Review: Slipknot – We Are Not Your Kind (2019)

“We Are Not Your Kind” é um disco surpreendente, uma profunda e horripilante demonstração da repulsa da banda – sua ambição também é impressionante.

Quando se trata de uma longa carreira em qualquer forma de arte, o crescimento é uma necessidade. Mais de uma década atrás, o Slipknot lançou “Vol. 3: (The Subliminal Verses)” (2004), um ponto de virada em sua carreira que se afastou do som abrasivo de seus discos anteriores. Desde esse álbum, a banda incorporou uma agressão pesada ao lado de um canto polido e cortes atmosféricos. Essa dualidade de tom e energia, é claro, dividiu o público; no entanto, o esforço que o Slipknot fez para expandir sua arte é louvável. Dito isto, o seu mais novo álbum, “We Are Not Your Kind”, é realmente poderoso. Esse LP abrange tudo o que foi e é o Slipknot. Da afinação gutural das guitarras às misturas de cantos e gritos, à atmosfera agitada e sombria, a banda toca em todos elementos encontrados em sua discografia. Embora não haja dúvida de que o seu estilo musical mudou até certo ponto, o conteúdo e a musicalidade do “Iowa” (2001) ainda prevalecem. Tragédia e dificuldades são extremamente aparentes na história do grupo, no entanto, a banda e, mais especificamente, sua música, é maior do que muitos imaginam. Felizmente, para seus milhões de seguidores, o último lançamento do grupo não é nada menos que fantástico.

E, embora haja algo para todo tipo de ouvinte no “We Are Not Your Kind”, também posso afirmar que é de fato a excursão mais pesada desde o “Iowa” (2001). Ao longo de 14 faixas, Slipknot prova que eles não são um ato de nostalgia e que ainda são capazes de fazer bons álbuns. Como sempre, a pulsante percussão da banda está na vanguarda quase tanto quanto a voz do Corey Taylor, embora a percussão clássica formada por Clown, Chris Fehn e Joey Jordison tenha se fragmentado. “.5: The Gray Chapter” (2014) viu Jordison substituído por Jay Weinberg, enquanto Fehn teve uma separação desarrumada com o Slipknot no início deste ano. Não é a mesma coisa, mas Weinberg é um bom baterista e ele descobriu como abraçar o estilo da banda. “We Are Not Your Kind” tem elementos de produção que parecem voltados para tornar o álbum mais amigável ao rádio – e, para ser honesto, esses elementos prejudicam o repertório mais do que qualquer outra coisa. Diferente de quando “Duality” foi um sucesso, você não vai ligar a MTV ou o rádio e ouvir alguma coisa do “We Are Not Your Kind” – ou de qualquer outro disco de metal.

Não é um projeto tão abrasivo quanto uma banda de metal underground como Tomb Mold – nem está tentando ser -, mas é muito mais experimental e desafiador do que o rock mainstream. Neste ponto, duas décadas em sua carreira consistentemente popular, o Slipknot provavelmente não está preocupado com o que alguém pensa. “We Are Not Your Kind” não depende da nostalgia da era do nu metal e não parece influenciado por nenhuma das tendências de hoje. É um produto feito do seu próprio jeito, e as pessoas ainda estão aprendendo a se apegar a esse estilo vinte anos após a estreia da banda. O repertório começa com “Insert Coin”, um instrumento sinistro e assustador que lentamente leva você ao mundo teatral que a banda criou. O primeiro single, “Unsainted”, possui um dos gritos mais brutais e contundentes do Corey Taylor. Desde o minuto em que ele exclama “estou finalmente me soltando” até a última nota de “Solway Firth”, Taylor mostra que não perdeu uma polegada de sua entrega vocal. Em seguida, “Birth of the Cruel” começa como uma música do KoRn, mas isso não dura muito tempo, desde que se trata de uma faixa inegavelmente agressiva. Quando Taylor assume o comando – em outras palavras, ele está gritando de raiva – a guitarra é igualmente ameaçadora, mas com um efeito cambaleante e rastejante, em contraste com o típico ataque de thrash metal. Depois de duas músicas completas, o disco passa por outro interlúdio com “Death Why of Death”, à medida que as transições continuam até a hostil “Nero Forte”.

Seja o latido feroz em faixas como “Critical Darling” ou os turnos entre gritar e cantar de “Not Long for This World”, Taylor sempre mantém a atenção do ouvinte. Sua voz sempre foi uma das ferramentas mais fortes da banda para estabelecer emoções, e ele faz um trabalho incrível no “We Are Not Your Kind”. “A Liar’s Funeral” traz um lado mais suave e emocional para o centro do palco, mas ainda mantém o típico som do Slipknot. Enquanto Taylor lidera as mudanças melódicas quando grita, ele estabelece um ritmo mais lento e enigmático. Uma das coisas que mais chamou minha atenção é o grau de diversidade das seções instrumentais. Parece que durante o tempo de execução do álbum, todo membro que toca um instrumento recebe sua devida diligência e tem tempo para mostrar seu talento. Músicas como “Red Flag” e “Critical Darling” focam na rápida bateria do Jay Weinberg, e outras como “Nero Forte” mostram brilhantemente os riffs inflexíveis do Jim Root e Mick Thomson. Baseado apenas no título, eu sabia que “Red Flag” seria um favorito pessoal dos fãs; eles não decepcionariam em um tema como este. É outra raiva intensificada, onde Taylor mais uma vez tem muito a dizer. Uma música com uma energia brutal semelhante aos dias de “Iowa” (2001), conforme a bateria bate fortemente e os elementos eletrônicos se mexem periodicamente.

Uma das faixas mais intrigantes é “Spiders”, que proporciona uma sensação assustadora. Durante o gancho, a guitarra exala um brilho sombrio e emite uma vibração psicodélica. “Orphan”, por sua vez, é uma das mais fortes, se não a mais enérgica do repertório. Não se deixe enganar por “Spiders” e a lenta introdução, porque ela fica pesada e fornece um ritmo remanescente de “Surfacing” e “Custer”. A fragmentação da guitarra e os riffs também lembram o material mais antigo da banda. Enquanto faixas como “My Pain” fornece um ar atmosférico e melancólico, semelhante ao álbum “All Hope Is Gone” (2008), é um dos números mais exclusivos do registro. Sua escuridão desconfortável é extraído por meio de uma instrumentação minimalista. Junto com as teclas melancólicas e a batida sombria, Corey Taylor canta frases como: “Eu sou sua corrente e sua fechadura, não há escapatória”. Embora se encaixe na estética geral e adicione um novo sabor eletrônico, poderia ser um pouco mais melódica. As coisas voltam à tona com “Not Long for This World”, enquanto Taylor reintroduz sua hostilidade. O segundo single, “Solway Firth”, é um corte matador de death metal que explora a agressão clássica da banda, além de apresentar uma atmosfera ameaçadora.

As guitarras emitem uma escuridão crepuscular, ao passo que a bateria e o baixo agitam e atacam respectivamente. Rasgando o instrumental, a letra traz uma mordida visceral. “Você quer o sorriso de verdade? Ou o que eu costumava praticar para não parecer um fracasso?”, linhas como essas contém a mesma carga de coragem e ferocidade. A jornada do Slipknot nos últimos 20 anos foi impressionante. Com isso em mente, “We Are Not Your Kind” não apenas contribui para uma adição sólida à sua discografia, como também representa o quão longe eles chegaram. O núcleo de “We Are Not Your Kind” exala uma dualidade; a raiva juvenil do passado e a maturidade do presente. O Slipknot não perdeu o rumo ou apenas decidiu mudar abruptamente – eles cresceram. O grupo lançou um dos álbuns mais fortes de sua carreira. É uma joia brilhante na coroa da banda, que levará um tempo para que as pessoas compreendam sua profundidade e complexidade. A década passada viu a trágica morte do baixista Paul Gray, a saída do baterista Joey Jordison e o recente exílio do percussionista Chris Fehn, mas a instrumentação da banda continua mais intensa e emocional do que nunca. Mesmo que cada música apresente sua própria identidade, há uma sensação incrível que remete ao seu material mais antigo.

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São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.