Review: The 1975 – Give Yourself a Try

Lançada essa semana, “Give Yourself a Try” é a primeira música do The 1975 em mais de dois anos. Também é a primeira amostra do seu próximo álbum de estúdio, intitulado “A Brief Inquiry into Online Relationships”. Ela é centrada em torno de um distorcido riff de guitarra elétrica; a serena voz de Matt Healy fornece reflexões sobre o envelhecimento e a autoconsciência. “E o que você diria ao seu eu mais jovem?”, ele pergunta na ponte. Dado o interesse da banda pelo brilho do new wave dos anos 80, é natural que eles se preocupem em falar da juventude perdida. Ela começa com uma rápida batida de bateria, enquanto a melodia lhe dá uma sensação futurista. Os vocais estão incrivelmente sólidos – Healy é o principal letrista e possui grandes habilidades para o desgosto e a paixão. Mesmo que “Give Yourself a Try” seja diferente de qualquer outra música do The 1975, ainda soa como algo que você esperaria deles. A batida é estática, o baixo aparece em loop e o riff é estranhamente arranhado e repetitivo.

Embora o uso de bateria eletrônica e teclado não seja novidade, a banda se aprofundou em um novo território. Liricamente, o conteúdo é bastante confessional, uma vez que fala sobre complexidades e inseguranças a cerca do envelhecimento. Healy reflete sobre sua vida, saúde mental, doenças sexualmente transmissíveis, suicídio, vício em drogas e o esforço para aproveitar a juventude ao máximo. Apesar do tom entusiasmado, o lirismo é bastante sombrio e escuro. Mas não é novidade que The 1975 costuma atrair ouvintes graças às letras profundamente reflexivas e às vezes auto-depreciativas. “Você aprende algumas coisas quando chega à minha idade / Como amigos não mentem e tudo tem o mesmo gosto no escuro”, ele canta nas primeiras linhas. Mais tarde, durante o segundo verso, ele diz sem qualquer remorso: “Eu encontrei um cabelo grisalho em um dos meus ternos / Como contexto em um debate moderno, acabei de tirá-lo”. Na primeira audição, “Give Yourself a Try” pode soar estranha, especialmente por causa da agressiva progressão de acordes. Através da distorção e do ruído da guitarra elétrica, ela fornece alguns acenos para o pop punk e o noise rock. Além disso, também mistura um pouco de Joy Division com uma pitada de Radiohead.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.