Review: Backstreet Boys – DNA (2019)

O novo álbum do Backstreet Boys, “DNA”, prova definitivamente que eles são tudo, menos a nostalgia que o público espera que eles sejam.

Backstreet Boys está de volta, com AJ McLean, Howie Dorough, Nick Carter, Kevin Richardson e Brian Littrell mais uma vez se recusando a deixar a idade atrasá-los. Em um mundo onde as reviravoltas são interessantes e as boybands estão desaparecidas, era apropriado que a melhor de todas tivesse retornado. O que eu amo nos Backstreet Boys é que eles nunca mudam – sempre continuarão oferecendo momentos pop extravagantes e, embora seu som tenha se tornado um pouco mais moderno ao longo dos anos – suas raízes ainda estão intactas. Em seu primeiro álbum de estúdio desde 2013, o grupo prova ser a mais chamativa e também a mais experimental. Apresentando uma versatilidade adepta, facilidade naturalística e a destreza habilidade de montar a linha fina entre o atômico e o açucarado, “DNA” encontra o Backstreet Boys lançando sua música mais inspirada em quase duas décadas. Quem teria pensado que em 2019 eles estariam firmes e fortes? Identificando as tendências contínuas do pop, o “DNA” pretende adicionar um toque de modernização ao som firmemente estabelecido pelos rapazes, com faixas escritas e produzidas por vozes contemporâneas como Shawn Mendes, Andy Grammer e Ryan Tedder. O álbum é uma vitrine brilhante do estilo da boyband que encantou milhões de jovens na década de 90. Do alegre escapismo de “Don’t Go Breaking My Heart” e da ecoante balada “Nobody Else”, para a despojada batida de “Chances” e do breve prazer culpado de “Chateau”, há várias momentos onde você esquece que está ouvindo um grupo com mais de 25 anos de carreira.

Eles conseguiram esticar a energia revitalizada de seus dias de galã em uma carreira sustentável – o que não é pouca coisa. O citado primeiro single – indicado ao Grammy – é impulsionado por uma onda de sintetizadores que se entrelaça perfeitamente com um simples arranjo de piano. A música cresce gradualmente e adiciona sintetizadores maiores, conforme eles cantam um refrão cheio de ritmo: “Querida, não vá partir meu coração, partir meu coração / Porque é o único que eu tenho”. É brega, mas igualmente divertida e cativante. Há muitos produtores no interior deste álbum – e cada um traz seu próprio estilo para a atmosfera, resultando em uma mistura eclética que cruza os limites da música pop. Logo no início, depois de já termos nos embalado com as vibrações dance-pop de “Don’t Go Breaking My Heart”, sua energia dá lugar à “Breathe”, uma canção acapela assombrosa que fornece harmonias quase perfeitas. Com “New Love”, eles experimentam uma colagem de sons vibrantes e contrastantes. Afastando-se ainda mais das expectativas do ouvinte, o descontraído violão à beira-mar de faixas como “No Place” e “Just Like You Like It” soa perigosamente próximo do country pop. A mistura não deveria funcionar, e poderia ser um pouco chocante, mas o produto final é um ensopado que tem um pouco de tudo. Mas inevitavelmente, “DNA” também possui seus erros.

A enjoativa “Passionate” parece ter sido escrita com o propósito expresso de ser usada no fundo de um comercial de refrigerante, enquanto “Is It Just Me” é nada mais do que uma faixa pesadamente auto-sintonizada. No entanto, esse registro é verdadeiramente capaz de brilhar quando o grupo reconhece sua idade. Há certas jornadas líricas que só podem ser alcançadas através de décadas de experiência, tais como as letras de “The Way It Was” – um testamento balístico para o papel inconstante do desejo – e de “OK”, uma declaração espástica sobre um amor duradouro. “Você beija um pouco diferente agora / Você mudou seu cabelo, eu gosto agora / E baby, seu corpo ainda sente o mesmo / E logo estarei deitado no chão, pegando os pedaços / Bebendo, fingindo que não preciso de você / Mas agora, eu estou te segurando como se nada tivesse mudado”, eles cantam no primeiro verso de “The Way It Was”. Os rapazes ainda estão na ativa e continuam presenteando o público com as lições que aprenderam ao longo do caminho. “DNA” é uma tese encantadora e surpreendentemente rica, com um certo nível de experimentação e jovialidade. Um álbum que pode se sentir desarticulado às vezes e nem todas as faixas são frutíferas, mas exibe um Backstreet Boys despojado que apoia-se totalmente em seu desejo de explorar novas águas e expandir seu som. Além disso, o registro prova definitivamente que eles são tudo, menos a nostalgia que o público espera que eles sejam.

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    SCORE - 67%
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Favorite Tracks:

“Breathe” / “No Place” / “Chateau”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.