Review: The 1975 – TOOTIMETOOTIMETOOTIME

Lançamento: 15/08/2018
Gênero: Pop, Dancehall
Produtores: George Daniel e Matty Healy
Compositores: George Daniel, Matty Healy, Guendoline Rome e Viray Gomez.

Arecém-lançada “TOOTIMETOOTIMETOOTIME” é o segundo single oficial do terceiro álbum de estúdio da banda The 1975. Esse quarteto é bastante imprevisível. Em “Give Yourself a Try”, o primeiro gostinho do álbum “A Brief Inquiry into Online Relationship”, Matty Healy expôs suas recentes lutas com o vício, enquanto “Love It If We Made It” explorou a relação entre Kanye West e Donald Trump. Onde a primeira foi um retorno guiado pelas guitarras, a segunda é um verdadeiro protesto político. Enquanto isso, “TOOTIMETOOTIMETOOTIME” vai por uma direção mais sintética e dançante, além de conter elementos de dancehall que, por volta de 2015, se tornou eventualmente em um dos gêneros mais tocados no mundo. Portanto, este single vê o The 1975 experimentando confortavelmente o pop contemporâneo. É quase uma destilação de tudo o que o pop moderno representa em 2018. Comparações com Drake são quase impossíveis de se evitar. É uma faixa que não alcança a mesma magia de “Love It If We Made It”, mas é interessante a seu próprio modo. Inicialmente, a canção apresenta riffs eletrônicos e, em seguida, fornece reflexões de Matty Healy sobre a paranoia e o ciúme decorrente das redes sociais. Ele pondera sobre quantas vezes ligou para uma garota e oferece um tom defensivo ao exclamar: “Acho que precisamos rebobinar / Você manda mensagem para esse garoto às vezes / Deve ser mais que três vezes”.

É um comentário sobre a forma como as redes sociais podem interferir em relacionamentos modernos. Por trás do tom otimista, “TOOTIMETOOTIMETOOTIME” é, de certo modo, um pouco triste e melancólica. Aqui Healy afirma, “Você molhou meus olhos / Mas eu não me importo”, enquanto declara culpadamente, “Eu só liguei para ela uma vez / Talvez tenha sido duas vezes?”. No entanto, as letras não são tão instigantes quanto as de “Love It If We Made It”, e consequentemente apresenta um grande contraste quando colocada ao seu lado. Como resultado, “TOOTIMETOOTIMETOOTIME” está longe de fazer um comentário social sério e impactante, embora simbolize a marca cativante da banda. A partir do momento em que a canção se transforma com o sintetizador e a batida tropical – sem mencionar o forte auto-tune que ameaça os vocais de Healy – o refrão se infiltra e apresenta um teclado cintilante que se aloja em seu cérebro instantaneamente. Apesar das letras vazias, esta faixa possui um sulco infeccioso e parece ser aquela que melhor se encaixa com o título do álbum. É o single mais acessível até o momento. Os fãs da banda devem estar bastante satisfeitos com o retorno, pelo menos parcialmente. Embora “TOOTIMETOOTIMETTIMETIME” não seja minha oferta favorita até agora, isso não significa que não seja uma boa canção. Daqui pra frente, The 1975 pode ir a qualquer lugar.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.