Review: Troye Sivan – Blue Neighbourhood (2015)

É impressionante ouvir alguém tão jovem e confiante à beira da grandeza. É realmente difícil encontrar falhas no “Blue Neighborhood”.

Aera digital tem pavimentado o caminho para muitos artistas mundo à fora, e o jovem Troye Sivan é um deles. Além de cantor, compositor e ator, ele também é um YouTuber de grande alcance, tanto que seu canal possui 4 milhões de inscritos. Mas ele não é um YouTuber que teve sorte na música, pelo contrário, é um cantor e compositor astuto que leva a música muito a sério. Depois de nos cativar com os EPs “TRXYE” (2014) e “WILD” (2015), Sivan compartilhou o seu primeiro álbum completo. “Blue Neighbourhood” foi precedido por uma série de vídeos que ajudou a desenvolver o conceito de suas músicas. Os vídeos concentravam-se nas dificuldades de um relacionamento homossexual durante a juventude e como foi para Troye Sivan lidar com a homofobia durante a adolescência. No “Blue Neighbourhood”, há um pouco de tristeza e sabedoria – um trabalho que consegue demonstrar o real talento por trás do Troye Sivan. Um material escuro e maravilhosamente atraente que aproveita a oportunidade para contar histórias e prova que ele sabe o que está fazendo. Liricamente, é maduro e possui temas como solidão, romance, amor e luxúria. Produzida por Alex Hope, “WILD” é uma canção proficiente de electropop e dream pop que fala sobre um amor proibido. “Deixe essa vizinhança triste / Nunca soube que amar poderia doer tanto / E isso me deixa selvagem”, ele canta no refrão. Esta linha é a melhor parte da música e praticamente define o conceito do álbum.

Inicialmente, ela abre em torno de um coral de crianças que serve para situá-la no período da vida que o lirismo retrata. Concomitantemente, temos uma percussão apaixonada, linhas melódicas e vocais captando perfeitamente a essência do amor proibido. “WILD” é extremamente cativante, confiante e uma música pop brilhante. Os primeiros versos da magnífica “FOOLS” são deslumbrantes, enquanto a produção é excepcionalmente melancólica. Ela possui uma dose de doçura e vulnerabilidade, enquanto equilibra perfeitamente sua voz com o grosso instrumental. Liricamente, ela pinta um amor não correspondido e fala sobre se apaixonar pela pessoa errada. No empolgante refrão ele retrata a si mesmo como um tolo: “Só os tolos se apaixonam por você, só os tolos”Inicialmente, “FOOLS” começa como uma balada de piano, mas rapidamente muda de direção com ajuda de sintetizadores. Ela se transforma em um verdadeiro hino eletrônico com direito a um final absurdamente explosivo. Em comparação com as faixas anteriores, “EASE” possui batidas mais rápidas – uma mistura perfeita de indie pop e electropop. Sua escrita é madura, vulnerável e se traduz como uma combinação lírica do Troye Sivan e Broods. As letras conflituosas concentram-se nas dificuldades de lidar com situações onde se está sozinho. Ela fala sobre as viagens onde ele precisa estar fora de casa e longe da família e dos amigos. “TALK ME DOWN” conta a história de um casal que terminou o relacionamento de forma negativa.

Embora o título pareça clichê, é uma canção totalmente coerente com o repertório. “Eu quero dormir ao seu lado / Mas isso é tudo que eu quero fazer agora”, ele canta no refrão. Essa linha encapsula um pouco da dor e medo que sentimentos por não termos uma companhia. Sivan canta honestamente sobre desejar uma afeição física do seu parceiro, enquanto exala sentimentos e emoções tangíveis. Musicalmente, “TALK ME DOWN” é uma balada que explora uma atmosfera mais lenta através de um ambiente desolador. Em perfeita harmonia com seu estilo distinto, ela emprega um arranjo de cordas cinematográficas. Tomando uma rota mais relaxada, “COOL” fala sobre momentos de sua adolescência. Pode não ser a canção mais forte do álbum, mas não deixa de ser atraente – especialmente pela guitarra arejada e clima tropical. Em “HEAVEN”, Troye Sivan e a também australiana Betty Who tentam explorar a luta da comunidade LGBT em relação à religião. “Sem perder um pedaço de mim / Como posso chegar ao céu?”, ele se pergunta, antes de revelar a resposta: “Então, se eu estou perdendo um pedaço de mim / Talvez eu não quero o céu”. Indo direto ao ponto, Sivan consegue expressar sua luta de forma muito madura. Ele fala abertamente sobre sua sexualidade e se pergunta se algum dia será verdadeiramente aceito por todos. Além disso, é um reflexo de como isso afeta sua vida após a morte, especificamente suas chances de ir para o céu. “HEAVEN” é um synth-pop bastante comovente, dolorosamente honesto e emocionalmente vulnerável.

Seus vocais estão incrivelmente suaves e muito bem apoiados pela harmonização da Betty Who. O instrumental de “YOUTH” é simplesmente incrível – suave na superfície, mas entrelaçado em suas camadas. Batidas de hip-hop e electropop formam o esqueleto dessa música. Suas camadas estouram através de coros vocais, batidas pesadas e amostras manipuladas. Uma verdadeira injeção de otimismo sônico! Um dos melhores momentos é quando a bateria cai contra o sintetizador no final do refrão. Enquanto isso, “LOST BOY” é totalmente tribal, adorável e alegre. Uma linda canção onde Troye Sivan fala sobre o medo de se comprometer com suas emoções: “Eu sou apenas um garoto perdido / Que não está pronto para ser encontrado”A introdução dramática no piano dá impressão que será totalmente distinta, mas a produção segue pela mesma direção das outras faixas. Com o título em letras minúsculas, “for him.” exala um diferencial antes mesmo de começar – uma colaboração com o rapper Allday. Sivan foge um pouco do seu habitual oceano de sintetizadores, em favor de um pop bubblegum com influências de R&B. Uma canção pegajosa e pessoal com descrições inteligentes sobre alguém do mesmo sexo – outra oferta destemida e demasiadamente honesta. Isso porque não tem nenhuma melodia sentimental, além de letras sólidas e batidas saltitantes. Seu único problema é o verso do Allday que parece um pouco fora do lugar quando isolado pelos vocais. A maravilhosa “SUBURBIA”, uma ode para a cidade de Perth, fecha o álbum da melhor maneira possível.

“Sim, há tanta história nessas ruas / A comida boa da mamãe / Oh Wonder em repetição / Tanta história na minha cabeça / As pessoas que eu deixei / As que eu mantive”, ele canta parecendo sentir saudades de sua infância. No refrão, ele se pergunta se as pessoas não o esqueceram e ouvem suas músicas no rádio. “SUBURBIA” é uma peça assombrosa que resume, sonoramente e tematicamente, todo o conceito do álbum. Seus arranjos orquestrais e os vocais angelicais contribuem para torná-la mais memorável. Uma joia brilhante com uma perfeita dose de nostalgia. No geral, fiquei muito satisfeito com o “Blue Neighbourhood”. Seus vocais definitivamente amadureceram desde que ele começou a cantar. Sivan conseguiu esculpir um som próprio e coeso, enquanto fornece um pop inspirado pela música eletrônica. Ele pode ter levado algum tempo para lançar seu álbum de estreia, mas a espera certamente valeu a pena. Sua música é madura e ao mesmo jovial, ao passo que ele não tem medo de usar pronomes masculinos e escrever sobre como o amor pode ser confuso, doloroso, apaixonante e inocente. Não é um ator e YouTuber que está tentando fazer música, mas sim um artista promissor ciente de sua força já reconhecida. “Blue Neighbourhood” é tudo que eu poderia esperar do seu trabalho de estreia – tem um conceito, momentos épicos, letras profundas e é fiel a si mesmo. Troye Sivan pode ter apenas 20 anos, mas sua capacidade de fazer música é incrível. É apenas o começo de sua carreira, portanto, será bom acompanhar sua jornada daqui pra frente.

  • 80%
    SCORE - 80%
80%

Favorite Tracks:

“WILD” / “FOOLS” / “YOUTH”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.