Review: The Decemberists – I’ll Be Your Girl (2018)

Ao lado de muitos sintetizadores e energia extra, o mais recente álbum da banda The Decemberists assume várias direções, mas sem se comprometer com nenhuma delas.

The Decemberists foi uma personificação inicial do folk e indie rock que tornou-se popular nos últimos dez anos. Eles sempre foram capazes de manter uma vantagem sobre a maioria dos sons semelhantes que alcançavam o sucesso. E por causa da inteligência lírica de Colin Meloy, se sobressaiu dos demais atos. Entretanto, “What a Terrible World, What a Beautiful World” (2015) foi o primeiro momento em sua carreira que as coisas ficaram previsíveis. Desde então, Meloy admitiu que se viu “fazendo escolhas familiares” e que queria que o grupo experimentasse novos sons. Portanto, o seu oitavo álbum, “I’ll Be Your Girl”, representa uma sacudida no estilo da banda. Inesperadamente, The Decemberists passou de um contador de histórias folk para um ato de new wave liderado por sintetizadores. Mas nada é terrivelmente revolucionário; os temas são apresentados ao lado de um escopo sonicamente ambicioso enquanto a paleta sonora é usada para dar vida às visões de Colin Meloy. Demonstrando sua adoração por bandas como New Order e R.E.M., ele pisou em um novo território. O grupo realmente está tentando algo completamente novo. Mas embora existam alguns experimentos, os fãs de longa data não precisam achar que perderam sua banda favorita. Enquanto a exploração de novos métodos impede que o álbum se sinta verdadeiramente coeso, ainda há clássicas músicas do The Decemberists. Porém, ironicamente, é no lirismo que encontramos o maior problema. Apesar das letras serem delicadas, as composições são insatisfatórias e pecam pela falta de emoção. O álbum foi produzido por John Congleton, que já trabalhou com St. Vincent, Future Islands e Lana Del Rey.

O álbum começa de maneira familiar com “Once In My Life”, que lentamente introduz uma guitarra acústica. O alto e melancólico vocal de Meloy conduz as coisas e apresenta letras como: “Pela primeira vez na minha vida / Algo poderia dar certo”. Entretanto, posteriormente a crescente progressão da guitarra acústica dá lugar a forte batidas e sintetizadores. Em “Cutting Stone”, a banda transita inicialmente por uma vibe indie folk. Porém, da mesma forma, essa vibe é substituída por um baixo funky e linhas de sintetizador. O baixo parece incongruente com as composições do Meloy e, consequentemente, a canção se sente um pouco desarticulada. O primeiro single, “Severed”, contém uma atmosfera ameaçadora e fortes influências do synth-pop dos anos 80. As melodias recorrentes do teclado e as vozes distorcidas sustentam a música. Na primeira metade do registro, os sintetizadores de Jenny Conlee se tornam o principal motor das músicas. Em contrapartida, “Starwatcher” e “Tripping Along” conseguem tocar em temas familiares do grupo. A primeira é inspirada pelo folk irlandês, enquanto a segunda nos remete à banda Fleet Foxes. O vibrante violão no começo de “Starwatcher” prenuncia as batidas do bumbo, ao passo que “Tripping Along” desacelera o ritmo e fornece algo mais intimista. Além de ser executada com um violão de aço, ela possui contornos melódicos, lindas mudanças nas teclas e uma agradável sensação acústica. “Your Ghost” galopa sobre batidas de estilo militar e traz à mente a energia de “The Infanta”, faixa de abertura do seu terceiro álbum de estúdio. Os vocais de fundo assombram as harmonias e o teclado elétrico soa teatral.

Dessa vez, o guitarrista Chris Funk inclina-se para um solo retrô que exala um sentimento dos anos 50. O ritmo alegre exalado pelo violão de “Everything Is Awful” compartilha uma natureza acústica muito boa. Aqui Colin Meloy está humorístico e ao mesmo tempo deprimido. “Sucker’s Prayer”, por sua vez, ecoa elementos de “Don’t Let Me Down” dos Beatles, possui harmonias cintilantes e refrão cativante. Ela traz consigo um balanço preguiçoso pontuado por um ritmo de blues, piano, vocais de apoio e guitarras elétricas. A barulhenta “We All Die Young” rivaliza com “Everything Is Awful”, enquanto apresenta vocais distorcidos, saxofone e um coro infantil que diz continuamente: “todos nós morremos jovens”. “Rusalka, Rusalka / Wild Rushes” pinta uma imagem sombria em um álbum em grande parte otimista e agitado. Pela primeira vez, a narrativa de Colin Meloy vem à tona. Suas letras desenrolam-se sobre lentos acordes de piano, antes de uma mudança no meio da música provocar riffs mais rígidos. “Rusalka, Rusalka / Wild Rushes” possui mais de 8 minutos de duração e serve como um retorno à forma. A faixa-título nos lembra que a banda pode encontrar a beleza na simplicidade. Uma música pop enigmática definida por um piano que encerra as coisas com uma nota familiar. The Decemberists está longe de ser a primeira banda a tentar fundir sintetizadores com influências folk. “I’ll Be Your Girl” não é muito diferente do modelo pré-estabelecido pelo grupo para se qualificar como uma verdadeira experimentação. Eles saíram um pouco da zona de conforto e tentaram algo novo. Entretanto, não se esforçaram o suficiente para tal.

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Favorite Tracks:

“Once in My Life” / “Sucker’s Prayer” / “I’ll Be Your Girl”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.