Review: Ludmilla – Jogando Sujo

Depois do inesperado sucesso de “Din Din Din”, Ludmilla lançou uma nova música em 27 de julho. Produzida pelos frequentes colaboradores Umberto Tavares e Jefferson Jr, “Jogando Sujo” é o quarto single lançado por ela em 2018. É o sucessor de “Solta a Batida”, “Não Encosta” (com DJ Will 22) e “Din Din Din” (com MC Pupio e MC Doguinha). O videoclipe, dirigido por Felipe Sassi, contém um cenário futurista e um exército formado por mulheres. Ludmilla se sobressaiu no mercado brasileiro depois que assinou um contrato com a Warner Music em 2013. Desde então, ela já lançou dois álbuns de estúdio, “Hoje” (2014) e “A Danada Sou Eu” (2016), e conseguiu alguns hits como “Hoje”, “Não Quero Mais”, “24 Horas por Dia” e “Cheguei”. Ela é uma cantora pop, mas possui raízes fincadas no funk-carioca e flerta frequentemente com o R&B. Entretanto, vocalmente ela é muito limitada. Eu, particularmente, acho o seu timbre e dicção ruins, além dos fraseados serem imprecisos. Mas, mesmo com suas limitações, ela é uma das artistas de maior sucesso do pop nacional. Dito isto, eu afirmo que “Jogando Sujo” é a melhor faixa que ela lançou em 2018. De início, a canção apresenta cordas proeminentes, percussão, efeitos vocais e, posteriormente, batidas extremamente robustas.

Ademais, Ludmilla também é acompanha por sintetizadores, típicos elementos do funk-carioca e chimbais de influência trap. A instrumentação funciona bem e acaba escondendo a deficiência dos vocais e a superficialidade das letras. Atualmente é surpreendente o quanto o pop brasileiro possui letras ruins. “Jogando Sujo”, por exemplo, é construído sobre rimas fáceis, repetições banais, clichês e estereótipos envolvendo “bundas”. Assim que ouvimos o primeiro verso da música, já percebemos o quanto as rimas são bobas e fracas: “Presta atenção / Que agora já tá liberada a sedução / Todas as meninas, foco na concentração / E divinamente vem descendo até o chão / Presta atenção / Sente o grave que vai começar a percussão / Foco na batida, não esquece do carão”. É tudo tão básico e medíocre que se torna risível. Sorte da Ludmilla que a instrumentação consegue esconder a banalidade da escrita. Embora radiofônico, o lirismo do refrão consegue ser ainda pior. “Sensualiza, cai na pista / Atrevida, vai, bandida / Quando mexe o bumbum / Enlouquece qualquer um / Quando mexe o bumbum / Enlouquece qualquer um / Bumbum, bumbum, bumbum / Bumbum, bumbum, bumbum / Eu quero ver você jogando sujo, vai”, ela canta repetidamente. Honestamente, a música pop pode ser muito melhor do que isso. Mas isso não é uma crítica direcionada apenas para a Ludmilla, porque atualmente muitos outros artistas brasileiros fazem uso de repetições e clichês como os de “Jogando Sujo”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.