Review: Rouge – Dona da Minha Vida

Esse ano está sendo muito especial para o Rouge – elas voltaram à ativa depois de um longo hiato. Em 31 de agosto, Aline Wirley, Fantine Thó, Karin Hils, Li Martins e Lu Andrade lançaram um novo single. “Dona da Minha Vida” foi escrita pelo experiente quinteto, juntamente com um time de compositores que inclui o cantor Jão e a dupla Head Media. O videoclipe, dirigido pela dupla Os Primos, é emponderador e mostra várias pessoas que sofreram algum tipo de discriminação ou violência. Através do vídeo, Rouge demonstra apoio às pessoas vítimas de transfobia, homofobia, gordofobia e misoginia. Além de aparecer em um arranha-céu, o grupo uniu várias pessoas de diferentes etnias e orientações sexuais para participar do vídeo. Muitos homens e mulheres sofrem preconceito e desprezo diariamente apenas por serem quem são. São pessoas que passam por lutas pessoais, e tentam conquistar seu espaço em uma sociedade hostil e preconceituosa. Lançar uma música como essa, foi a forma que o Rouge encontrou para mostrar empatia e solidariedade. Mas também trata-se de uma canção que elas mesmas podem se identificar. Afinal, são mulheres bem-sucedidas que, provavelmente, já foram vítimas de alguma objetificação ou hostilidade do privilégio masculino. Dito isto, desde o título empoderador, “Dona da Minha Vida” fornece uma mensagem de força e superação. Liricamente, o quinteto entrega letras confiantes e aborda temas como feminismo e relacionamento abusivo.

“Não pense que eu vou ficar vivendo no passado / Cansei, você nunca vai mudar, sempre tão complicado”, Karin canta na introdução sob elementos de reggae. É uma das músicas mais maduras e prudentes que o Rouge lançou. Uma música pop com influências de R&B e inesperadas batidas de trap; instrumentos como piano, baixo, sintetizador e guitarra aparecem. “Eu vou viver todos os sonhos que tirou de mim / Tudo que você disse que eu não sou”, Li canta se direcionando ao ex-marido. É surpreendente o quanto “Dona da Minha Vida” se afasta dos singles mais dançantes do Rouge. E quando você menos espera, elas fornecem um grandioso refrão formado por um forte coro – os cativantes “oooh oooh oooh” grudam na cabeça com facilidade. Enquanto Lu interpreta o refrão, Aline entrega um das melhores linhas da música: “Admito, tantas vezes me senti inferior a você / Mas quanto mais você implora e chora assim / Me lembro do meu poder”. Provavelmente, a maior falha é a parte que cita o Instagram (“E para de me stalkear no Instagram”); a inclusão dessa frase derrubou o clima mais sério da escrita. Mas os vocais estão no ponto e impressionam pela dinâmica – Lu e Fantine ainda têm a oportunidade de mostrar seu alcance próximo do final da música.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.