Review: 5 Seconds of Summer – Youngblood (2018)

O terceiro álbum da banda 5 Seconds of Summer surpreende pelo novo som proposto. O quarteto australiano saiu da zona de conforto, reestruturou sua música e amadureceu.

5Seconds of Summer alcançou a fama no início de 2013 ao participar da turnê do One Direction. Sua música explodiu após o lançamento do álbum auto-intitulado que alcançou o primeiro lugar na Austrália e Estados Unidos. Depois que terminaram a Sounds Live Feels Live World Tour, o quarteto decidiu redefinir seu som e redescobrir seu foco musical. Em busca de novas inspirações, Luke Hemmings, Calum Hood, Ashton Irwin e Michael Clifford foram para Los Angeles trabalhar ao lado de um conjunto eclético de produtores. A banda se ramificou e mergulhou em uma ampla gama de estilos, mas sempre mantendo seu espírito animado. Mas a banda certamente dividiu a opinião dos fãs quando lançou o primeiro single, “Want You Back”. O que ressurgiu foi um grupo tentando algo novo, inspirando-se numa variedade de eras e artistas – tais como Tears for Fears e The Police. O quarteto também passou extensos períodos em estúdio a fim de criar algo diferente do seu pop punk atrevido. Além do som, o que diferencia este álbum dos dois anteriores é o lirismo amadurecido. O resultado é uma 5 Seconds of Summer quase irreconhecível – um pouco mais rude e reservada, mas igualmente cativante. Cada música tem uma vibe própria, incluindo as diferentes experiências individuais que cada membro trouxe para o processo de escrita. As linhas de base do Calum Hood prosperam em faixas como “Youngblood”, enquanto a guitarra do Michael Clifford brilha em “Lie to Me” e “Talk Fast”.

Inesperadamente, as habilidades de canto do Ashton Irwin está no centro do palco na antiquada “Empty Wallets”. Por fim, Luke Hemmings torna-se a grande estrela do álbum. “Youngblood” prova que a 5 Seconds of Summer não tem medo de correr riscos. Um álbum coeso por si só, enfeitado pelo glitter da maravilhosa década de 80. A faixa-título explora um novo som com apoio de sintetizadores pulsantes, bateria eletrônica, baixo, guitarra e um poderoso refrão. Eles se distanciaram tanto de suas raízes pop punk que ficaram quase irreconhecíveis. É uma canção que inicia lentamente – com simples dedilhados de guitarra – antes de fornecer leves camadas de percussão e sintetizador. Quando a linha de baixo aparece no refrão, você começa a se acostumar com a nova direção sonora. A melodia uptempo e o baixo contundente também são bem sucedidos. É difícil você não se envolver com a batida altamente rítmica. Hemmings está conseguindo ter mais controle sobre sua voz, assim como parece mais cru e contido. Através das letras, ele analisa um relacionamento que chegou ao fim, apesar de não conseguir dizer adeus. Embora seja um tema romântico, você consegue notar a dor e frustração em torno da sua voz. “Diga que você me quer, diga que você me quer fora da sua vida / E eu sou apenas um homem morto rastejando hoje à noite”, ele canta no refrão matador. A sensação que a banda cria no pré-refrão constrói toda a força necessária para o refrão.

Na superfície, “Youngblood” parece uma canção leve e animada, mas à medida que você analisa o conteúdo com mais cuidado, percebe que as letras sugerem o contrário. Uma canção synth-pop energética produzida por Andrew Watt. Em suma, a produção é experimental, rítmica e bem pegajosa. Se comparado com “She’s Kinda Hot”, “Want You Back” possui um tom realmente diferente. Dessa vez, eles optaram por usar menos guitarras elétricas em favor de um estilo pop com piano, melodias sintetizadas e riffs mais leves. O refrão interpretado em falsete marca uma evolução e novo conceito para o grupo. A faixa é cantada inteiramente por Luke Hemmings que, aparentemente, está vocalmente mais maduro. Um número mais polido, fresco e radio-friendly, que os vê distanciando-se de suas raízes pop-punk. “Não importa quanto tempo você se foi, eu sempre vou querer você de volta / Eu sei que você sabe que nunca vou superar você”, Hemmings canta no refrão. Liricamente, ele relembra de uma ex-namorada e deseja vê-la novamente. Enquanto isso, a downtempo “Lie to Me” é uma reminiscência melancólica de amores do passado. Ela inclui linhas extremamente honestas, conforme o personagem vê sua ex-namorada com outro homem. Na primeira escuta, “Lie to Me” parece um pouco derivada, talvez porque lembra o pop do início dos anos 2000. Mas seu tom agridoce e a forma como os vocais foram distribuídos, fazem dela uma peça particularmente agradável.

Uma faixa curta caracterizada pela bateria eletrônica e arranjos de sintetizadores. Destaque para a linda e comovente melodia do refrão. Em seguida, “Valentine” apresenta uma introdução doo-wop e, posteriormente, muda para algo completamente diferente. O balanço sensual dos versos são cobertos por harmonias em camadas, brilhantes sintetizadores e moderna percussão. É a primeira faixa que contém vocais isolados de outros membros, incluindo o guitarrista Michael Clifford. Uma faixa experimental atada por órgãos apertados, sensual linha de baixo e natureza sombria que lembra o duo twenty one pilots. A produção é diferente de qualquer coisa que a 5 Seconds of Summer já lançou antes. “Talk Fast”, uma das minhas faixas favoritas, começa com uma guitarra contagiante infundida pelos anos 80. Inspirada pela banda The Police, mostra uma vasta gama de influências. A vibração oitentista acompanha letras que detalham um breve romance. “Fale rápido, romance / Não vai durar, eu estou bem com isso / Incendeie, quebre, romance”, eles cantam no viciante refrão. Os riffs de guitarra, a bateria eletrônica e os sintetizadores criam um efeito muito eficaz. Em outras palavras, “Talk Fast” é uma verdadeira joia escondida no álbum. Em seguida, “Moving Along” oferece um ritmo funky preenchido por poderosos acordes e grande volume de bateria. Calum Hood se pergunta no primeiro verso: “É estranho que eu esteja bêbado no meu sofá? / É estranho que eu esteja nu no meu sofá?”.

A premissa da música não é a suposta nudez do Hood, mas sim a melancolia causada pela solidão. O tom geral é alto, animado e formado principalmente pela bateria eletrônica e elementos acústicos. Essa mistura causa um grande contraste, mas a ranhura funky consegue equilibrar as coisas. “If Walls Could Talk” contém sugestões de disco e, inesperadamente, alguns elementos de R&B. Co-escrita por Julia Michaels, o aspecto lírico é otimista e possui uma certa carga de profundidade. Após os acordes da guitarra e o piano do pré-refrão, temos um refrão funky bastante energético. O acúmulo causado pelo pré-refrão prepara o terreno para vocais singa-long e os poderosos riffs de guitarra elétrica do refrão. A banda continua mantendo o bom ritmo com a suave “Better Man”, uma das faixas mais positivas do repertório. Ela começa com um melódico riff de guitarra, antes de mudar o rumo no pré-refrão. “Com seu amor, seu amor, eu sou um homem melhor, melhor”, eles cantam no delicioso refrão. Uma canção refrescante e equilibrada com alguns acenos para o reggae. É elevada principalmente pelo ritmo sincopado da guitarra, percussão e simples linha de baixo. Liricamente, 5SOS fala sobre se tornar uma pessoa melhor para aquele que você ama. Em seguida, os sons oitentistas retornam através dos sintetizadores de “More”, faixa intensa dominada por linhas melódicas e riffs distorcidos de guitarra. É uma das faixas mais pesadas e elegantes do registro, uma vez que combina o electropop com o espírito punk da banda.

Certamente, parece ter sido inspirada pela banda Fall Out Boy, tanto que os vocais estão cheios de angústia no refrão. Sobre a euforia eletrizante da instrumentação, o foco das letras permanece nos relacionamentos amorosos. A décima faixa, “Why Won’t You Love Me”, é uma jornada downtempo com batidas pulsantes e uma dose de falsetes. Luke Hemmings e Ashton Irwin co-escreveram as letras juntamente com Rivers Cuomo, o líder da banda Weezer. Embora o conteúdo lírico seja um pouco clichê, ela possui uma sensibilidade otimista e fornece um final eufórico. Enquanto isso, “Woke Up in Japan” traz um misto de sintetizadores e guitarras a fim de criar um pop rock genérico. Enquanto Hemmings narra a ausência do seu interesse amoroso, a música não possui nada distinto. Uma faixa ignorável que apenas retrata a solidão do vocalista. A penúltima faixa, “Empty Wallets”, abre com teclas de piano, antes que o baixo entre em ação. A bateria desperta algumas influências de hip-hop, mas é o refrão que traz de volta a energia dos álbuns anteriores. Enquanto o piano acompanha o pré-refrão, encontramos falsetes e sintetizadores de baixa frequência no refrão. A aridez da voz do Michael Clifford no refrão amplifica a essência punk desta faixa. A balada “Ghost of You” pode ser considerada uma reminiscência de “Amnesia”. Entretanto as letras demonstram que a 5 Seconds of Summer amadureceu suas composições. Essa canção reflete sobre um amor do passado com grande senso de maturidade.

A emoção é bastante pontiaguda e direta. O rescaldo de um relacionamento é composto por 3 minutos muito bem trabalhados. Um riff de guitarra abre a canção e emite algumas sensações de emo e pop punk, enquanto o restante parece uma valsa melancólica. A nostalgia exalada pelos vocais é intercalada com letras como: “Somos tão jovens, tão burros pra saber de coisas como o amor”. Embora seja um final sombrio para um álbum tão energético quanto esse, “Ghost of You” é uma das faixas mais autênticas e significativas. A versão deluxe ainda possui mais três músicas. “Babylon”, em particular, é ardente e faz uma mistura de diferentes gêneros. Centrada em torno das consequências destrutivas de um namoro, ela é conduzida principalmente pela guitarra. A influência do Fall Out Boy e Good Charlotte são nítidas, ao passo que os vocais estão incrivelmente fortes. “Youngblood” é um álbum que exagera em temas como o amor, mas longe de parecer forçado. A banda aproveitou o hiato de três anos para amadurecer e reestruturar seu som. Enquanto há músicas que não me convenceram totalmente, é um grande passo para frente. Um registro que mostra claramente a mudança de estilo, qualidade e som. O quarteto se reconstruiu e voltou mais forte do que nunca. Eles saíram da zona de conforto, correram riscos e criaram um álbum extremamente ousado. Afastando-se do pop punk, a 5 Seconds of Summer pavimentou um novo caminho para o futuro.

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Favorite Tracks:

“Want You Back” / “Valentine” / “Talk Fast”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.