Review: Stone Temple Pilots – Stone Temple Pilots (2018)

Lançamento: 16/03/2018
Gênero: Rock Alternativo, Hard Rock
Gravadora: Rhino Entertainment Company
Produtor: Stone Temple Pilots.

Este segundo álbum auto-intitulado parece um novo começo para a Stone Temple Pilots. Mas enquanto a banda está dedicada a escrever um novo capítulo para si mesma, é tudo muito polido e pouco desafiador.

Abanda Stone Temple Pilots lançou em 16 de março de 2018 um segundo álbum auto-intitulado, “Stone Temple Pilots”. Este é o primeiro disco da banda sem o antigo vocalista Scott Weiland, que morreu de overdose de drogas em 2015. Stone Temple Pilots é, certamente, um dos grupos mais resilientes dos últimos 20 anos. Além de enfrentar a morte de Weiland, eles também perderam Chester Bennington em julho de 2017, que havia servido como vocalista da banda de 2013 a 2015. Apesar das adversidades, uma coisa permanece clara, o grupo não vai recuar diante das tragédias. Depois de passar 18 meses procurando por um novo vocalista, eles finalmente anunciaram Jeff Gutt como novo membro. Em seguida, Stone Temple Pilots comunicou que novas músicas estavam a caminho. O seu novo disco representa um retorno à forma, embora não empurre as fronteiras da banda. Ao longo dos anos, os fãs acostumaram-se com dois lados do grupo: o peso de álbuns como “Core” (1992) e o som direto de discos como “Tiny Music… Songs from the Vatican Gift Shop” (1996). Neste novo registro eles brilham em canções mais pesadas. As baladas foram bem escritas, mas incorporam uma estranheza que se presta a elementos de jazz e folk.

O segundo disco auto-intitulado da Stone Temple Pilots não é tão forte quanto suas obras mais clássicas. Mas, para a surpresa de muitos, ele serve como um renascimento de uma banda que passou por maus bocados. Felizmente, Jeff Gutt é um vocalista adequado para seguir os passos de Scott Weiland. Sua voz é similar o suficiente para fazer justiça ao catálogo da banda e criar um novo capítulo para a Stone Temple Pilots. Enquanto muitas bandas veteranas que perderam seus membros-chave desistiram de suas glórias, a Stone Temple Pilots tenta forjar um grande futuro para si. Embora a notícia de um novo álbum tenha criado um pouco de trepidação, ela também provocou entusiasmo. O seu sétimo álbum de estúdio encontra-os aderindo à sua marca de rock melódico que deve agradar os fãs mais exigentes. Entretanto, vamos deixar claro que não mostra qualquer sinal de inovação ou aperfeiçoamento. Perder dois vocalistas em um período tão curto é realmente uma das maiores tragédias para uma banda. Portanto, ver a Stone Temple Pilots voltar com um novo disco é gratificante. Consequentemente, os espíritos de Weiland e Bennington são definitivamente sentidos em todo o álbum.

Na minha opinião, eles sempre se dividiram numa linha entre o Aerosmith e o Led Zeppelin, com uma sensibilidade pop dos anos 60. E, com este álbum, não foi diferente, pois reintroduz a banda com sua nova formação. A primeira faixa, “Middle of Nowhere”, não perde antes de começar com um pesado riff de guitarra. É uma peça frenética e um pouco nervosa, uma vez que os vocais contribuem para isso. Em alguns momentos, Gutt soa muito parecido com Weiland. Isso causa um sentimento estranho e ao mesmo tempo reconfortante. É uma boa reintrodução para uma banda que está tendo a liberdade de recomeçar. Enquanto é mais dirigida, “Guilty” prova ser tão pesada quanto a faixa de abertura. Possui uma ótima bateria e, mais uma vez, Gutt incorpora os vocais de Weiland. As letras são um pouco genéricas, mas felizmente são carregadas por uma boa guitarra rítmica. “Meadow”, lançada como primeiro single, é um número hard-rock melódico e energético. É de longe a melhor faixa do repertório. A habilidade na guitarra de Dean DeLeo é bem aproveitada aqui – ele fornece riffs muito cativantes. Inicialmente, eu não fiquei entusiasmado com este single, porém, ele cresceu em mim ao longo do tempo. A melodia executada por Gutt é definitivamente o destaque da música.

Assim como “Meadow”, a faixa “Just a Little Lie” leva a banda para um novo território ao incorporar uma sensação mais indie-rock. É uma mudança revigorante que adiciona uma dinâmica no registro. “Six Eight”, por sua vez, possui uma maior carga de energia e apresenta um dos melhores solos de guitarra do álbum. No entanto, os vocais e harmonias soam estranhamente parecidos com os de Weiland. A seção rítmica está no ponto certo, com Eric Kretz e Robert DeLeo jogando o ouvinte em diferentes direções através da bateria e do baixo, respectivamente. A próxima faixa, intitulada “Thought She’d Be Mine”, é uma balada agradável que diminui o ritmo do álbum pela primeira vez. Aparentemente, serve para mostrar um lado diferente da banda. Há um solo delicado do Dean DeLeo que dá à faixa um tempero necessário para torná-la decente. É uma faixa bem desconstruída musicalmente, tanto que possui um xilofone no final. Ainda há uma seção intermediária instrumental que empurra a Stone Temple Pilots para frente. A canção mais pesada do repertório, “Roll Me Under”, dá uma sacudida no ouvinte. O refrão e os versos temperamentais adicionam um senso de urgência, no entanto, é uma reminiscência genérica da era post-grunge dos anos 2000.

Inicialmente, “Never Enough” apresenta influências da banda The Doors, mas depois transita para um refrão turbulento. É uma faixa moderna que varia entre riffs estridentes e um tom psicodélico. É um número decente, mas sem nada de especial ou memorável. Em seguida, “The Art of Letting Go” apresenta letras sinceras sobre seguir em frente: “Espero ver seu sorriso novamente / Mas um dia muito longo na estrada”. Na mesma veia de “Thought She’d Be Mine”, esta balada começa com simples acordes. A linha de baixo de Robert DeLeo é um destaque a parte, enquanto as letras sobre a perda de alguém especial nos fazem pensar em Scott Weiland e Chester Bennington. “Finest Hour” é uma homenagem a Weiland e Bennington, com algumas das melhores letras do álbum. Sua colocação logo após “The Art of Letting Go” foi bem adequada. O ritmo mais lento se mantém contra o seu estilo tradicional de hard-rock. Perder dois vocalistas em pouco tempo definitivamente serviu como um obstáculo emocional para a banda. Em outro lugar, “Good Shoes” apresenta um balanço real, um baixo incessante e retorno à vibração de rock and roll definida pelas primeiras faixas.

O trabalho de guitarra é digno de nota, com Dean DeLeo não perdendo o foco por um segundo e mostrando porque ele é um guitarrista subestimado. Este álbum, provavelmente, não é melhor que aquele que saiu há oito anos. É um retorno um pouco desalinhado que infelizmente agravou sua crise de identidade. Além disso, a principal crítica é o fato das músicas soarem um pouco genéricas. Em alguns momentos, Jeff Gutt faz o papel de imitar Weiland, quando o correto seria seguir em frente e deixar seu legado intocado. Permanecer fiel a um som é uma coisa, mas Stone Temple Pilots deve procurar evoluir e mostrar às pessoas que Weiland não era o único rosto da banda. Não dá para negar que este disco mostra o grupo encontrando uma nova energia. Pode ser um aceno para um recomeço, algo que eles já haviam tentado com o outro álbum auto-intitulado. Respirando uma nova vida, Stone Temple Pilots tentou criar novas músicas em seus próprios termos, enquanto a introdução de Jeff Gutt como o terceiro vocalista da banda é interessante. No entanto, este álbum não abre novos caminhos e pouco preenche os requisitos para os fãs hesitantes, que estavam esperando por um novo material.

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Favorite Tracks:

“Middle of Nowhere” / “Guilty” / “Meadow”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.