Review: Tove Lo – Lady Wood (2016)

Embora não haja tantos singles em potencial, Tove Lo manteve a consistência por toda parte – sua estrutura em duas partes aumenta a capacidade e experiência do álbum.

Oano de 2014 foi muito bom para Tove Lo, a estrela sueca ganhou atenção com “Habits (Stay High)” e passou a ser conhecida no mundo todo. Seu álbum de estreia, “Queen of the Clouds” (2014) foi lançado no mesmo ano e rendeu mais alguns hits para ela. Posteriormente, Lo gravou canções para a trilha sonora de “Jogos Vorazes” e “Divergente”, e colaborou com Coldplay, Flume e Nick Jonas. Em agosto, ela liberou “Cool Girl” – uma canção com sons mais eletrônicos – que precedeu o lançamento do seu segundo álbum, “Lady Wood”. Na primeira escura, as faixas não se destacam tanto uma das outras, uma vez que ele é tão coeso. Todas possuem uma paisagem sonora semelhante, enquanto o álbum é dividido em duas partes – “Fairy Dust” e “Fire Fades”. Portanto, “Lady Wood” é melhor consumido como um todo. Conforme você vai escutando, começa a perceber que Tove Lo conseguiu criar outra coleção cheias de refrões envolventes. O título é uma referência à excitação sexual feminina, por isso o conteúdo explora tal estilo de vida sexualmente liberal. Ela co-escreveu as doze faixas do repertório e colaborou com dois artistas convidados, Wiz Khalifa e Joe Janiak. Além disso, trabalhou com três compositores diferentes, Rickard Göransson, Joel Little e Ilya Salmanzadeh. “Lady Wood” é mal-humorado, polido com sintetizadores e repleto de tons escuros. Tove Lo não está reinventando a música pop, mas sua marca cheia de positividade feminina é refrescante e madura.

Naturalmente, sua música é bem produzida e, muitas vezes, soa como algo que a Robyn faria. Sonoramente, é mais sombrio e sonhador, proficientemente electro/synth/dance-pop, com batidas geladas e cortantes, sintetizadores sinistros e ganchos vocalmente conduzidos. Sua personalidade e o lirismo cheio de referências a sexo e drogas não são revolucionários, mas notáveis por sua falta de ingenuidade. Ela é conhecida por letras escuras, mas também canta clichês e jogos românticos. “Lady Wood” parece ser mais maduro e honesto do que o “Queen of the Clouds” (2014), além de conter vocais mais suaves e uma narrativa auto-consciente. Entretanto, musicalmente não é mais ousado do que o seu predecessor fortemente comercial. A introdução de 1 minuto, “Fairy Dust”, abre o repertório a fim de nos convidar para a escuta do álbum. Em seguida, “Influence”, com Wiz Khalifa, capta perfeitamente o seu espírito sonoro. É construída em torno de uma metáfora lírica bastante clichê, mas chama atenção por conta de outros elementos. Possui uma atmosfera obscura e esfumaçada, sons repetitivos, tamborins e tambores usados como base. Lentamente, outros elementos são adicionados na mistura a fim de dar um efeito nebuloso para si. A faixa-título tem um ritmo mais rápido e incorpora súbitas quedas vocais e batidas de tech house. É construída em torno de um gancho instrumental onde letras sexuais se destacam. “Sim, você me deixa excitada, você me deixa uma mocinha excitada”, ela confessa.

Lançada em novembro de 2016, “True Disaster” é uma verdadeira joia escondida dentro do álbum. Uma fatia de synth-pop inspirada nos anos 80 que lembra o som de assinatura da Robyn. Liricamente, Lo fala sobre a dor que vem junto com o amor destrutivo. “Vamos lá, eu sei que vou me machucar / Vamos lá, não dou a mínima / Continue brincando com o meu coração / Mais e mais / Você pode ser exatamente o que eu quero / Meu verdadeiro desastre”, ela canta no refrão excessivamente cativante. No primeiro single, “Cool Girl”, ela apresenta seu som de assinatura sem grandes esforços. Uma faixa electropop viciante co-escrita por Ludvig Söderberg e Jakob Jerlström. Liricamente, ela mostra interesse por um relacionamento aberto, pois “garotas legais” não colocam rótulos nos seus namoros. A última faixa do primeiro capítulo do álbum é “Vibes”, uma colaboração com Joe Janiak. Embora as letras sejam planas, há uma musicalidade real. O papel da guitarra acústica soa bastante surpreendente, além dos drops e refrão eletrônico. No capítulo “Fire Fade”, Tove Lo experimenta letras mais sérias e temas mais aguçados. “Don’t Talk About It” é um peça cativante sobre como temos a tendência de varrer todos os problemas para debaixo do tapete. Uma tentativa de mostrar como o ser humano tenta criar vidas perfeitas enquanto são apenas fachadas. Em seguida, “Imaginary Friend” fala sobre como a realidade, muitas vezes, é tão complicada e difícil. The Struts oferece um trabalho sólido no “Lady Wood”, mas principalmente em “Imaginary Friend”.

Sua composição é muito interessante, ao passo que o refrão – com vocais distorcidos – é bastante infeccioso. A inusitada “Keep It Simple” mantém o tema contínuo sobre relacionamentos complicados que aparece durante todo o álbum. Estranhos sons são adicionados à música, embora a transição para a estrutura de sintetizador funcione bem. Uma canção que gira em torno de um refrão estendido e repetido com mais frequência do que o habitual. “Flashes” é uma oferta sonoramente catchy e igualmente intrigante, mas perde sua marca ao fornecer letras desajeitadas. Uma canção que nunca atinge todo o seu potencial. Como compositora, Lo nunca foi a mais sutil – a julgar pelas descrições literais do seu comportamento em “Habits (Stay High)”. Isso também é evidente na maior parte do “Lady Wood”. Sua honestidade costuma funcionar perfeitamente, como na dramática e decidida “WTF Love Is”. Uma canção sobre o amor que, infelizmente, serve como um final fraco para o álbum. “Então que porra você acha que o amor é?”, Tove Lo pergunta. Mais uma vez, sua voz navega com facilidade e ela consegue criar outra melodia pop pegajosa. Porém, não possui os mesmos atrativos das melhores faixas do repertório. Tove Lo mostra progressão com sons mais eletrônico em seu segundo álbum de estúdio. De alguma forma, a sueca conseguiu criar outro disco coeso e surpreendentemente envolvente. Enquanto “Lady Wood” pode não ter o mesmo efeito duradouro do “Queen of the Clouds” (2014), ele nos permite mergulhar de cabeça no mundo honesto da Tove Lo.

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    SCORE - 70%
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Favorite Tracks:

“True Disaster” / “Cool Girl” / “Imaginary Friend”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.