Review: The Weeknd – My Dear Melancholy, EP (2018)

“My Dear Melancholy,” é um EP decente, sua produção está no ponto e trás uma série de gêneros e colaboradores para o cânone do The Weeknd. No entanto, não abre novos caminhos e parece um passo desnecessário para trás.

Abel Tesfaye, também conhecido como The Weeknd, é um dos artistas mais versáteis da atualidade. É por isso que muitos ficaram surpresos ao vê-lo mais apaixonado e emotivo no EP “My Dear Melancholy,”. Em vez de chamar o Daft Punk e Max Martin para produzi-lo, Abel pediu ajuda para Frank Dukes, Skrillex, Mike WiLL Made-It e Gesaffelstein. Depois de outro término de namoro, desta vez com Selena Gomez, o obscuro The Weeknd resolveu colocar seus pensamentos no papel. Onde “Starboy” (2016) foi sobrecarregado pela produção, “My Dear Melancholy,” é honesto e confessional. Este EP é um verdadeiro mergulho nas suas raízes sombrias de R&B. Sonoramente, é um projeto escuro e atmosférico com um ligeiro desvio dos seus hits pop. Liricamente, “My Dear Melancholy,” explora um novo território temático. Como o título sugere, as letras são pessimistas, amargas e provocam uma viagem mal-humorada. Todas as seis faixas lidam com o fim de algum romance, variando apenas na abordagem. Acho que a única coisa que me incomodou no EP foi sua repetitividade. Claro, “Starboy” (2016) é um disco pop e R&B com pouca substância lírica, mas com uma produção inegavelmente marcante. “My Dear Melancholy,”, por outro lado, peca pela mesma história contada e sonoridade parecida entre si. Quando você ouve “Call Out My Name” pela primeira vez, rapidamente percebe a semelhança com “Earned It”. Os versos mais lentos e o refrão pesado praticamente replicam a estrutura de “Earned It”. Certamente, o andamento de “Call Out My Name” corresponde aos seus trabalhos anteriores, enquanto você sente a dor e escuridão em sua volta.

Ela possui um gancho sensual e os mesmos sintetizadores sinistros do “Beauty Behind the Madness” (2015). Os ecos, acúmulos e clímax da batida exalam autenticidade. Liricamente, Weekend se concentra nas dores e lutas que vêm através de um relacionamento. Ele canta com profundidade a fim de tentar deixar de lado um namoro do passado. Há uma frase nesta canção que gerou bastante controvérsia na mídia, pois acredita-se que é referente à cirurgia de transplante de rim da Selena Gomez. “Eu disse que não sentia nada amor, mas eu menti / Quase cortei um pedaço de mim para a sua vida”, ele canta. Embora tenha sido a melhor amiga de Selena Gomez que tenha lhe doado um rim, a letra sugere que The Weeknd quase fez a doação. A distorção climática é estabelecida particularmente pelo piano, sintetizadores e o ritmo da bateria. Depois de mostrar equilíbrio e contenção no primeiro verso, o refrão cresce ao incorporar alguns vocais distorcidos. Ele canta suavemente ao longo da música, conforme os sombrios riffs de piano batem de forma instável. A construção dessa música e os vocais são dramáticos e obscuros, assim como todo o EP. Embora não seja uma canção inovadora, “Call Out My Name” o vê retornando às suas raízes. “Try Me” segue por uma narrativa que estamos acostumado a ouvir do Abel. Ele tenta convencer uma mulher a deixar seu namorado e voltar com ele. Produzida por Mike WiLL Made-It e Frank Dukes esta música possui um tom assombroso. Até os vocais parecem soterrados na escuridão, tanto que lembra o “Kiss Land” (2013). Embora “Try Me” possua a mesma dinâmica de “Call Out My Name”, ela cresce de forma indefinida e não excede às expectativas.

Em seguida, o cantor faz referências sutis às suas relações com Bella Hadid e Selena Gomez em “Wasted Time”. Uma canção que mantém o clima noturno do EP, mas com a incorporação de elementos de dubstep. Ele admite que perdeu tempo com alguém, em vez de estar com a mulher que é apaixonado. “Tempos desperdiçados que eu gastei com outra pessoa / Ela não era nem metade de você”, ele canta no primeiro verso. É diferente e intrigante ouvir Abel cantar com tal remorso. Por não ser super-produzida, acabou sendo uma das melhores faixas do EP. As batidas incomuns continuam fluindo enquanto sua interpretação leva as coisas para uma atmosfera desorientada. Nas próximas duas faixas, The Weeknd se juntou com o francês Gesaffelstein, responsável por “Black Skinhead” e “Send It Up” do Kanye West. Na primeira delas, “I Was Never There”, os tambores estão lentos e ameaçadores, à medida que os vocais são autênticos e dramáticos. “O que faz um homem adulto querer chorar? / O que o faz querer tirar sua vida?”, ele pergunta no início. Tudo parece muito sincero e genuíno. Inicialmente, a faixa é dominada por uma sirene e, posteriormente, fornece sons texturizados, linhas de baixo, teclados e sintetizadores. A sua mixagem nos faz recordar de algumas faixas do “House of Balloons” (2011). Enquanto isso, a transição para a ponte conta com uma completa mudança de ritmo. A cativante “Hurt You”, por sua vez, vê Weeknd demonstrando ainda mais suas habilidades de canto. O artista adverte uma mulher para manter distância, já que ele não está verdadeiramente apaixonado por ela.

Ele começa dizendo que os relacionamentos são seus inimigos: “E agora eu sei que relacionamento é meu inimigo / Então fique longe de mim / Estou te avisando”. Embora as letras sejam tristes e inebriantes, “Hurt You” é a música mais agitada do EP. O lirismo visual injeta uma sensação real de profundidade, conforme ele pratica o seu lado mais vulnerável. Enquanto o refrão é repetitivo e cantado em falsetes, sua produção está mais próxima do “Starboy” (2016). Em “Privilege”, a música mais despojada do repertório, The Weeknd faz referências às drogas e bebidas. “Mas eu vou beber a dor, vou voltar aos meus velhos hábitos / E eu tenho duas pílulas vermelhas para afastar as azuis”, ele canta. Uma canção elegante onde sua voz e o piano são o foco principal. Ela se constrói de forma dramática ao lidar com o fim de um relacionamento, porém, a maneira como a instrumentação foi mixada, tornou o minuto final muito estranho e vazio. Ao contrário de “Starboy” (2016), “My Dear Melancholy,” não é composto por uma ampla paleta de sons e estilos. Musicalmente, é um material mais coeso. Há vulnerabilidade e sinceridade, ao passo que ele ele sai do centro das atenções e revela algo verdadeiramente pessoal. Todas as músicas são bem produzidas, à medida que o tom e humor permanecem consistentes o tempo todo. Mas embora possa ser considerado um retorno ao seu antigo estilo, não é comparável aos misteriosos “House of Balloons” (2011) e “Echoes of Silence” (2011). Ironicamente, “My Dear Melancholy,”, é provavelmente o seu registro menos ambicioso. Aliás, a vírgula no final do título sugere que uma segunda parte pode ser lançada em breve.

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Favorite Track:

“Hurt You”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.