Review: NAV – Bad Habits (2019)

O rapper canadense retorna de sua aposentadoria de oito semanas com uma coleção monótona e boring. Uma das partes mais difíceis de escutar esse álbum é ficar acordado durante toda a sua execução.

Ésurpreendente pensar que a presença do NAV no “Birds in the Trap Sing McKnight” (2016) do Travi$ Scott foi uma espécie de graça salvadora. Infelizmente, essas habilidades não parecem ser transferíveis, e o esforço colaborativo com Metro Boomin provou ser demais para ele. Quando NAV disse que estava se aposentando em um ato de solidariedade ao amigo Lil Uzi Vert, foi difícil não revirar os olhos. Usar uma suposta aposentadoria como estratégia de marketing não é novo no mundo do hip-hip, e para o NAV isso pareceu demasiadamente piegas. Como esperado, a conversa sobre aposentar foi apenas um truque para gerar buzz para seu segundo álbum de estúdio, “Bad Habits”. No entanto, sua música é tão vazia que você começa achar que se afastar completamente da indústria seria uma boa opção para ele. Na primeira faixa, “To My Grave”, ele se inspira no Travi$ Scott, equilibrando um falsete descontraído com um trap espaçado. Mas as letras, que inclui a linha, “meu relógio custa mais do que um tijolo”, não têm nenhuma individualidade ou profundidade real; um problema persistente que faz com que a duração de 50 minutos do álbum seja uma tarefa muito árdua. “Bad Habits” é o som de um artista aterrorizado para sair de sua zona de conforto. NAV parece feliz em reciclar o mesmo fluxo simplista sobre o baixo pesado em todas as músicas do repertório. Isso significa que às vezes é difícil diferenciar uma faixa da outra – “Taking Chances” e “Tension”, por exemplo, são muito semelhantes em sua execução.

Quando artistas como Future e Travi$ Scott, dois pontos de referência para o NAV, falam sobre as armadilhas da vida, eles o fazem com uma autoconsciência lúdica, enquanto suas exibições sobre mulheres são geralmente justapostas a sentimentos internos. NAV, no entanto, cospe sobre dinheiro, drogas e mulheres com a mesma profundidade de uma piscina infantil. Produzida executivamente por The Weeknd, “Bad Habits” tem um nível admirável de inspiração pop e não terá nenhum problema em conseguir audiência nas rádios americanas. “Price On My Head” é ​​delirantemente cativante e vê o convidado Weeknd mirando de forma subliminar no Drake. Mas NAV não mostra nenhuma ousadia em seu verso e quase parece feliz por ser ofuscado por seu chefe. Ele chegou ao ponto de não se importar e, mesmo que sua música fique na cabeça momentaneamente, ela não vai se tornar memorável. Pois simplesmente não há substância suficiente para tal. Preocupantemente, esse registro também está repleto de uma misoginia preguiçosa. Em “Tussin”, onde o frenético Young Thug ofusca o NAV completamente, ele se vangloria: “Tenho meu lado vadia de um relógio Gucci”. Em “Know Me”, por sua vez, ele cospe: “Puta maluca esquisita / Agarre a puta pela garganta dela”. Em ambas faixas, você está esperando por uma piada inteligente, alguma coisa que empurre o álbum para frente ou, pelo menos, algum tipo de ironia. Mas infelizmente nada disso acontece. “Vicodin”, uma tentativa de contar histórias, também é alarmantemente regressiva em relação às mulheres.

NAV faz rap sobre uma stripper com um hábito de tomar pílulas, elogiando-a por manter dois outros empregos enquanto cuida de seus filhos. Mas, em vez de sustentar a perseverança e a força dessa mulher fictícia, ele simplesmente diz que “ela merece tudo o que eu dou” – uma mensagem preguiçosa que sugere que as mulheres precisam de um patriarcal para realmente prosperar. Talvez o mais próximo que o NAV venha a impor limites artísticos seja em “Why You Crying Mama”, uma gentil peça introspectiva dedicada à sua mãe. No entanto, tudo o que ele realmente nos fala é que agora pode comprar presentes para ela porque é rico. Isso parece uma oportunidade perdida, com NAV sendo incapaz de reunir qualquer narrativa emocional sincera ou nos dar uma ideia do que sua mãe poderia ter sacrificado. Antes de compor essa canção, ele deveria ter escutado “Dear Mama” (2Pac) ou “Hey Mama” (Kanye West) parece conseguir uma melhor inspiração. Com “Bad Habits”, teria sido legal descobrir um pouco mais sobre quem é o Navraj Goraya ou ouvir alguma música que ultrapassasse os limites. Entretanto, não tenho certeza se ele está conectado de uma forma que entenda que o crescimento é importante. No momento, a música parece um meio para o fim de NAV, que precisa desesperadamente crescer como letrista para conseguir qualquer tipo de longevidade no hip-hop. Uma das partes mais difíceis sobre escutar este álbum é ficar acordado durante toda a sua execução. Não há quase nada que agarre o meu interesse. Dito isto, “Bad Habits” mostra que o NAV não consegue progredir de nenhuma forma. Ele continua fazendo uma música chata, preguiçosa e insatisfatória. 

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    SCORE - 46%
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Favorite Tracks:

“Tap (feat. Meek Mill)” / “Price on My Head (feat. The Weekend)” / “Know Me”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.