Review: Nine Inch Nails – God Break Down the Door

Ontem, a banda Nine Inch Nails resolveu lançar o primeiro single do seu próximo álbum de estúdio, “Bad Witch” (2018). Este LP fecha a trilogia que começou com os EPs “Not the Actual Events” (2016) e “Add Violence” (2017). A nova faixa, “God Break Down the Door”, é um pesadelo borbulhante e frenético que vai de altamente cinético para algo extremamente pensativo e ansioso. Sua intensidade está no tom que eles definem e na maneira como é produzida e organizada. Uma canção que continua com a exploração da Nine Inch Nails, enquanto eles se afastam de suas raízes industriais. Surpreendentemente, ela possui elementos de trip hop e uma instrumentação jazzística.

Há realmente muita coisa acontecendo. Em primeiro lugar, em vez de estarem distorcidos e entrelaçados com sua dissolução eletrônica, os vocais estão melancólicos. Sua voz está mais profunda e contida, enquanto incha através de um vibrato que soa um pouco estranho de se ouvir. Junto com a estrutura vocal recentemente adaptada, Trent Reznor e Atticus Ross criaram uma paisagem sonora que eles exploraram vagamente na trilha sonora do filme “A Estrada Perdida” (1997). Como mencionado, há um ambiente de jazz na instrumentação, juntamente com alguns padrões industriais. Começando com harmonias atonais no saxofone, e misturando-o com sintetizadores borbulhantes e forte tons de percussão, “God Break Down the Door” toca na sinistra existência cotidiana. Na superfície pode soar apenas como outra música gótica com algum sintetizador.

Mas quando ouvimos mais de perto, é muito mais do que isso. O complexo ritmo em conjunto com o inchaço do trompete injeta aquela vibe de jazz fusion que teve forte presença na música popular dos anos 70. Se o sintetizador fosse retirado, poderia até ser confundida com algo lançado naquela época. Liricamente, “God Break Down Door” tem como objetivo levar as pessoas a pensar e permanecer abstratas. De forma refrescante e familiar, Reznor e Ross criaram outra paisagem sonora envolvente e cinematográfica. Calculada e precisa, é uma música que se sente crua, movendo-se artisticamente entre vários estilos musicais. É melancólica, às vezes assustadora e completamente dinâmica. É claro que toda essa música “acessível” é justaposta por repentinas quedas na distorção, até mesmo incorporando uma guitarra. Em suma, Trent Reznor canta linhas ameaçadoras sobre a mistura estonteante de sintetizadores e explosões de saxofone: “Deus arrombe a porta / Você não encontrará as respostas aqui / Não aquelas que você veio procurar”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.