Review: Bebe Rexha – Expectations (2018)

Enquanto “Expectations” poderia se beneficiar de uma tracklist mais curta, é uma reintrodução cativante de uma artista muitas vezes subestimada.

Em 22 de junho, Bebe Rexha lançou seu tão esperado álbum de estreia. Intitulado “Expectations”, o registro é composto de quatorze faixas, todas co-escritas por ela. Nós tivemos nosso primeiro gostinho do álbum quando ela lançou “Meant to Be” com participação do duo Florida Georgia Line. A canção vendeu mais de 1,1 milhão de cópias nos Estados Unidos, atingiu o segundo lugar da Billboard Hot 100 e tornou-se o single mais bem-sucedido da Bebe Rexha. A cantora de 29 anos foi destaque em algumas faixas ao longo dos anos e co-escreveu muitas delas. Para quem não sabe, ela escreveu o hit “The Monster” interpretado pelo Eminem e a Rihanna, assim como faixas do David Guetta, Martin Garrix e G-Eazy. Compositores profissionais que encontram o sucesso escrevendo para outros artistas têm um histórico duvidoso quando se trata de gravar seus próprios álbuns. Em grande parte desconhecido do público, esses artistas qualificados são a espinha dorsal de uma indústria construída por grandes gravadoras. Desde 2009, Rexha é autora de canções de sucesso de Iggy Azalea, Nick Jonas e Selena Gomez, além da citada “The Monster”. Ao longo do caminho, ela foi cuidadosa em estabelecer sua própria visão artística através de colaborações com David Guetta, G-Eazy e Martin Garrix. Eu tive a oportunidade de vê-la ao vivo esse ano quando ela abriu o show da Katy Perry em São Paulo. Reconhecidamente, a voz da Bebe Rexha não é tecnicamente excelente da maneira geralmente atribuída a artistas como Ariana Grande. 

Mas seu álbum de estreia está cheio de atitude e motivação, porque ela faz o melhor uso do que tem. Sua atenção aos detalhes, ao casar sua voz com melodias e instrumentais cativantes, torna este álbum uma delícia. Enquanto sua composição é cativante, a produção reflete nas sensibilidades atuais das rádios e charts mundo à fora. “Expectations” está repleto de faixas pop e possui o som do agora. Liricamente, o disco faz uma mistura de angústia, tristeza, luxúria, solidão, amor e autoconsciência. Acima de tudo, é um álbum bastante cru e honesto. Para uma cantora em ascensão como ela, podemos classificar este registro como um bom começo. Enquanto não é perfeito, há momentos positivos. Rexha não retém nada e dá ao público uma ampla variedade de opções sobre para onde sua carreira pode ir. As combinações de sons, estilos e ideias são indicadores de que, enquanto estiver fazendo música, ela estará se divertindo e entretendo o público. “Ferrari” começa com um riff de guitarra que define o tom do repertório. Nesta canção, ela declara como a vida pode andar em um ritmo muito rápido – nós, como pessoas, muitas vezes falhamos ao perceber isso. Ela inclui referências a pontos como a Mulholland Drive, localizada na Califórnia – uma das estradas mais movimentadas dos Estados Unidos. Ademais, ela usa a Ferrari – fabricante italiana de carros de luxo – como metáfora. Bebe Rexha mostra equilíbrio no primeiro verso enquanto seu tom distinto brilha. Inicialmente, os sons de guitarra configuram o poderoso refrão a ser seguido.

Além de sua performance dominante, o cenário do refrão é dinâmico e caracterizado pela influência de rock. Os vocais confiantes misturam-se brilhantemente com as harmonias de fundo, ao passo que ela usa a metáfora para expressar as oportunidades perdidas de uma vida rápida demais. O segundo verso segue com um tom febril, porém, é mais desenvolvido em comparação com o primeiro. Rexha se solta um pouco mais, enquanto percussivamente uma batida urbana se junta à mistura. Embora a metáfora e o sentimento não abram novos caminhos, sua entrega vocal, ambientação e qualidade da escrita trazem um frescor para o registro. Lançada como single, “I’m a Mess” é certamente a faixa mais cativante que você vai encontrar por aqui. Bebe Rexha canta sobre suas falhas em um relacionamento e mostra interesse por si mesma em termos de autoestima. Uma faixa pop e R&B que também celebra suas imperfeições e inseguranças. Esta busca por aperfeiçoamento é preenchida por refrões melódicos, letras auto-reflexivas e um ótimo acompanhamento de guitarra elétrica. Notavelmente, há alguns truques no refrão, como por exemplo a interpolação com “Bitch” da cantora Meredith Brooks. Rexha oferece um desempenho vocal sólido e abraça seu tom mais espesso. Lançado como single promocional em abril, “2 Souls on Fire” é uma balada de amor que se mantém otimista. Ao lado do Quavo, Rexha expressa seus desejos e amor por seu parceiro. O rapper abraça um tom auto-tunado e canta em vez de fazer rap. De acordo com a própria Bebe, “Shining Star” é sua música favorita.

Uma canção que se concentra em descrever quão profundo é o amor de um homem por sua mulher, mesmo que ela seja uma bagunça. Parece ser uma resposta à “I’m a Mess”, mas do ponto de vista do homem. Inicialmente, “Shinning Star” começa com um interlúdio de guitarra com algum toque espanhol. Sobre as cordas latinas, Rexha canta letras como: “Sim, ele se apaixonou por ela com seus sonhos retorcidos / E com tudo isso, ele ainda cantava / Baby, você é uma estrela brilhante / Eu gosto de você do jeito que você é”. O sentimento espanhol embutido nas camadas da música adiciona uma textura muito sensual. “Knees” é uma balada pop que implora ao outro para deixá-lo ir, pois não há mais significado para o relacionamento continuar. Cordas acústicas e estalos de dedos definem o cenário para essa canção. “Se eu não sou tudo que você precisa, apenas me liberte / Eu estou de joelhos”, ela implora. “I Got You” apareceu originalmente no EP “All Your Fault: Pt. 1” (2017) e acabou tornando-se um dos hits da Bebe Rexha. Ela afirmou que essa música é sobre “derrubar as paredes” e “encontrar alguém que valha a pena”. Os efeitos eletrônicos aumentam a força da batida a fim de criar um dance-pop imensamente cativante. No segundo verso, enquanto há um pouco mais de energia, ela traz o som para baixo apenas para reconstruí-lo. As letras são previsíveis, mas muito contagiosas. “I Got You” é provavelmente a música chave da Bebe Rexha. “Self Control”, por sua vez, incorpora algumas sugestões de pop e reggaeton, enquanto exibe seu ecletismo e inquietude estilística.

Os brilhantes instrumentos de metais e o sintetizador acentuam o fraseado rítmico de sua voz, enquanto ela diz que não tem controle sobre o seu amante. “Sad”, por outro lado, é ​​uma faixa que serve como uma batalha contra a depressão. “Você já se sentou em silêncio sozinha? / Afogado por seus pensamentos?”, ela pergunta na linha de abertura. É uma canção com sentimentos fincados na melancolia e solidão. Mas apesar das letras tristes, o ritmo é muito elegante e otimista. Ao longo dessa produção ilusoriamente edificante – completa com sintetizadores auriculares e uma batida progressiva – ela encontra a paz na tristeza. Produzida por Hit-Boy, “Mine” entra no território urbano com sua produção de inspiração trap, ao passo que “Steady” é uma balada quimicamente induzida por Tory Lanez. Esta faixa se beneficia de sua bela melodia, progressão harmônica e vocais expressivos. Em “Don’t Get Any Closer”, Rexha revela seus medos internos: “Estou com medo de que você encontre / Todas as coisas que eu escondi de você”. Cantando de uma maneira emotiva, ela confessa ter medo que seu namorado descubra o seu verdadeiro eu e não goste dela por quem realmente é. A balada de piano “Grace” é um sincero tributo a um “cara muito bom” que não era certo para Rexha – uma faixa que dá voz ao velho ditado “não é você, sou eu”. Sua voz toma o centro do palco, onde uma combinação simples de piano e violino junta-se às letras melancólicas para transmitir tristeza e dor.

Não se deixe enganar pelo título de “Pillow”, uma música que começa de forma sutil sobre teclas de piano e, posteriormente, apresenta um ritmo acelerado sobre batidas eletrônicas. Ela está sentindo falta do namorado e finalmente afirma: “Eu vou ficar bem, apenas mais uma noite / Eu vou ficar bem, segurando meu travesseiro fingindo que é você”. No hit do álbum, “Meant to Be”, ela se junta com o Florida Georgia Line a fim de mostrar sua versatilidade. Este single fecha o registro com uma nota reconhecidamente estranha, pois é uma colaboração muito antiquada. Pode ser seu maior sucesso até agora, mas “Meant to Be” parece completamente fora do lugar. Conduzida principalmente pelo piano e estalar de dedos, é uma faixa midtempo de country-pop com um desempenho minguante e ingênuo do Florida Georgia Line. Ao longo do tempo de execução de 44 minutos, o “Expectations” está recheado de refrões melódicos e batidas dançantes, enquanto Bebe Rexha desempenha um papel de popstar à beira de explodir. É invejável que um álbum de estreia não siga a mesma fórmula e, por isso, ela está se estabelecendo como uma possível hitmaker. Há acertos e erros, mas não deixa de ser uma coleção inesperadamente coesa. Ela está no seu melhor quando tem permissão para mostrar suas proezas vocais, assim como a profundidade de suas composições. Não estou dizendo que o “Expectations” é surpreendente ou uma masterpiece, mas através dele, Bebe Rexha afiou seu lugar no mundo pop.

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Favorite Tracks:

“I’m a Mess” / “I Got You” / “Self Control”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.