Review: Tory Lanez – MEMORIES DON’T DIE (2018)

Tory Lanez conseguiu injetar algumas faixas cativantes nesse álbum, mas quase tudo o que ele canta você já ouviu antes. No geral, “MEMORIES DON’T DIE” é surpreendentemente banal e agressivamente instável.

Dois anos depois de lançar o seu álbum de estreia, “I Told You” (2016), Tory Lanez divulgou o seu segundo registro. Em “MEMORIES DON’T DIE”, ele apresenta artistas como Future, Nav, 50 Cent, Fabolous e Wiz Khalifa. Além disso, sua equipe é composta por produtores como Play Picasso, OG Parker, Benny Blanco e Cashmere Cat. O jovem de 25 anos é conhecido por sua mistura de diferentes estilos e sons. Quando não está fazendo R&B, ele está produzindo hip-hop ou dancehall. No decorrer de dezoito faixas, Tory Lanez apresenta rimas, jogos de palavras, duplos sentidos e muitas metáforas. O problema é que “MEMORIES DON’T DIE” é um registro recheado de imitações de outros artistas contemporâneos. E parece que o nome de Tory Lanez está sempre envolvido em alguma controvérsia – desde acusações de roubo de batidas até sua suposta birra com o Drake. Este álbum soa mais polido em comparação ao seu antecessor, à medida que Tory Lanez flexionou mais uma vez sua versatilidade em favor de gêneros como R&B, trap, hip-hop, dancehall e até mesmo o pop. Ele é um cara talentoso, o problema é que não possui tanta criatividade. Ele é cantor e rapper, mas não consegue criar algo até ver alguém fazendo isso. Ele basicamente copia o modelo de produção e composição de outros artistas, e depois o apresenta como original enquanto insulta aqueles que criaram. Dessa forma, embora este álbum possua músicas cativantes, não abre novos caminhos para ele. É um registro recheado de imitações de outros artistas contemporâneos de R&B e rap.

As músicas que funcionam são em grande parte devido aos seus convidados. “Luv” e “Say It” são muito infecciosas, mas seu repertório completo é confuso, esquecível e cheio de preenchimentos desnecessários. “MEMORIES DON’T DIE” encontrou uma maneira de correr menos riscos do que o “I Told You” (2016). Se Tory Lanez precisa de alguma coisa para apimentar o seu catálogo, isso seria experimentação sonora e lírica. Desde as batidas pesadas de “B.B.W.W x Fake Show” até os sons de dancehall de “4 Me” e “Skrt Skrt”, há um pouco de cada gênero neste álbum. “4 Me”, em particular, possui um gancho de R&B e incorpora uma instrumentação mais eletrônica. A produção é flexível, mas não é isenta de grandes falhas. O estranho e repentino vocal gira em torno do instrumental, e constrói o esforço mais escorregadio e elástico do Tory Lanez; mas seu desempenho dinâmico é uma clara reminiscência de outros artistas do mainstream. As faixas mais esquisitas são justamente as menos impressionantes. As músicas de hip-hop e rap são interessantes, mas quando ele está cantando parece que está lutando para alcançar um padrão liricamente aceitável. O registro abre com “Memories”, uma apresentação quase imperceptível de 28 segundos. “As pessoas morrem todos os dias, mas as memórias não / Este é meu álbum filho da puta”, ele diz aqui. “Old Friends x New Foes”, uma canção de duas camadas, apresenta um R&B mais ambiental, antes de fornecer uma pesada batida de hip-hop. Em “Hate to Say”, ele revive a treta com o Drake, mas não percebe que sempre será a sombra nessa briga toda. Nesse momento, o abismo entre os dois nunca foi tão grande.

O primeiro single, “Shooters”, é uma das faixas mais cativantes. A melodia trap e os metais dão ao cantor um gancho mais pop orientado e radio-friendly. O terceiro single, “Real Thing”, com o rapper Future, fala sobre ter um relacionamento honesto que não depende do seu sucesso. “B.I.D”, abreviação para “Bust It Down”, é uma faixa trap produzida por OG Parker e Smash David, mais conhecido por singles como “Bounce Back” (Big Sean) e “Pills & Automobiles” (Chris Brown). “48 Floors” é um número discreto que apresenta um suave rap do Mansa, um artista de 22 anos de Oakland. A evocativa “Pieces”, com 50 Cent, conta a história de uma mulher do Brooklyn que foi estuprada por seu tio. Liricamente e inesperadamente, é uma peça mais substancial, honesta e convincente. Em sua composição, ela usa amostras de “Shape of My Heart” do Sting. “Connection”, com Fabolous, é uma das melhores faixas do repertório, graças ao som mais orgânico e melodia cativante. “MEMORIES DON’T DIE” chega próximo do fim com mais uma canção de duas partes, intitulada “Happiness x Tell Me”. Uma música com quase 8 minutos de duração contada pelos olhos do próprio Lanez. Através de uma narração de palavras faladas, ele pinta uma imagem sobre a morte de sua mãe. “Diga-me como você se sente em relação a um negro, sabendo que tudo é real sobre mim”, ele diz aqui. Artistas como Tory Lanez possuem algumas canções de sucesso, mas nem sempre conseguem reverter isso em criatividade. Este álbum é tão mediano quanto o seu antecessor. Quase tudo que ele canta no “MEMORIES DON’T DIE” você já ouviu antes, além disso é muito longo – 18 faixas e 1 hora e 10 minutos de duração.

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Favorite Tracks:

“Shooters” / “B.I.D.” / “Connection (feat. Fabolous, Davo & Paloma Ford)”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.