Review: Snow Patrol – Wildness (2018)

Se você ama a banda Snow Patrol, este álbum provavelmente vai te agradar. No entanto, trata-se de um retorno mal-sucedido que peca pela total falta de coerência.

Quando você ouve o nome Snow Patrol (Gary Lightbody, Jonny Quinn, Paul Wilson, Nathan Connolly e Johnny McDaid), provavelmente a primeira coisa que vem na sua mente é a música “Chasing Cars” – um hino aguacento e onipresente que foi batizado como um dos singles mais tocados na última década no Reino Unido. A banda se formou quando Lightbody, nascido na Irlanda do Norte, conheceu seus primeiros colegas em uma faculdade da Escócia. Inicialmente, eles produziram dois álbuns de forma independente. Mas antes que a Snow Patrol tivesse algum sucesso real, Lightbody havia fundado um supergrupo escocês chamado The Reindeer Section. Posteriormente, o primeiro sucesso da Snow Patrol veio quando “Chasing Cars” apareceu na série Grey’s Anatomy. Ao longo de uma carreira de 20 anos, Snow Patrol trabalhou duro antes que a aclamação em massa fosse concedida a eles em 2003. Mas mesmo quando o grupo vendia muitos discos em meados dos anos 2000, eles nunca igualaram o sucesso de “Chasing Cars”. Posteriormente, eles entraram em um hiato após o lançamento do “Fallen Empires” (2011). Sete anos depois, a Snow Patrol quebrou o silencio e retornou com o lançamento do seu sétimo álbum de estúdio, “Wildness”. É muito tempo para uma banda que costumava lançar álbuns a cada dois ou três anos – tempo suficiente para que o cenário musical mude.

Nesse intervalo de tempo, Gary Lightbody se abriu sobre sua batalha contra a depressão, dizendo que ele “costumava pensar em não existir”. Esse tema foi transferido para o “Wildness”, apresentando-se imediatamente em músicas como “Don’t Give In”, onde ele diz a si mesmo: “não se atreva a desistir tão facilmente”. Se você é fã da Snow Patrol, “Wildness” provavelmente irá satisfazê-lo o suficiente para esquecer o longo tempo que eles ficaram ausentes. Saber que os temas deste álbum vêm da sua própria luta, faz com que ele seja difícil de ignorar. Os sintomas que definiram os melhores trabalhos da Snow Patrol agora são considerados genéricos e melancólicos demais. Eu gostaria de poder dizer que os sete anos que separam o “Fallen Empires” (2011) do “Wildness” permitiram que a banda criasse um álbum de grande qualidade. Infelizmente, esse não é o caso. Embora possua algumas canções agradáveis, “Wildness” é simplesmente decepcionante. Faixas como “A Dark Switch”, “What If This Is All the Love You Ever Get?”, “A Youth Written in Fire” e “Soon” têm uma sensação muito semelhante e o mesmo problema: nunca vão a algum lugar. E isso é um problema que afeta o álbum como um todo. Há pouca sensação de euforia quando as músicas terminam; embora seja um passeio decente, não nos resta nenhum sentimento adicional.

Aparentemente, o produtor Jacknife Lee tentou atualizar o som da banda, mas não chegou de forma promissora ao seu objetivo. Apesar de alguns destaques aqui e ali, o álbum parece cansado e não chega a um ponto definitivo. O registro acabou com a modernidade antiquada de pop rock que tornou a Snow Patrol tão atraente. Isso foi substituído por uma mistura acústica e elétrica de rock alternativo com poucas qualidades redentoras. Parece que a banda atingiu o seu pico com “Eyes Open” (2006), quando eles receberam comparações com o U2 e Coldplay. O vocalista Gary Lightbody ainda tem aquela voz polida que pode ser apaixonadamente empolgante e intimamente reflexiva, mas não é usada de maneira tão eficaz no “Wildness”. Espera-se que um retorno após uma longa pausa revele uma nova direção musical ou, no mínimo, um retorno apaixonado à forma. Mas infelizmente nada disso acontece. Embaraçosamente, esse álbum soa menos como a Snow Patrol e mais como a Imagine Dragons. Além disso, ele te deixa frustrado – e, pior do que isso, entediado. Se você estava esperando por uma nova direção sonora você vai se decepcionar. A despretensiosa primeira faixa, “Life on Earth”, é construída em torno de vocais suaves, um arranjo mínimo nos versos e uma entrega poderosa no refrão. Possui a marca registrada do típico som da Snow Patrol e faz um bom uso de teclas e sintetizadores fragmentados. Entretanto, nunca consegue ser completamente satisfatória.

É um som que você admira secretamente, mas que é publicamente abominável – aquela marca genérica de rock alternativo em seu sentido mais acessível. “Don’t Give In”, o primeiro single do álbum, é uma escolha estranha para a voz do Gary Lightbody. O falsete do refrão transforma seu timbre suave em algo muito tenso. Liricamente é uma palavra de encorajamento para uma luta contra a depressão. Mas apesar de ser bem trabalhada, é muito polida para o seu próprio bem, com sua instrumentação deixando o mau humor parecer um artifício datado. “Heal Me” e “Empress” são músicas que se destacam como as mais animadas do repertório – ambas possuem a mesma batida de bateria e guitarras elétricas. O ritmo flui sem problemas com as batidas pulsantes de “Heal Me”, um grito por ajuda, integridade e paz de espírito. Enquanto isso, “A Dark Switch” tenta capturar a magia do passado com algumas linhas de baixo, passagens mal-humoradas e guitarras fumegantes. Mas o álbum como um todo é frustrante para uma banda como a Snow Patrol. Mesmo com seus pontos positivos, “A Dark Switch” está completamente fora do lugar no disco. É onde a influência do mais novo membro, Johnny McDaid, é mais sentida. Ele é um dos responsáveis pela escrita do smash-hit “Shape of You” do Ed Sheeran. “What If This Is All the Love You Ever Get?” é uma faixa esquelética construída apenas com cordas de piano e o frágil barítono do Lightbody.

Uma balada triste e despojada que tenta fornecer profundidade, mas não o suficiente para tornar sua escuta realmente interessante. Enquanto isso, “A Youth Written in Fire” começa com uma das linhas mais clichês do repertório. Ela fala de um relacionamento em declínio através de letras vazias e melodias com um certo sabor de R&B. “Soon” fica do lado de fora da narrativa do “Wildness”, uma canção sobre pai e filho que traz um leve senso de variedade. É uma música comovente, mas não chega a ser avassaladora. Dessa vez, o piano despretensioso dá um forte apoio aos vocais do Lightbody. Em seguida, enquanto “Wild Horses” incorpora uma vitalidade semelhante à de “Life on Earth”, a encantadora “Life and Death” encerra o repertório com uma atmosfera mais meditativa. “Wildness” oferece algumas faixas doces, mas sem muita profundidade ou criatividade que faça dele um álbum melhor. É um disco seguro demais, como se a banda tivesse medo de adulterar uma fórmula que eles tanto confiam. Um registro lento e vazio com poucas faixas memoráveis. O novo som que a banda tenta alcançar se perde em meio à pura mediocridade, e as músicas não conseguem resgatá-los de uma decepção. A banda mostra pouquíssimo crescimento ou originalidade, e apesar de alguns momentos cativantes, o registro é muito estereotipado. O principal problema com o “Wildness”, em última análise, é que é ele completamente esquecível.

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    SCORE - 48%
48%

Favorite Tracks:

“Life on Earth” / “Heal Me” / “Life and Death”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.