Review: Papa Roach – Who Do You Trust? (2019)

O décimo álbum da Papa Roach não é o triunfo inesperado ou a falha de nu metal que você poderia esperar. Há algumas faixas assassinas, mas é retido por uma quantidade igual de fillers.

Não há praticamente um gênero dentro da música alternativa, tão adorado quanto difamado como o nu metal. Em 1994, ensopado no esgoto de um glam metal, o Korn criou um álbum de estreia refrescante e punitivo, com letras sobre bullying, abuso e insegurança. Ele continua sendo um clássico, mas o que veio depois foi tóxico e agressivo. Nasceu algumas das melhores bandas da época, mas também algumas das mais insuportáveis. Para cada mudança de gênero e estilo, havia uma contrapartida medonha. O Korn era inteiramente original em 1994, mas a Coal Chamber se apropriara de sua fórmula e a emburrecia. A estreia do Slipknot foi um coquetel totalmente explosivo de death metal, nu metal e rock alternativo, mas com Mushroomhead e as inúmeras outras bandas enigmáticas que apareceram, isso quase estragou a experiência original. Após sua queda comercial no início dos anos 2000, parecia que o mundo do metal estava feliz em varrê-lo para debaixo do tapete. Mas outra banda surgiu e obteve muito sucesso no auge do nu metal: a Papa Roach. O seu segundo trabalho, “Infest” (2000), era um amálgama de rap rock, nu metal e rock alternativo que conseguiu conquistar o mundo. “Last Resort” continua sendo um marco em clubes noturnos de rock e um exemplo primário do cruzamento de nu metal e sucesso. Não foi particularmente inteligente ou totalmente original, mas goste ou não, o álbum vendeu 7 milhões de cópias e continua sendo um ótimo exemplo do nu metal da segunda geração.

Os dois álbuns seguintes, “Lovehatetragedy” (2002) e Getting Away with Murder” (2004), exploraram um território mais melódico e linear, mas cada disco lançado depois do “Infest” (2000) foi criado com menos fervor. Enquanto manteve uma fã base cult, a banda parecia desaparecer da consciência pública. Uma série de discos fracos piorou as coisas e empurrou sua glória ainda mais para a memória inacessível. Há quase dois anos, quando a Papa Roach lançou seu nono álbum de estúdio – “Crooked Teeth” (2017) – foi uma surpresa para os fãs e céticos quando o primeiro single os impulsionou para as rádios de rock e os viu no centro das atenções mais uma vez. Seu esforço mais realizado desde o “Lovehatetragedy” (2002); parecia que a Papa Roach estava de volta à posição de se comparar com seus pares de novo. Isso tudo nos leva a 2019, com o lançamento do seu décimo álbum de estúdio, intitulado “Who Do You Trust?”. Pela primeira vez em anos, parece que há um certo entusiasmo em torno de um álbum da Papa Roach. Eles têm sido consistentemente confiáveis ​​em lançar discos a cada dois anos, e a confiabilidade muitas vezes gera desinteresse – mas o interesse certamente está presente desta vez. É por isso que é uma pena que este projeto falhe em capitalizar o hype e acabe sendo uma mistura de estilos. “Crooked Teeth” (2017) era reverente ao passado, mas soou como um álbum de rock mainstream moderno, vibrante e rico em refrões e melodias.

“Who Do You Trust?”, por outro lado, parece em grande parte desfocado e indeciso. A música é marcadamente menos orgânica em relação ao predecessor, e as composições parecem esporádicas. Diversidade muitas vezes pode ser confundida com falta de foco, mas ambas podem ser boas para um álbum. Desta forma, o registro adota vários estilos, alguns dos quais não combinam com a Papa Roach. Em alguns casos, eles executam o rap e o rock cansados ​​e datados, como mostrado em “Renegade Music” e na faixa-título. Isso poderia ser uma adoração nostálgica do passado, mas parece um recauchutado cansado. Jacoby Shaddix nunca foi um rapper comparável ao melhor do hip-hop, mas assim como Fred Durst, ele é um homem capaz de criar ganchos inesquecíveis que nunca saem de moda. Aqui, no entanto, ele está operando em um padrão menor – e isso é uma vergonha, considerando que ele é de longe o membro mais carismático do grupo. Ocasionalmente, a banda explora o pop rock melódico e sem peso de bandas como Imagine Dragons e Bastille. “Top of the World” e “Feels Like Home” são baladas que oferecem uma instrumentação de reverberação sufocante que sempre está presente nas rádios mainstream dos Estados Unidos. Com certeza seria injusto dizer que este álbum é completamente ruim, pois há momentos de qualidade – “Maniac” é um caso onde a banda parece verdadeiramente viva e energizada.

“I Suffer Well” é uma das surpresas mais agradáveis ​​do repertório, e talvez a melhor faixa do set. O skate punk não é um território que a Papa Roach já explorou antes, e enquanto para alguns pode parecer forçado, essa música fornece um choque necessário para o sistema, especialmente pelo trabalho frenético da bateria do Tony Palmero e a performance vocal do Shaddix. Se a banda quiser explorar novos territórios no futuro, eles podem fazer muito pior do que seguir esse caminho. Além disso, a Papa Roach sempre está comprometida com tudo o que faz. Mesmo quando eles estão vestindo roupas que não são se encaixam, eles não têm medo de seguir por um novo caminho – algo extremamente admirável. É preciso muita autoconfiança e entusiasmo para pisar em novos territórios que você sabe que provavelmente alienarão seus fãs. Em última análise, “Who Do You Trust?” não é de forma alguma um desastre. Certamente há experiências que valem a pena, assim como ouvir uma banda que em seu último esforço recapturou seu potencial de rádio – se apropriando do skate punk, mesmo que brevemente. A Papa Roach nunca conseguiu ter consistência, mas ao contrário de alguns de seus esforços passados, “Who Do You Trust?” não será facilmente esquecido. É uma adição curiosa para sua discografia que devemos valorizar. No entanto, o álbum possui muitas decisões equivocadas e resulta em algo que não fazem nada para embelezar a Papa Roach. O importante é que eles parecem dispostos a correr riscos e isso traz interesse para o que farão futuramente.

  • 67%
    SCORE - 67%
67%

Favorite Tracks:

“I Suffer Well” / “Maniac” / “Better Than Life”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.