Review: Drake – Duppy Freestyle

Lançamento: 25/05/2018
Gênero: Hip hop, Rap
Produtores: Jahaan Sweet e Boi-1da
Compositor: Aubrey Graham.

Já faz alguns anos que existe uma disputa entre Drake e Pusha-T, mas hoje isso entrou em erupção. Em uma das faixas do álbum “Daytona” (2018), Pusha T compartilhou linhas insinuando que Drake possui escritores fantasmas. “A escrita lírica é igual a dos vendedores do Trump / A grande questão é como os russos fizeram / Foi escrito como Nas, mas veio de Quentin”, ele recita em “Infrared”, lembrando aos ouvintes que Quentin Miller está por trás das melhores rimas do Drizzy. Isso acabou fazendo o rapper canadense lançar “Duppy Freestyle” no SoundCloud em menos de 24 horas depois. Aqui, Drake apresenta sua resposta disparando tiros contra Pusha T e Kanye West. “Estou chocado / A ousadia, a audácia / Então se você me repreende por trabalhar com outras pessoas algumas vezes / O que você acha desse mano que faz suas batidas? / Eu fiz coisas para ele que eu pensei que ele nunca precisaria”, ele diz nas primeiras linhas. Aqui, Drake chama Pusha T de hipócrita, considerando que Kanye West, o produtor do “Daytona” (2018), já pediu ajuda para ele no passado. “O senhor teve que esticar as mãos dele para ele tirar de mim / Eu ostentei por 30 horas e deixei ele copiar”, ele cospe ao fazer referências às faixas “Father Stretch My Hands”, “30 Hours” e “Pop Style”. No final, Drake ainda chama Kanye West pelo nome: “Fala pro Ye que eu tô mandando uma fatura pra vocês / Já que eu acabei de vender mais 20 mil para você”. Essa linha insinua que “Duppy Freestyle” está servindo como promoção para o álbum recém-lançado do Pusha T.

Em outros momentos, Drake comenta sobre a G.O.O.D. Music, a gravadora do Kanye West (“Você não é nem top 5 dentro da sua própria gravadora”) e toca em assuntos pessoais do Pusha T (“Mano, você deve ter vendido pros moleques estudantes por Nikes e Mercedes / Mas você age como se tivesse vendido droga pro Escobar nos anos 80”). É uma acusação ácida direcionada ao passado do Pusha T como traficantes de drogas. Ademais, ele critica os dois por supostamente não apoiar Virgil Abloh, um afro-americano que trabalha como designer de moda para a Louis Vuitton: “Eu nunca atrasaria o sucesso do Virgil só porque ele me deixou nervoso / Eu quero ver meus irmãos fazendo sucesso / Vocês são um bando de serpentes”. Muito parecido com o feud com Meek Mill, quando ele compartilhou “Back 2 Back”, Aubrey Graham não parece estar brincando em “Duppy Freestyle”. E, como o esperado, Drake se defende das acusações de que não escreve as próprias músicas: “E pergunte pro Q, eu mudei a vida dele algumas vezes / Ele trampava dobrado no Kroger / Vocês agem como se ele tivesse me feito, mas eu só tava tentando ajudar aquele cara”. Produzida por Jahaan Sweet e Boi-1da, “Duppy Freestyle” contém uma linha de baixo robusta, instrumentos de metal, batidas saltitantes, teclado e um ritmo soulful. Dificilmente a disputa entre Drake e T terá uma trégua, uma vez que ela vem se arrastando há algum tempo. A briga herdada do Lil Wayne começou em 2016 quando Drake zombou do passado do Pusha T na faixa “Two Birds, One Stone”. “Duppy Freestyle” segue seus últimos singles de sucesso e antecede o álbum “Scorpion”, com lançamento previsto para junho.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.