Review: Carly Rae Jepsen – Party for One

Depois de muitos rumores, Carly Rae Jepsen finalmente lançou um novo single. “Party for One” é o seu primeiro lançamento desde “Cut to the Feeling”, e também o primeiro vislumbre de um futuro novo álbum. Desde o “E•MO•TION” (2015), Jepsen tem sido uma fonte de canções de qualidade que merecem mais atenção. “Party for One” está sendo considerada pela imprensa como uma declaração de “amor próprio”. Porém, é descarada e um pouco mais explícita do que o esperado. “Eu serei o cara / Se você não se importa comigo”, ela canta. “Fazendo amor comigo mesmo / De volta à minha batida”. À medida que a música progride, o desgosto se transforma em alegria e a produção cresce cada vez melhor. Um single cativante onde ela comemora o poder do desgosto, embora a experiência possa parecer dolorosa. Através dessa música, Jepsen quer que as pessoas se lembrem de se amar. “Se você não soubesse que você era certo para mim / Então não há nada que eu possa dizer”, ela canta.

As letras são empoderadas e inspiradoras – aqui, ela questiona as decisões que a fizeram se apaixonar por um homem e sua próxima fase é a autodescoberta e o amor-próprio. Ela se abre para novas possibilidades e celebra a si mesma, apesar de todo o desgosto envolvido. O primeiro verso a encontra em uma situação onde todos podemos nos relacionar. No topo do primeiro refrão, a instrumentação praticamente desaparece. Durante o primeiro verso, houve uma crescente constante, mas quando chegamos ao que é indiscutivelmente o mais forte momento lírico da música, a instrumentação é significativamente mais leve. Mais tarde, a bateria e o baixo são reintroduzidos. A base da ponte é aquele momento em que você finalmente acredita no que está dizendo a si mesmo: que você é forte e independente. Quando chegamos no refrão final, a bateria se torna mais sincopada e acentua cada palavra que ela está cantando. O amor não correspondido é um dos piores sentimentos do mundo – sendo também um dos mais comuns – mas “Party for One”, mostra que existe outro caminho para a felicidade. E mais importante do que ser amado por outra pessoa, é se amar o suficiente para continuar seguindo em frente. Musicalmente, possui uma atmosfera familiar. Há uma luz que nunca se acaba que se chama synth-pop dos anos 80 – uma saída usada para provocar nostalgia. Isso tem provado ser uma fórmula altamente eficaz. O refrão explode sobre sintetizadores oitentistas, enquanto os “aaah-aaah-aaah” aparecem no momento certo. Embora “Party for One” possua semelhanças com o “E•MO•TION” (2015), a progressão extravagante e produção subjacente tem seus momentos distintos. E apesar de não ser tão instantânea, sinaliza um crescimento natural. Não é uma canção imediatamente gratificante, mas funciona quando precisa.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.