Review: Broods – Don’t Feed the Pop Monster (2019)

“Don’t Feed the Pop Monster” injetou muitas ideias novas no repertório do Broods, oferecendo um punhado de faixas confiantes e polidas que poderiam ter resultado em algo impressionante se tivessem um foco mais aguçado.

Embora os irmãos Caleb e Georgia Nott tenham tocado juntos desde a infância, os últimos cinco anos os viram fazer ondas na cena musical como Broods. Com dois álbuns e um EP, singles como “Bridges” e “Heartlines” levaram a dupla ao topo das paradas em seu país natal, a Nova Zelândia. Broods sempre se especializou em um estilo glacialmente cool em desacordo com sua cidade natal. No decorrer de seu álbum de estréia, “Evergreen”, e do segundo disco, “Conscious”, a dupla trabalhou um pouco mais com fundações synth-pop. Às vezes, através desses registros, a escuridão não se inflamava completamente. Embora a produção mal-humorada do Joel Little tenha pintado uma imagem brilhante, a dupla ainda tentava encontrar sua voz. O reconhecimento mundial – incluindo como ato de abertura da Taylor Swift em sua Reputation Stadium Tour – nos trouxe um terceiro LP do Broods. “Don’t Feed the Pop Monster” se entrega aos maiores e mais barulhentos sons de sua música. Onde o material mais antigo centrava-se em atmosferas temperadas e melancólicas, “Don’t Feed the Pop Monster” está pronto para os festivais e arenas. Os singles imediatamente destacam esse escopo diferenciado. O ambiente distante e os loops de bateria que aparecem inicialmente em “Peach”, dão lugar a acordes de piano ressonantes, enquanto a bateria sobrecarregada do Caleb inaugura o brilhante vocal da Georgia. Sua voz inconfundível encontra um lugar na brincadeira, ao passo que drops de sintetizador e percussão destacam o som da dupla.

Essa canção mostra as habilidades da dupla para melodias otimistas sem abandonar o seu senso temperamental. “Falling Apart” introduz o processamento de vocoder sobre as harmonias vocais da Georgia, alcançando um equilíbrio entre poderosos graves e sinos brilhantes. Sua voz permanece predominante na dinâmica “Everything Goes Wow” – os acordes de guitarra e teclado acompanham a bateria e o baixo suave, ao passo que há um dueto turbulento entre o vocoder distorcido e a guitarra difusa. Se não estiver claro, “Don’t Feed the Pop Monster” é uma apresentação difundida e diversificada. O que impede que se torne uma bagunça desarticulada é a química familiar da dupla. A faixa de abertura, “Sucker”, e “Dust” resumem como o Broods tateia a mão em todo o álbum. A rápida linha de sintetizador e os acordes de rock alternativo também são um conjunto unificador de textura e energia vibrante. Mudanças imprevisíveis no seu estilo dificilmente teriam funcionado dentro da estrutura minimalista do passado, mas as paisagens sonoras e o suporte rítmico em evolução não permitem que o álbum abra suas asas, sem deixar para trás as melodias charmosas de agora. Mas no repertório também encontramos chamadas para o som do passado, como por exemplo “Why Do You Believe Me?”, com seu canto intimista, batida esparsa e progressão ambígua. “To Belong”, por sua vez, apresenta uma abordagem esquelética através de notas graves em staccato acentuadas por um ritmo funky. Ambas faixas fornecem harmonias angelicais e meticulosas, além da presença emocional do timbre da Georgia.

Mesmo sendo arranjos minimalistas, eles mantêm a instrumentação distinta e o interesse de nunca permitir que qualquer ideia se repita. As letras e os arranjos do Broods, embora ainda não sejam terrivelmente complicadas, derivam do gosto pela vida que ambos os membros experimentaram ao escrever o álbum. Isto é especialmente evidente em “Everytime You Go”, que entrega letras melancólicas sobre a ansiedade – usando uma inesperada batida de reggaeton e linhas de teclado. Mesmo “Old Dog”, que apresenta o único refrão vocal não-lírico do álbum, possui um ambiente meticulosamente em camadas e uma atmosfera genuinamente divertida. A estréia vocal do Caleb Nott em “Too Proud” soa tão natural que leva um momento para registrar que ele está inovando. Sua produção moderna de hip-hop também elimina qualquer noção de dependência nostálgica – afirmando a estética da banda na criação de músicas que eles querem ouvir da maneira que acharem melhor. A última faixa, “Life After”, coloca o álbum em uma aura estonteante de notas de piano em espiral. A produção turva quase soa como se estivesse sendo tocada em um toca-discos quebrado, em contraste com a batida apertada. Nesta faixa, eles encontraram novas texturas, cores e formas de transmitir seus instintos mais sombrios. Ambos os membros empurram sua fórmula pré-estabelecida para um território continuamente excitante. Se o som deles é inteiramente original ou não, torna-se irrelevante, pois cada música continua atingindo o ouvinte em um ângulo emocionante.

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    SCORE - 62%
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Favorite Tracks:

“Peach” / “Falling Apart” / “Dust”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.