Review: Keith Urban – Graffiti U (2018)

Lançamento: 27/04/2018
Gênero: Country pop
Gravadora: Hit Red / Capitol Nashville
Produtores: Benny Blanco, Ross Copperman, Captain Cuts, Mike Elizondo, Jason Evigan, Oscar Holter, Dann Huff, Josh Kerr, Ian Kirkpatrick, Johnny McDaid, Matt Rad, Jimmy Robbins, J.R. Rotem, Jesse Shatkin, Ed Sheeran, Keith Urban e Greg Wells.

Todo artista tem o direito de experimentar novos sons e estilos, mas o problema com o “Graffiti U”, o novo álbum do cantor Keith Urban, é a produção confusa e caótica.

Keith Urban é tecnicamente um artista country, porém, depois de você ouvir os loops de bateria do “Graffiti U”, vai se perguntar se ele abandonou o gênero. Assim como a Taylor Swift, ele parece determinado a empurrar os seus limites sonoros. Urban começou a ganhar destaque na indústria com “Golden Road” (2002), “Be Here” (2004) e “Love, Pain & the Whole Crazy Thing” (2006). Três discos que o estabeleceu como um dos artistas mais talentosos de Nashville. Depois que se casou com Nicole Kidman, sua criatividade e ímpeto diminuíram enquanto ele escrevia canções de amor uma atrás da outra. No entanto, em seus dois últimos álbuns, “Fuse” (2013) e “Ripcord” (2016), houve um ressurgimento criativo. “Graffiti U”, por sua vez, chega como uma experimentação confusa e o desejo de cruzar as fronteiras da música country. Enquanto os vocais familiares são ouvidos em cada música, “Graffiti U” o leva para um novo território. É um registro sem brilho, com uma produção bagunçada e tremenda falta de foco. Aos 50 anos de idade, Keith Urban continua exibindo o mesmo sentimento lírico genericamente tolo que se tornou sua marca registrada ao longo dos anos.

E atado a isso, há uma fraca tentativa de retratar as mulheres como mais do que objetos de interesse romântico. Apesar dele sempre ser flexível e eclético em relação à música, “Graffiti U” não é um projeto interessante por qualquer meio. A confusa mistura de country, EDM, pop, R&B e rap é dissonante e o impediu de criar um álbum coeso. Aliás, a primeira faixa do repertório, intitulada “Coming Home”, com participação da Julia Michaels, é o exemplo perfeito dessa confusão. Uma canção curiosamente estruturada e programada, mas com um resultado final bem ruim. Depois de uma delicada introdução no piano, a música oferece uma dosagem pesada de sintetizadores, riffs de guitarra acústica e programação de bateria. Um som familiar, enraizado na música country, mas totalmente genérico e emaranhado. A bem-humorada “Never Comin’ Down” possui uma linha de baixo otimista e mantém as coisas bem superficiais. Mais pop-dirigida, o banjo só serve para nos lembrar que trata-se de um possível álbum country. Juntamente com “Gemini”, a faixa “My Wave”, com vocais de Shy Carter, é um dos maiores erros do registro. Um riff barulhento conduz a música, enquanto as letras são extremamente ruins.

Ela possui uma mensagem vaga sobre viver a vida e ainda há um suposto rap na maior parte. O ritmo descontraído tenta injetar uma sensação caribenha, mas falha em sua execução. “Drop Top” é outra exemplo da desordem em torno deste álbum, principalmente pelo uso desconcertante de uma batida sintética. “Love the Way It Hurts So Good” e a longa “Steal My Thunder” são mais tradicionalmente urbanas e, embora não sejam exatamente músicas de destaque, conseguem cativar de alguma forma. A segunda, em particular, parece ser direcionada para a esposa do cantor, a atriz Nicole Kidman. “Seu coração é tão bom que você pode transformar um pecador em um crente / E eu quero que o mundo te veja”, ele canta aqui. “Parallel Line”, por sua vez, possui vulnerabilidade, sample de “Everglow” do Coldplay e um refrão mais afetuoso. Outras músicas um pouco mais interessantes são “Horses” e “Texas Time”. A primeira apresenta a guitarrista canadense Lindsay Ell, conhecida por incorporar elementos de rock, blues e pop dentro do gênero country. Inicialmente, a guitarra acústica comanda as coisas, antes que componentes elétricos apareçam no refrão.

Enquanto isso, “Texas Time” é um número infundido pelos anos 70 com uma programação funky, guitarra bluesy e vocais calorosos. A penúltima faixa, “Female”, foi lançada como primeiro single e apresenta co-escrita de Shane McAnally, Nicolle Galyon e Ross Copperman. É uma música madura sobre a beleza e a complexidade das mulheres. Lançada com a intenção de apoiar o movimento #MeToo, esta canção dividiu opiniões. A composição oferece um som country apoiado por uma batida pop, vocais emocionais e uma sensibilidade lírica. “Irmã, ombro / Filha, amante / Curador, aura quebrada / Mãe natureza / Fogo, terno de armadura / Sobrevivente da alma, água benta / Guardião secreto, adivinho / Virgem Maria, letra escarlate / Rio multi-colorido e selvagem / Querida garota, brilho feminino / Feminina”, ele canta no refrão. Apesar do oportunismo, Keith Urban faz uma série de perguntas relacionadas com a experiência feminina e fornece um lirismo mais inteligente. Com nove álbuns em sua discografia, ele continua empurrando sua música para fora das linhas de Nashville. Todo artista tem o direito de experimentar novos estilos, mas o problema com o “Graffiti U” é o som confuso e caótico. Por causa da falta de personalidade e autenticidade, é um projeto mal orientado e desagradável de se ouvir.

  • 51%
    SCORE - 51%
51%

Favorite Tracks:

“Parallel Line” / “Way Too Long” / “Horses (feat. Lindsay Ell)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.