Review: The Neighbourhood – The Neighbourhood (2018)

Lançamento: 09/03/2018
Gênero: Dark Pop, Electropop
Gravadora: Columbia Records
Produtores: Lars Stalfors, Mighty Mike, Dylan Brady, Dave Sitek, Tony DeMatteo, Jon Bates, Lewis Hughes, Rock Mafia e Danny Parra.

Musicalmente, The Neighborhood continua sem direção, assim como no seu trabalho anterior. Mais uma vez, a banda luta para encontrar uma identidade em seu terceiro álbum de estúdio.

The Neighborhood surgiu pela primeira vez no cenário musical em 2013 com “I Love You.” (2013), um disco de rock-alternativo que gerou o hit “Sweater Weather”. Essa faixa, em especial, fez uma mistura de pop, R&B e indie-rock, e alimentou sua popularidade como uma banda capaz de criar hits no mainstream. Outros trabalhos da banda inclui o “#000000 & #FFFFFF” (2014), um projeto lançado de forma gratuita. Cinco anos depois, o terceiro álbum de estúdio do grupo, “The Neighborhood”, atingiu apenas o número #61 da Billboard 200. Esse disco mostra uma crise de identidade que veio após o fim dos 15 minutos de fama da banda. Muitas faixas do álbum já apareceram em EPs lançados anteriormente, deixando os fãs com pouco conteúdo novo. Ao tentar recuperar a magia do início de sua carreira, a banda não consegue inspirar os ouvintes através dos seus repetitivos temas líricos e da incorporação desajeitada de tendências musicais atuais. Durante a mixtape “#000000 & #FFFFFF” (2014), o grupo usou uma abordagem influenciada pelo hip hop, mas quando viu que não teve a reação esperada, voltou às melodias sombrias que o tornou famoso. Seu novo álbum é exageradamente dramático, desinteressante e pouco envolvente. Quase nenhuma faixa é executada de forma convincente ou memorável.

Embora continue com sua estética em preto e branco, “The Neighborhood” contém um som ligeiramente diferente dos seus dois primeiros álbuns. “I Love You.” (2013) foi alimentado pelo indie-pop e indie-rock, enquanto o “Wiped Out!” (2015), de alguma forma manteve as influências musicais do mesmo. Ele representa a fragilidade da banda, mas foi bem mais aventureiro em seu som. “The Neighborhood”, por sua vez, é baseado em sons eletrônicos e letras que tentam tocar em temas profundos. Porém, embora a banda tenha amadurecido, o álbum não tem diversidade. Cada música contém o mesmo som eletrônico subjacente e apresenta os mesmos vocais melancólicos de Jesse Rutherford. Consequentemente, após ouvir as 12 faixas, é compreensível que o ouvinte fique entediado. Como sempre, Rutherford fala sobre temas que consistem em inseguranças sociais e românticas, questionando os motivos por trás de determinadas ações. Honestamente, ao ouvir faixas como “Scary Love” e “Void”, e outras mais antigas como “Sweater Weather” e “Afraid”, é difícil imaginar que foram criadas pela mesma banda. Ao experimentar fortemente o electropop, The Neighborhood afastou-se do indie-rock que cultivou no início da carreira.

O esforço da banda em experimentar novas influências criou algumas faixas interessantes, mas também muitos clichês e uma crise de identidade. “Flowers”, que abre o álbum, mostra a banda agarrando-se desesperadamente em tendências pop atuais. Completamente auto-tunado, os vocais de Jesse Rutherford estão encharcados por uma variedade de efeitos. É uma faixa confusa e sem originalidade. A transição de “Flowers” ​​para “Scary Love” reflete a incapacidade do grupo de encontrar – e, mais importante, permanecer focado em um único som. É sombria e pesada, mas com batidas sintetizadas e uma paleta sonora eletrônica. Embora “Nervous” tenha um clima um pouco auto-indulgente, Rutherford e companhia merecem respeito por falar sobre inseguranças. Cada um dos três versos aborda questões de auto-estima. Em “Void” eles pintam um quadro de conflitos internos, incluindo o vício em substância e a necessidade de fazer sexo. Enquanto “Softcore” abraça o dance-rock com seu som eletrônico, “Blue” é um acompanhamento com uma produção ancorada por um baixo pesado e ritmo empoeirado. Tematicamente, os trabalhos da The Neighborhood refletem pouco crescimento e desenvolvimento pessoal. As músicas são quase exclusivamente down-tempo com foco em dias perdidos e momentos tristes. “Sadderdaze”,sétima faixa do álbum, reflete essa tendência perfeitamente.

Sua natureza temática repetitiva tem pouca longevidade. Em seguida, “Revenge” serve como uma faixa mal-humorada sobre como o vocalista foi tratado em um relacionamento passado. Ele mostra que está chateado e quer que sua ex-namorada sinta exatamente o que ele sentiu. Apesar da performance vocal respeitável e do refrão cativante, “You Get Me So High” não vai muito longe em termos de som. “Stuck with Me” conclui a edição padrão e curiosamente parece uma transição natural de “Too Serious”. Aqui, sintetizadores são misturados com lentos instrumentos e melodias agudas, enquanto The Neighborhood tenta imitar o som de bandas inovadoras como M83. A banda californiana luta para encontrar uma identidade no seu dramático terceiro álbum de estúdio. Depois de lançar três discos, onde cada um tem uma abordagem diferente, The Neighborhood parece estar cada vez mais longe de conseguir um som que os satisfaça. O grupo rompeu com o som ondulado e sensual dos dois primeiros discos e, apesar de ter algumas faixas cativantes, a maior parte do repertório carece de personalidade. Além disso, “The Neighborhood” sofre pela superprodução e subdesenvolvimento das músicas. Se a banda quiser ter sucesso no futuro, precisará se reinventar de verdade. Ao fazer isso, deve escolher um estilo e se comprometer com ele, em vez de saltar várias vezes por tendências que aparecem pela frente.

  • 47%
    SCORE - 47%
47%

Favorite Tracks:

“Scary Love” / “Blue” / “Stuck with Me”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.