Review: The Weeknd – I Was Never There (feat. Gessaffelstein)

Em seu novo EP, The Weeknd começou a escorregar para fora do astro que ele construiu ao longo dos seus dois últimos álbuns. Há uma maior vulnerabilidade e honestidade em torno das canções. Para participar de “I Was Never There”, ele convidou o DJ e produtor francês Gesaffelstein. Naturalmente, o som mantém a inclinação sombria estabelecida desde a primeira faixa. Liricamente, há uma grande repetição, conforme o encontramos falando sobre um relacionamento tóxico. Apesar das limitações das letras, é a canção mais longa do registro. Isso não é um problema, dada a mudança na produção, para não mencionar a expressividade contínua da voz do Abel.

“I Was Never There” é um ponto de ruptura onde ele, ao atingir o fundo do poço, soa quase suicida – antes de passar para a próxima etapa do processo, a aceitação. As mudanças nas teclas e as amostras de sintetizador lhe dão uma qualidade inquietante e desconfortável. Os tambores estão lentos e ameaçadores, à medida que os vocais estão completamente dramáticos. “O que faz um homem adulto querer chorar? / O que o faz querer tirar sua vida?”, ele pergunta. Tudo parece sincero e genuíno. Inicialmente, “I Was Never There” é dominada por uma sirene e posteriormente fornece linhas de baixo, lentos tambores, teclados e sintetizadores. Enquanto isso, a transição para a ponte conta com uma completa mudança de ritmo. O som da sirene adiciona uma sensação de urgência e melhora a textura dos instrumentos, fazendo com que pareça menos reconfortante e mais brutal. Aqui, o francês criou um instrumental que mescla o caos com o controle, combinando perfeitamente com a profunda tristeza e a raiva insegura do Abel. Incapaz de lidar com as rupturas de maneira saudável, ele ameaça seguir por caminhos autodestrutivos. É como se ele estivesse ferido ou tenha machucado alguém, e por causa disso tudo desmoronou. Sua atmosfera é rastejante e submersa, mas é clara o suficiente para revelar os detalhes de sua honestidade. Enquanto suas faixas mais antigas se tornavam cada vez mais claustrofóbicas, “I Was Never There” começa obscura e gradualmente encontra a luz.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.