Review: EELS – The Deconstruction (2018)

Lançamento: 06/04/2018
Gênero: Indie rock
Gravadora: EWorks / PIAS Recordings
Produtores: E e Mickey Petralia.

A banda EELS sempre se esquivou do mainstream e seguiu suas tendências auto-indulgentes. No entanto, “The Deconstruction” não possui criatividade ou emoção. Os interlúdios o faz parecer mais fragmentado do que conectado.

EELS é uma banda de rock formada na Califórnia em 1995 por Mark Oliver Everett, conhecido pelo nome artístico E. Os membros da banda mudaram ao longo dos anos, tornando Everett no único membro oficial da maior parte dos trabalhos da banda. Após um intervalo de quatro anos, o EELS retornou em 2018 com o seu décimo segundo álbum de estúdio. Antes disso, E estava ocupado com outros projetos paralelos, que inclui um documentário chamado Parallel Worlds sobre a busca para entender seu pai, o físico quântico Hugh Everett III. Honestamente, EELS é um banda estranha. Mesmo depois de 22 anos, é realmente difícil definir o seu gênero e significado cultural. Longe da popularidade da banda na virada do século XXI, quando os álbuns “Electro-Shock Blues” (1998), “Daisies of the Galaxy” (2000) e “Souljacker” (2001) foram lançados, o seu novo disco, “The Deconstruction”, oferece quinze faixas no decorrer de 42 minutos de duração. Há muita auto-indulgência nas composições e três faixas com menos de 1 minuto, com duas delas sendo número sintéticos sem sentido. Fora isto, o álbum oscila entre diferentes vibrações sonoras e gasta grande parte do seu tempo com números monótonos. Dito isto, o repertório é formado por músicas simples com instrumentação bonita e letras básicas.

Infelizmente, “The Deconstruction” não é inteligente, criativo, emocional ou excêntrico. Pelo contrário, é praticamente um fracasso em termos de composição e produção. O disco abre com a delicadeza da faixa-título, “The Deconstruction”, com batidas aleatórias e vocais bem simples. Liricamente, E fala como a separação em sua vida o levou ao crescimento. Uma das poucas faixas que se destacam no álbum é “Bone Dry”, porque fornece um pop sinistro e perturbador que bate em você em todas as direções. A percussão é crescente, os floreios orquestrais agradáveis e o desempenho vocal consistente. Músicas como “Premonition”, “Rusty Pipes” e “Be Hurt” são positivas, mas de uma maneira muito ingênua. “Premonition” discute o círculo imparável entre a vida e a morte, sob uma suave guitarra e um coral de backing vocals. “Eu tive uma premonição / Tudo vai ficar bem / Você pode matar ou ser morto / Mas o sol vai brilhar”, E canta aqui. Enquanto isso, “Rusty Pipes” é uma faixa descontraída que abraça coros angelicais e possui flautas bem doces. Mais tarde, depois da fúnebre “The Epiphany”, o grupo apresenta a explosão pop de “Today Is the Day”. Uma faixa esperançosa, feliz e, provavelmente, a mais animada da carreira do EELS.

Sobre riffs, teclados e palmas, E canta repetidamente: “Hoje é o dia, ele começa aqui / Não tem nada de que se preocupar agora”. “Sweet Scorched Earth”, por sua vez, é embrulhada com uma orquestra que a transforma em algo mais descontraído, ao passo que as letras celebram o amor em um planeta doloroso. Lembra bastante o passado da banda. A outra faixa de destaque é “You Are the Shining Light”, especialmente por causa da forte linha de baixo, teclado e letras resilientes. “Archie Goodnight” é uma canção de ninar de apenas 49 segundos de duração escrita para o filho do E. Ela adiciona algo adocicado num registro que parece mais alinhado com as perdas da vida do que com suas possibilidades. Não há muita coisa para se falar sobre o “The Deconstruction”, a não ser que é outro álbum do EELS embalado com todas as deficiências da banda. Para os fãs, isso pode ser o suficiente, mas é um disco intransigente que promove uma escuta pouco convidativa. Musicalmente, é um álbum que soa como tudo que a banda produziu no passado, apesar de alguns picos de energia inesperados. Aparentemente, o EELS perdeu as poucas coisas que os tornavam especiais. Mas se Mark Oliver Everett obter uma obsessão em inovar no seu próximo álbum, poderemos ouvir algo mais convincente. Por ora, digo que ouvir este álbum é praticamente uma perda de tempo.

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Favorite Tracks:

“The Deconstruction” / “Bone Dry” / “You Are the Shining Light”.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.