua força significativamente em “Tokyo”. O refrão alegre e otimista é o mais pop que eles já foram e parece bom para a banda.

O trabalho do baixista Charles Cave é exemplar e carrega a faixa com padrões rítmicos apertados e um toque de funk, enquanto o contorno percussivo de Jack Lawrence-Brown é a batida que traz tudo à tona. Então, a exuberância vocal de McVeigh é o ressalto que clareia a carga até que a ponte causa impacto com uma seção coral isolada. “Tokyo” é seguida por “Jo?”, uma canção exclusivamente energética, e “Denial”, que é um toque menos intrigante, mas excitante o suficiente para prender nossa atenção. A penúltima faixa, “Believe It”, tem um ponto de vista interessantemente cínico – Harry McVeigh basicamente dá a impressão de que os terapeutas só descobrem maneiras de arrancar seu dinheiro e não ajudam como deveriam – mas a música em si é muito cativante e divertida o suficiente para que a desconexão não incomode. O álbum termina com uma nota mais lenta e escura chamada “Fire and Wings”, que parece ser sobre a violência perpetrada por homens. A voz de McVeigh se desloca ligeiramente para um novo território, equilibrando-se na linha entre o clássico teatral e gótico que ele faz tão bem, e algo mais gentil e sutilmente sinistro. É uma música mais reduzida do que seria de se esperar, que acaba ajudando a suavizar o álbum. “FIVE” saboreia, instiga e tão potencialmente se articula. O grupo abriu um amplo canal de lentes para uma nova representação – e os fãs provavelmente amaram isso. Em suma, White Lies continua fazendo o que faz de melhor – avançando em direção ao seu maior potencial artístico.

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    SCORE - 79%
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Favorite Tracks:

“Time to Give” / “Tokyo” / “Believe It”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.