Review: King Tuff – The Other (2018)

Lançamento: 13/04/2018
Gênero: Rock
Gravadora: Sub Pop
Produtor: King Tuff.

“The Other” é uma extensão menos frenética dos momentos mais brilhantes do seu disco anterior. É um King Tuff mais pensativo e filosófico com um tom geral muito mais sério.

Depois de anos fazendo discos como King Tuff, o músico Kyle Thomas passou 1 ano e meio em turnê como guitarrista do Ty Segall. Quatro anos depois de lançar seu mais recente álbum, “Black Moon Spell” (2014), King Tuff está de volta com uma coleção ensolarada. Liricamente, o seu novo álbum, intitulado “The Other”, é sobre uma redescoberta de si mesmo. Thomas admitiu que é sobre trazê-lo de volta do fundo do poço, durante um tempo que para os outros deveria ser uma celebração. Mas, em vez de insistir na negatividade, “The Other” é sobre como procurar novas ideias para explorar. O resultado é um registro que o mantém expressivo e aventureiro como sempre foi. Na maior parte dos anos, King Tuff trabalhou com o garage-rock e a neo-psicodelia, mas agora está experimentando novos sons. Dessa vez, os riffs de hardcore foram substituídos por guitarras alegres e batidas de disco. Tematicamente, “The Other” já pode ser considerado o álbum mais introspectivo do King Tuff. Os riffs não são tão poderosos, mas os arranjos estão cada vez maiores. Ele realmente preparou algo diferente para este projeto.

Reforçado por uma nova estrutura sonora e alguns sintetizadores, sua paisagem musical está realmente diferente. É empolgante, mas também exaustivo. Parece um álbum do Mount Eerie, mas ligeiramente mais acessível. A faixa de abertura, “The Other”, possui profundos vocais e é acompanhada principalmente pelo sintetizador e violão. A produção é eloquente e proporciona uma paisagem sonora assustadora. Ao iniciar o álbum com esta canção, King Tuff colocou todas suas cartas na mesa. Sua tonalidade serena e as letras abstratas documentam uma série de eventos da sua vida. Em suma, a faixa-título é um prelúdio para o resto do álbum. Com teclado, saxofone e vocais em falsete, “Raindrop Blue” traz um ritmo inspirado pelos anos 70. Uma canção exuberante e mais agradável onde os ouvintes podem apreciar melhor a música do King Tuff. Em seguida, a balada “Thru the Cracks” flutua sobre uma vibração pop sinfônica, mas possui uma inspiração sombria por trás. O músico resolveu lançá-la depois que um amigo próximo cometeu suicídio. “Eu tinha essa música por volta de sete anos, mas infelizmente só quando ele se foi ela entrou em foco e eu percebi o que era aquilo tudo”, Thomas disse.

Uma paisagem pop continua aparecendo em “Psycho Star”, mas dessa vez impulsionada pela cena funk oitentista. “Infinite Mile”, por outro lado, é conduzida pelo blues e fornece amplas batidas acústicas e trechos de sintetizadores. Na primeira escuta, esta faixa parece uma reminiscência de alguma música solo do Jack White. A próxima faixa, “Birds of Paradise”, é influenciada pelo rock e soul dos anos 70 e composta por instrumentos de metal, enquanto “Circuits in the Sand” é um rock-psicodélico que depende dos acordes de um violão, tambores e da tecnologia digital. Em contrapartida, “Neverending Sunshine” é uma ode espiritual e ensolarada que surge sob uma batida constante. Ela é ornamentada com camadas de sintetizadores e antecede apropriadamente a profusa faixa de encerramento, “No Man’s Land”. Aqueles que gostam de rock moderno e não se importam com a sensibilidade eletrônica, provavelmente irão gostar desse álbum. É ótimo ter King Tuff de volta depois de quatro anos. Em suma, “The Other” é um passo em frente para Kyle Thomas e um álbum ambicioso baseado em experiências reais.

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    SCORE - 65%
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Favorite Tracks:

“Raindrop Blue” / “Thru the Cracks” / “No Man’s Land”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.