Review: Tyler, the Creator – OKRA

Depois de lançar uma série de álbuns polêmicos, Tyler, the Creator mostrou um senso de maturidade, vulnerabilidade e introspecção com o “Flower Boy” (2017). Controverso e indicado ao Grammy, ele retornou com um novo single em março de 2018. “OKRA” foi lançada com um videoclipe selvagem sobre a visão e alta energia de Tyler. O próprio descreveu “OKRA” como uma “faixa descartável”. Mas, embora esteja claro que não se trata de um single para um futuro álbum, é uma música que definitivamente vale a pena ouvir. Em primeiro lugar, é uma canção muito flexível, pesada, minimalista e distorcida. Dito isto, podemos concluir que ela alcança a mesma glória dos seus melhores registros. Uma música poderosa que alterna entre o baixo e o piano, enquanto Tyler cospe versos sobre perder amigos e ganhar dinheiro. Ele sempre consegue surpreender os fãs com suas produções e movimentos inovadores. E aqui não foi diferente.

“OKRA” se desvia do “Flower Boy” (2018), em favor de explorar o som mais antigo do Tyler, the Creator. Obviamente, o baixo pesado é uma reminiscência dos seus trabalhos anteriores. Mas a melodia do refrão muda o tom da música antes de voltar a explorar o lado obscuro do rapper. As letras fluem insistentemente sobre o baixo crescente e repetitivo. “Cara, agora eles vão / Eu cortei alguns amigos, onde eles vão / Eu mantenho o plano, esse é o objetivo / Foda-se esses negros cara, com certeza”, ele diz no gancho principal. Geralmente, Tyler valoriza muito o seu talento como produtor, mas em “OKRA” ele se concentrou principalmente em suas habilidades como rapper. Aqui, o foco está nos versos, fluxo irregular e suas referências incomuns. “Diga a Tim Chalamet para vir me pegar / Pele brilhante, livre de acne, diamantes transparentes”, ele diz no terceiro verso – em referência ao ator indicado ao Oscar.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.