Review: Matt Cardle – Time to Be Alive (2018)

Lançamento: 27/04/2018
Gênero: Pop
Gravadora: Sony Music Entertainment
Produtor: Jim Eliot e Dimitri Tikovoï.

Embora eu aprecie a honestidade do Matt Cardle em cantar sobre suas próprias lutas pessoais, o seu novo álbum, “Time to Be Alive”, não tem músicas tão interessantes.

Nos últimos cinco anos, desde a última vez que ouvimos falar do ex-vencedor do X-Factor Matt Cardle, parece que a direção de sua carreira não saiu como o esperado. Saindo do centro das atenções para lutar contra o vício em álcool e drogas, Cardle está retornando em 2018 com um novo álbum. Ao julgar pelo título, “Time to Be Alive”, o disco parece refletir sobre o amor pela vida. Mas embora eu aprecie sua audácia em experimentar novos sons e sua honestidade em cantar sobre suas próprias lutas pessoais, o registro não tem músicas tão interessantes. O álbum vê Matt Cardle colaborar com Jim Eliot (Kylie Minogue, Ellie Goulding) e escritores como Christopher Elms (Bjork, Alanis Morrisette) Dan McDougall (Liam Gallagher), Dimitri Tikovoi (MNEK, Goldfrapp) e James Hayto & James Jackman (George Michael). Ele tentou se reinventar ao fazer uma fusão de música eletrônica, gospel, rock e soul. As letras são observações pessoais sobre o vício, comportamento, amor, redenção e contentamento. Com exceção de “Nobody”, todas as faixas foram co-escritas pelo cantor. Elas revelam um retrato de um artista que lutou e venceu o vício.

O produtor Jim Eliot foi o principal escolhido por Matt Cardle para traduzir músicas tão íntimas em uma coleção eletrônica gravada principalmente em estúdios de Londres. Enquanto isso, foi mixada em Estocolmo por Christopher Elms, mais conhecido por seu trabalho com a Björk. De volta à sua gravadora original, Sony Music Entertainment, é difícil não sentir orgulho por ele ter superado tantos desafios e obstáculos em sua vida. Entretanto, isso não se traduziu em seu melhor corpo de trabalho. A primeira coisa que você percebe quando ouve “Higher Power”, a faixa de abertura, é o quanto ele mudou. Uma canção que introduz gradualmente o seu novo estilo. Não é a música mais forte dentro do álbum, mas tem um refrão cativante e instantâneo. Cercado por um piano hipnotizante e backing vocals, Matt Cardle cria uma força emocionante que prepara o ouvinte para o que está por vir. Um lindo falsete dá início à “I’m Not Letting Go Yet”, uma canção sobre os desejos de Matt Cardle que causavam a dependência química. O refrão inspirado na música disco com melodias sintetizadas funciona bem, enquanto alguns efeitos sonoros aumentam o drama e a intensidade das letras.

Em seguida, uma guitarra suavemente acentuada contribui para a narrativa de “Desire”. As elegantes cordas adicionam uma eloquência adicional, enquanto a batida propulsiva reflete sobre a urgência das letras. A faixa-título, “Time to Be Alive”, é um passeio selvagem e sem restrições, ao passo que “Crazy Love” possui uma mensagem sobre aproveitar a vida e suas oportunidades. Batidas hipnóticas colidem para criar uma mistura luxuosa de sons que explodem em um refrão vibrante. “Hallelujah”, que não se trata da canção popularizada por Alexandra Burke, é um número empolgante com grandes influências de gospel. Acordes de piano e a voz ecoante do Matt se misturam para criar alguma magia. Na verdade, é uma música bem sombria que fala, mais uma vez, sobre as lutas que ele enfrentou nos últimos anos. “Hole in the Boat” explora o outro lado de um relacionamento – aquele que se transforma em mágoa – conforme ele canta dolorosamente sobre os seus sentimentos. O charmoso ritmo midtempo ajuda a transformar suas emoções em algo relacionável para qualquer pessoa que tenha passado por situação semelhante. Enquanto “Blind Faith” possui uma melodia sedutora, “High as the Night” contém um ritmo inebriante.

Aqui, Matt Cardle se rende às paixões que o envolvem e vive para o momento, sem quaisquer arrependimentos. Quando nos aproximamos do final do álbum, temos a única música que não foi produzida por Jim Eliot. “Ten Ten” foi co-escrita e produzida por Dimitri Tikovoï e, justamente por não ter o envolvimento de Jim Eliot, se sente um pouco deslocada. O falsete de Matt Cardle é acompanhado por corais reverentes e o resultado é bem satisfatório. Tudo se encerra com “She”, uma balada lenta e excessivamente sentimental. Entretanto, embora seja interessante concluir o registro com algo mais orgânico, 8 minutos de gemidos é muita coisa para os nossos ouvidos. Neste novo álbum, Matt Cardle entra no mundo eletrônico e deixa para trás seu tradicional estilo na guitarra. Embora você ainda possa desfrutar de suas habilidades vocais, às vezes sua voz é muito modificada por outros efeitos. Podemos notar que a mudança no som tirou a sensação orgânica de suas músicas. E dado as batalhas contra o vício em álcool e drogas, você esperaria que seu retorno fosse mais arraigado. O mais frustrante é que, depois de ter visto Matt Cardle fazer uma versão arrepiante de “The Power of Love”, suas emoções mais genuínas parecem ter sumido no “Time to Be Alive”.

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Favorite Tracks:

“I’m Not Letting Go Yet” / “Desire” / “Hallelujah”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.