Review: AWOLNATION – Here Come the Runts (2018)

A variedade de gêneros do “Here Come the Runts” impressiona, mas nem sempre de uma maneira boa. Felizmente, AWOLNATION sabe como combinar melodia e harmonia com poderosas distorções.

Provavelmente, você conhece a banda AWOLNATION por causa do hit “Sail”, single que fez muito sucesso em 2013. Dando continuidade ao seu disco de estreia, certificado como platina pela RIAA, AWOLNATION lançou o seu segundo álbum em 2015. Aaron Bruno liderou a produção, escrita e gravação, e forneceu sensações mais rústicas com elementos de country e blues. Posteriormente, o vocalista passou o ano de 2016 produzindo o novo álbum da banda em seu estúdio caseiro, situado em Los Angeles, Califórnia. “Here Come the Runts” é marcado por um profundo mergulho no indie rock moderno. Este registro é basicamente dividido entre baladas e músicas de rock contagiantes, ambas partes apresentadas com igual atenção aos detalhes. Através de uma mistura nebulosa de acordes de guitarra distorcidos, riffs galopantes, arranjos limpos e sintetizadores crus, Aaron Bruno, Isaac Carpenter, Zach Irons, Daniel Saslow e Michael Goldman nos apresentam quatorze faixas. Nos mesmos moldes do LCD Soundsystem, mas não com a mesma consistência e eficiência, AWOLNATION também nos mostra uma cuidadosa combinação de rock e música eletrônica. Algo parecido com o que eles fizeram em “Sail”, o seu maior sucesso até então. A faixa de abertura, “Here Come the Runts”, é muito bem concebida e faz exatamente isso.

Logo de cara, alguns sintetizadores e adequados vocais direcionam tudo para frente. Mas é uma canção experimental com mudanças de ritmo, batidas repentinas e guitarras dimensionais. O primeiro single, “Passion”, possui muitas guitarras nos ganchos, à medida que os versos são conduzidos por uma simples percussão e melodia vocal. “Sound Witness System” é mais focada em encontros românticos do que o entusiasmo pela vida. Considerando a cadência vocal e o tom do Aaron Bruno, parece que ele está tentando fazer rap. Mas não dá para negar que é uma música estranha com certas influências de hip-hop. “Miracle Man”, o terceiro single do álbum, é provavelmente um dos destaques. Quando Bruno repete o título em grande velocidade, a música fica mais frenética e divertida. Com uma breve influência de surf rock dos anos 50, acordes distorcidos e interessantes licks de guitarra, “Miracle Man” consegue mostrar mais do talento criativo da banda. “Handyman”, por outro lado, é uma das faixas mais discretas, com guitarra acústica e letras confessionais. Como primeira balada do repertório, ela cumpre o seu papel. Embora os vocais não impressionem, os estrondosos tons de assinatura da banda estão presentes no refrão. “Jealous Buffoon” e “Tall, Tall Tale” chamam atenção por serem muito contagiantes e animadas.

“Jealous Buffoon” pega emprestada a estrutura simplista de “Passion”, enquanto é emparelhada com falsetes e uma sensação nostálgica que lembra os anos 80. “Tall, Tall Tale”, por sua vez, fornece riffs corajosos inspirados pelo blues rock e alguns dos melhores vocais do Aaron Bruno. Em “Seven Sticks of Dynamite”, sua voz também atinge novas alturas. Um número emocionante emparelhado com falsetes e instrumentação esparsa. “Table for One” parece tentar seguir pela mesma rota de “Handyman”, com cordas, tambores e foco nos vocais. No entanto, possui um refrão confuso e estridente onde a voz do Bruno não ficou bem tão colocada. Felizmente, “My Molasses”, compensa esta pequena deficiência de forma eficaz, pois é agradável e ligeiramente melódica. Depois da paisagem sombria e abordagem instrumental de “The Buffoon”, o álbum encerra com “Stop That Train”. Uma faixa com mais de 6 minutos de duração excessivamente ambiciosa. Aqui há espaços para mudanças mais complexas de ritmo e estilo – com linha de baixo, rugidos de guitarras, tons de orquestra e potente percussão. “Here Come the Runts” fornece um passeio selvagem durante 45 minutos que, mesmo sendo muito irregular em determinados momentos, encerra de forma satisfatória. É uma boa oferta musical, constantemente sustentada pela paixão das letras de Aaron Bruno. Um disco vibrante e poderoso que evoca nostalgia e lembranças, enquanto explora uma variedade de temas líricos.

  • 65%
    SCORE - 65%
65%

Favorite Tracks:

“Miracle Man” / “Handyman” / “Jealous Buffoon”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.