Review: Ariana Grande – thank u, next (2019)

Lançado cinco meses após o “Sweetener” (2018), suas canções parecem mais leves, livres e divertidas, carregadas sem esforço por sua brilhante voz.

Há menos de seis meses, Ariana Grande lançou seu melhor e mais coeso álbum até hoje. Consequentemente, ela também ganhou um Grammy por seus esforços. Seu crescimento como artista está atualmente colocando-a no topo das principais paradas do mundo. Embora ela não seja estranha ao drama, sua arte ultimamente tem sido nada menos do que autêntica. Seu quinto álbum de estúdio, “thank u, next”, adiciona ainda mais transparência e maturidade ao seu catálogo. Apesar do tempo mínimo entre os álbuns, Grande encontrou uma maneira de manter as coisas refrescantes. Enquanto “Dangerous Woman” (2016) dependia de pesados ​​riffs de guitarra e o “Sweetener” (2018) fazia uso de batidas experimentais – o aspecto de destaque do “thank you next” é a onda sombria tecida por toda parte. É difícil dizer se é o seu melhor álbum, mas é de longe o mais consistente e honesto. Não há presença de outros convidados, apenas histórias amorosas e relacionamentos perdidos, onde seu alcance vocal brilha por conta própria. Aqui, ela expõe suas inseguranças e as pressões que surgem ao ser uma figura pública. No processo de lidar com assuntos pessoais, ela criou um registro que lhe permitiu retomar sua narrativa. Também é encorajador ver uma mulher que defende suas próprias escolhas criativas em um setor que frequentemente as pune nos bastidores. “thank u, next” mostra como determinados eventos da vida podem fazer com que uma pessoa tenha uma nova abordagem.

Múltiplos aspectos de sua vida contribuíram para esse som – como o fim do noivado com Pete Davidson, o falecimento do seu ex-namorado Mac Miller e o bombardeio no show de Manchester. Através de sua voz sensual, Grande criou um mundo perfeito para si e seu namorado em “imagine”. Uma faixa midtempo de R&B com influências de hip-hop e soul. A elegante produção urbana e contemporânea comanda a vibe da música. Mais uma vez, Grande carrega algumas semelhanças com Mariah Carey – fornecendo notas altas e alguns whistles. O conteúdo lírico pinta uma imagem de intimidade com o seu pretendente, mas a conexão entre eles não é apenas física. Ela está ansiando por mais do que apenas uma noite apaixonada de prazer. A breve “needy” é incrivelmente bem produzida e caracterizada por uma inescapável exuberância criada pelo loop de teclado e batida minimalista. Como de costume, Ariana Grande canta incrivelmente bem e faz a melodia soar melhor do que o esperado. É facilmente uma das faixas mais despojadas do álbum. Liricamente, fala sobre admitir ser carente em um relacionamento de forma honesta e auto-reflexiva. A melodia pisa em um território melancólico, enquanto a produção é simples e elegante. Em seguida, “NASA” pega o ritmo, assim como a intensidade rítmica da batida. Ela abraça um som contemporâneo infundido pelo hip-hop, enquanto o repetitivo refrão é contagiante até o enésimo grau. Dessa vez, as letras exigem distância de uma pessoa sufocante e consequentemente presta uma ode ao autocuidado.

Ela usa o espaço como uma metáfora ao longo das letras e do refrão unidimensional. Produzida por Max Martin, “bloodline” incorpora um toque tropical, trombetas no refrão e elementos de reggae. A versatilidade da Ariana Grande continua em exibição, permanecendo idiomática ao pop. Essa canção fornece vocais altos e equilibrados, e também apresenta uma produção de alto nível. Ela confiantemente canta sobre não querer um amor em sua linhagem: “Não quero você na minha linhagem / Só quero me divertir / Não precisa se desculpar / Mas você vai ter que se desapegar dessa merda”. A atraente “fake smile” possui amostras de um clássico do soul interpretado por Wendy Rene. Nesta faixa, Grande aborda os tempos difíceis que ela teve que passar nos últimos anos e as coisas horríveis que as pessoas falaram sobre ela. Ela parou de fingir que está bem na frente das câmeras e não quer mais mostrar um falso sorriso. O tema não é novo, mas é definitivamente mais maduro, confiante e vulnerável. Seus vocais destacam-se especialmente no refrão, enquanto um simples “fuck a fake smile” é o ponto chave. Apesar de longa, “bad idea” é tão consistente e atraente quanto tudo o que a precede e segue. É definitivamente uma das ofertas mais interessantes do repertório. O refrão é completamente irresistível e a produção oscila sob um ritmo acelerado. E quando você acha que a música chegou ao fim, aparecem cordas de violoncelo para nos dar um outro final. Inicialmente, ela começa com um elegante riff de guitarra que é seguido por uma sequência de batidas de hip-hop.

Em “bad idea”, ela luta contra o desejo de encontrar alguém novo quando você ainda está se recuperando: “Eu tenho uma má ideia, sim / Vou chamá-lo aqui para aliviar a dor”. “make up” dificilmente será a música favorita de alguém – especialmente porque parece se desviar um pouco do conceito proposto pelo álbum. Uma canção curta e enganosamente doce onde ela quer brigar com seu parceiro apenas para que possam fazer as pazes mais tarde. “Eu gosto de foder com você só pra fazer as pazes com você / Porque o jeito que você está gritando meu nome / Me faz querer fazer amor com você”, ela canta nas primeiras linhas. Em vez de ser meramente sugestiva, Grande brinca com a palavra “maquiagem” insinuando que vai estragá-la durante o sexo. O álbum desacelera com “ghostin” – a música mais sombria e possivelmente mais profunda em termos de assunto. “Eu sei que parte seu coração quando eu choro de novo / Por causa dele / Eu sei que parte seu coração quando eu choro de novo / Ao invés de deixá-lo ir”, ela exclama. Essa canção é o retrato de uma mulher triste por causa de uma perda, mas esperançosa por um futuro melhor. Além de ser uma balada assombrosa, “ghostin” é o centro emocional do álbum. Em suma, com letras que aparentemente aludem ao Mac Miller, Grande lamenta que tenha que partir o coração de alguém porque está de luto por outro amor. “in my head” abre com um memorando de sua amiga Doug Middlebrook, que afirma que ela não consegue ajudar outras pessoas, apenas a si mesma.

Essa música é sobre construir a imagem de uma pessoa em sua cabeça e se apaixonar por uma versão dela que não é realista. No entanto, é uma música anormalmente chata que não se destaca em termos de produção ou melodia. Em uma nota mais materialista do que de costume, Grande repete a frase “eu quero, eu tenho, eu quero, eu compro” continuamente ao longo de “7 rings” – aludindo ao dinheiro que ela ganhou e sua habilidade de conseguir o que quer. Uma canção diferente do restante do seu catálogo, especialmente por ela flexionar na maior parte do tempo. É facilmente uma de suas faixas com maior influência de hip-hop, e o resultado é incrivelmente cativante. A música pega uma série de elementos de pop-trap, além de um fluxo inspirado nos rappers de Atlanta e batidas conduzidas por chimbais. É confiante, perigosamente divertida, delirantemente intoxicante e um enorme salto para uma artista como ela. A produção temperamental, escura e enigmática pegou emprestado a melodia de “My Favorite Things” do The Sound of Music. É um capítulo que vai desde o auto-empoderamento até o fortalecimento que suas amigas lhe dão em momentos mais sombrios. Tem uma pesada influência de trap que lhe deu uma sensação “flexível” e rendeu comparações com “Mine” (Princess Nokia), “Spend It” (2 Chainz) e “Pretty Boy Swag” (Soulja Boy). Uma música sobre elevar as pessoas ao seu redor e celebrar a vida. Um hino feminino e empoderador no qual Grande faz questão de salientar que os relacionamentos não são a única coisa que faz uma garota feliz.

Na ponte, ela reforça que é rica e não há nada que a impeça de comprar o que quer. O fluxo de rap apenas reforça a confiança em si mesma. A música é principalmente sobre independência financeira, enquanto ela apresenta uma postura muito mais maliciosa. Ao longo da batida gelada e ameaçadora, o refrão é instantaneamente viciante e eficaz. A faixa-título, por sua vez, trata-se de uma homenagem brincalhona aos seus ex-namorados, incluindo Big Sean, Mac Miller, Pete Davidson e Ricky Alvarez. Uma prova de que ela está feliz e quer seguir em frente. “Eu pensei que ficaria com o Sean / Mas não éramos compatíveis / Escrevi algumas músicas sobre Ricky / Agora eu as escuto e rio / Até quase me casei / E, por Pete, sou muito grata / Gostaria de poder agradecer ao Malcolm / Porque ele era um anjo”, ela canta no primeiro verso. Honestamente, a linha dedicada ao Mac Miller é de partir o coração. Depois de agradecer pelo o que cada um te ensinou, ela proclama no refrão: “Obrigado, próximo / Eu sou tão grata pelo meu ex”. Ela agita o roteiro no segundo pré-refrão, focando em sua própria excelência, enquanto na ponte antecipa o casamento: “Um dia eu vou andar pelo corredor da igreja / De mãos dadas com minha mãe / Só quero fazer isso uma vez, pra valer / Vou fazer essa merda durar”. “thank u, next” detalha as lições que ela aprendeu e os erros que cometeu em seus relacionamentos. Liricamente tem um sentimento realmente poderoso – onde ela quer assumir o controle de sua própria narrativa.

De forma leve e cativante, vemos Ariana Grande promovendo o amor-próprio, que deve ser conquistado depois de aceitar a dor e superar as mágoas. A princípio, o título pode soar um pouco ríspido, como se ela não se importasse com seus ex-namorados. No entanto, depois de ouvir a música, fica claro que esse não é o caso. No refrão, ela diz que é grata por seus ex, mesmo depois que eles lhe causaram dor. Além das letras sinceras e vocais incríveis, a produção é polida e a melodia imensamente contagiante. O instrumental é consistente e a batida permanece agradável durante toda a sua execução. Indo para uma direção mais suave e sensual com seus vocais, o seu charme brilha ainda mais. Inicialmente, “thank u, next” começa com uma simples melodia de teclado, depois fornece uma batida cintilante assim que ela começa a cantar. Enquanto Grande se move para o verso, mais camadas de batidas são adicionadas suavemente na mixagem. Uma música doce e arejada com uma leve produção eletrônica, que combinou elementos de R&B contemporâneo com synth-pop. A última faixa, “break up with your girlfriend, i’m bored”, possui interpolações de “It Makes Me Ill” do grupo *NSYNC. O videoclipe, dirigido por Hannah Lux Davis, apresenta o ator de “Riverdale” Charles Melton e a modelo européia Ariel Yasmine. Ariana Grande é vista perseguindo e cobiçando um pretendente que está romanticamente envolvido com outra mulher. “break up with your girlfriend, i’m bored” é exatamente o que o título promete: uma afirmação arrogante de desejo.

“Olhei pro seu rosto uma única vez / Agora eu quero saber qual é seu sabor”, ela canta no primeiro verso. Uma canção que faz um misto de diferentes sentimentos, incluindo tristeza, luxúria e auto-aversão. Então, quando Grande diz: “Sei que não está certo, mas não me importo”, ela parece focada em velhos hábitos ruins. Ela surge com uma atitude lírica desconcertante e um excesso de segurança, enquanto apresenta um hino sobre infidelidade. Embora moralmente questionável, “break up with your girlfriend, i’m bored” é uma canção muito infecciosa. Ela transborda confiança, ao passo que Grande indiferentemente persuade um homem a deixar sua namorada por ela. “Termine com sua namorada / Sim, sim, porque estou entediada”, ela canta no refrão. “break up with your girlfriend, i’m bored” é uma música pop e R&B com batidas de influência trap, que pinta Ariana Grande como uma garota má que tenta roubar o namorado de outra pessoa. Ela depende de um vocal debilitado e igualmente sedutor sobre graves e efeitos pesados. Uma música auto-indulgente e controversa, mas tão viciante quanto. No geral, “thank u, next” é uma versão mais escura do “Sweetener” (2018). Embora tenha passado apenas seis meses, parece uma evolução para ela em termos de conteúdo, som e maturidade – um trabalho perfeitamente coeso. Ariana Grande superou a si mesma, particularmente considerando o breve intervalo entre os dois álbuns. Vocalmente, ela permanece no ponto, enquanto o registro é bastante cativante e completamente viciante.

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Favorite Tracks:

“bad idea” / “7 rings” / “thank u, next”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.