Review: Rhye – Blood (2018)

Lançamento: 02/02/2018
Gênero: R&B alternativo, Soul
Gravadora: Loma Vista Recordings
Produtor: Rhye.

Embora Milosh continue focado em explorar toda a gama de seu instrumento vocal, tudo parece um pouco polido demais. Os mesmos temas são abordados várias vezes, então o álbum é muito dependente de como ele conta as coisas.

Rhye é um projeto musical de R&B composto apenas pelo canadense Mike Milosh. Originalmente, era formado por ele e o instrumentista dinamarquês Robin Hannibal. Certamente, os vocais tranquilizantes de Milosh eram muito adequados para as orquestrações reservadas de Hannibal. Mas, mesmo depois da dupla ganhar reconhecimento, foi relatado que Robin Hannibal não fazia mais parte do projeto. O conteúdo íntimo e os vocais relaxantes de Milosh são fatores distintos que dão um toque hipnotizante para o Rhye. Em 02 de fevereiro de 2018, ele lançou o segundo álbum do projeto, intitulado “Blood”. Aqui, os falsetes vulneráveis de Milosh juntamente com os delicados arranjos estão na linha de frente. A produção crua e exuberante também contribuiu para uma experiência auditiva agradável. A maior parte das onze faixas do repertório são deliciosas e carnais, e impulsionadas pelo vocal de Milosh, cordas dolorosas e linhas de baixo flexíveis. Liricamente, podemos notar que os prazeres do cantor são exclusivamente físicos. E, embora seja um bom álbum, o que o define são os seus limites, ou seja, a segurança nos vocais, a repetição sonora e as letras pouco intuitivas. “Blood” abre com uma faixa que serve como a introdução ideal para qualquer artista recém-chegado.

Intitulada “Waste”, é uma canção com batidas despojadas, vocais melódicos e elementos que desenvolvem-se lentamente, à medida que sintetizadores e cordas são gradualmente ampliados. A melancolia leve e arejada de “Waste” combinou perfeitamente com o estilo de Mike Milosh. Os primeiros singles do álbum, “Taste” e “Count to Five”, são algumas das faixas mais dançantes do repertório. Ambas fornecem linhas de guitarra e baixo inspiradas pelo funk, melodias experimentais, flautas arejadas, violinos e boas batidas de bateria. E, mesmo com as batidas, podemos ouvir as cordas de assinatura tocando sob os delicados vocais de Milosh. “Count to Five”, em particular, contém alguns momentos que nos fazem lembrar da era disco dos Bee Gees. Ademais, há uma alma funky e pinceladas de soul e jazz sobre a produção eletrônica. Inicialmente, “Fell Your Weight” é uma balada de soul e pop, porém, muda para algo completamente eletrônico que beira o house minimalista. “Please”, por outro lado, é uma balada que nos apresenta algo muito mais melancólico e íntimo, com menos baixo e mais melodias de piano e cordas orquestrais. “Song for You”, outro dos singles do álbum, é uma peça adult-contemporany com frases como, “você é meu lugar favorito para sangrar”.

É uma ode extremamente sincera dedicada à esposa de Mirosh, com um inofensivo arpejo de guitarra. Em seguida, ele progride para uma abordagem mais enfática em “Blood Knows” e fornece uma atmosfera elegante e sinuosa em “Stay Safe”. Esta última mostra Milosh ansiando por prazeres sob sintetizadores, vocais delicados e um baixo gaguejante. “Phoenix”, por sua vez, é o mais próximo que o cantor chegou do rock. Aqui, temos um ritmo mais pesado se comparado com o resto do repertório. Além disso, Rhye apresenta uma linha de baixo com acordes funky e dois riffs de guitarra elétrica um contra o outro. É uma faixa minimalista, chocante e, inegavelmente, funk. “Softly” e “Sinful” funcionam bem como encerramento do álbum, pois oferecem uma mistura sensual de guitarras, linhas de baixo e melodias fantasmagóricas. Musicalmente falando, Rhye abraçou uma atmosfera parecida com Sadé e a banda The xx. Em boa parte, Mike Milosh usou vocais sussurrantes que tecem em torno dos delicados instrumentos, a fim de estabelecer um humor relaxante, sensual e pensativo. “Blood” é um álbum extremamente frio e bem produzido, mas deve ter dividido a opinião dos ouvintes por causa do som repetitivo e imensamente unificado.

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    SCORE - 63%
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Favorite Tracks:

“Taste” / “Stay Safe” / “Phoenix”.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.