Review: Eminem – Fall

Lançamento: 31/08/2018
Gênero: Hip hop
Produtores: Mike Will Made It e Eminem
Compositores: B. J. Burton, Marshall Mathers, L. Resto, Justin Vernon e Michael Williams II.

Depois que o novo álbum do Eminem foi lançado, uma faixa chamou bastante atenção. “Fall” é um número onde Slim Shady coloca sua mira em Joe Budden, Charlamagne Tha God, Earl Sweatshirt e principalmente Tyler, the Creator. Os dois últimos já disseram que o Eminem é uma influência do passado, mas desde então passaram a criticar seus novos álbuns. Aliás, o cara sabe de sua influência no hip hop e menciona no final da música, alguns nomes que ele inspirou: “Pertenço a esse lugar, palhaço, não me venha falar de cultura / Eu inspirei os Hopsins, os Logics, os Coles / Os Seans, os K-Dots, os 5’9″s / Trouxe ao mundo o 50 Cent, você se abaixou, mijou e gemeu / Mas eu não cairei vadia”. Com vocais e co-escrita de Justin Vernon, mais conhecido como membro da banda Bon Iver, “Fall” contém muitas referências à cultura pop. É uma peça sonoramente agradável, habilmente produzida e liricamente controversa. Em um conjunto de linhas, Eminem ataca Tyler, The Creator, usando um insulto homofóbico, que é desnecessário devido às especulações sobre a sexualidade do Tyler após o lançamento do álbum “Flower Boy” (2017). A palavra “faggot” é definitivamente desnecessária em qualquer contexto. Por causa disso, “Fall” foi a faixa mais duramente criticada após a liberação do “Kamikaze” (2018). Aplicando um ritmo fluído, Marshall Mathers consegue bater forte em suas letras. “Já aguentei mais do que podia tolerar / Estou cheio e cansado de esperar, a paciência acabou / Posso derrubar todos vocês, filhos da mãe, de uma vez / Vocês queriam o Shady? Conseguiram”. No entanto, em determinados momentos, ele é desnecessariamente brutal.

Os vocais em falsete do Justin Vernon, que reprovou boa parte das letras da música, consegue criar um refrão memorável. “Não caia na minha frente / Não caia na minha fé / Não caia no meu destino / Não caia na minha fé / Não caia no meu destino”, ele canta. O fluxo do Eminem ainda permanece intacto, entretanto, boa parte de suas músicas atuais não possuem a mesma inspiração do passado. Chamar o Tyler, the Creator de “bicha” foi completamente inconveniente e dispensável: “O Tyler não cria nada / Vejo que chamou a si mesmo de bicha, vadia / Não é só porque está carente de atenção / É porque você idolatra as bolas do D-12 / Você é um saco-crilégio”. Posteriormente, ele aponta o dedo para os críticos e a academia do Grammy: “Críticos, talvez tenha que foder a Pitchfork com saca-rolhas / Só o que o médico recomendou / A vingança é o melhor remédio / Aumente a dose, de menos para mais / Diga a eles do Grammy para irem se ferrar / Eles sugam o sangue de todos os grandes artistas / Como sanguessugas / Eles os indicam, os levam para lá / dão um nome para apresentar o show / Todo parasita precisa de um anfitrião / E aí, entregam o “Álbum do Ano” / para alguém que ninguém nunca ouviu falar”. Seria negligente ignorar “Fall”, uma vez que seu fluxo é envolvente e a produção do Mike Will Made It é requintada. O teclado e os sintetizadores emolduram a voz do Justin Vernon, enquanto o Eminem apresenta letras caracteristicamente polêmicas. Sonoramente falando, é uma boa canção, mas no geral possui algumas linhas muito ruins.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.