Review: Rouge – Dona da Minha Vida

Esse ano está sendo muito especial para o grupo Rouge – elas voltaram à ativa depois de um longo hiato. Em 31 de agosto, Aline Wirley, Fantine Thó, Karin Hils, Li Martins e Lu Andrade lançaram um novo single especialmente para os fãs. “Dona da Minha Vida” foi escrita pelo experiente quinteto, juntamente com um time de compositores que inclui o cantor Jão e a dupla Head Media (Pedro Dash e Marcelinho Ferraz). O videoclipe, muito bem dirigido pela dupla Os Primos, é emponderador e mostra várias pessoas que sofreram algum tipo de discriminação ou violência. Através do vídeo, o Rouge demonstra apoio às pessoas que já foram vítimas de transfobia, homofobia, gordofobia e misoginia. Além de aparecer num belo arranha-céu, o grupo uniu várias pessoas de diferentes etnias e orientações sexuais para fazer parte do videoclipe. Muitos homens e mulheres sofrem preconceito e desprezo diariamente apenas por serem quem são. São pessoas que passam por lutas pessoais, e tentam conquistar seu espaço em uma sociedade hostil e preconceituosa. Lançar uma música como essa, foi a forma que o Rouge encontrou para mostrar sua empatia e solidariedade. Mas também trata-se de uma canção que elas mesmas podem se identificar. Afinal, são mulheres bem-sucedidas que, provavelmente, já foram vítimas de alguma depreciação, objetificação ou hostilidade do privilégio masculino. Dito isto, desde o título empoderador, “Dona da Minha Vida” é uma música que fornece uma mensagem sobre força e superação. Liricamente, o quinteto entrega letras confiantes e aborda temas como empoderamento, feminismo e relacionamento abusivo.

“Não pense que eu vou ficar vivendo no passado / Cansei, você nunca vai mudar, sempre tão complicado”, Karin Hils canta na introdução, após alguns elementos de reggae. É uma das músicas mais maduras e prudentes que o Rouge já lançou. Uma faixa pop com influências de R&B e inesperadas batidas de trap. Instrumentos como piano, baixo, sintetizador e guitarra pontuam a música e dão um ar mais autêntico. “Eu vou viver todos os sonhos que tirou de mim / Tudo que você disse que eu não sou”, Li Martins canta, enquanto direciona seu comentário para o ex-marido. É surpreendente o quanto “Dona da Minha Vida” se afasta dos singles mais dançantes do Rouge. “Olha que ironia / Tudo que eu tinha era seu falso amor / Bye bye, siga / Num caminho onde eu não tô / E agora eu vou”, Fantine Thó canta no envolvente pré-refrão. Mas, quando você menos espera, o Rouge fornece um grandioso refrão formado por um forte coro. Os incríveis e cativantes “oooh ooooh oooh” grudam na cabeça com facilidade e te motivam a cantar junto. Enquanto Lu Andrade interpreta o refrão, Aline Wirley entrega um dos melhores versos da música: “Admito, tantas vezes me senti inferior a você / Mas quanto mais você implora e chora assim / Me lembro do meu poder”. Provavelmente, a maior falha é a parte que cita o Instagram (“E para de me stalkear no Instagram”); a inclusão dessa frase foi totalmente desnecessária, porque derrubou o clima sério da escrita. Mas os vocais estão no ponto e impressionam pela dinâmica – a Lu Andrade e a Fantine ainda têm a oportunidade de mostrar seu alcance vocal próximo do final da música. “Dona da Minha Vida” já pode ser considerada uma das melhores músicas da carreira do Rouge.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.