Review: Tove Lo – BLUE LIPS [lady wood phase II] (2017)

“BLUE LIPS” é um testamento explícito da vida amorosa caótica da Tove Lo – um trabalho sexual e emocionalmente impactante. No entanto, inesperadamente Lo acabou descobrindo muito mais sobre sua alma do que seu corpo.

Tove Lo esculpiu um nome para si escrevendo canções extremamente honestas. Ela realmente não tem medo de falar sobre coisas que perturbam sua mente. Em novembro de 2017, ela lançou a continuação do seu segundo álbum de estúdio, “Lady Wood” (2016). Amor e sexualidade sempre foram temas recorrentes em seus trabalhos, e “BLUE LIPS” não é uma exceção. Ao lado de elementos oitentistas e sons eletrônicos, Tove Lo aborda suas experiências sexuais e relacionamentos amorosos. Como esperado, este registro mantém os mesmos aspectos agradáveis do “Lady Wood” (2016), uma vez que trata-se de uma continuação do mesmo. Mas melhor do que isso, “BLUE LIPS” explora exaustivamente a sua intimidade e possui mais de nuances do que a primeira parte. Desde “Habits (Stay High)”, Tove Lo ganhou muitos fãs, especialmente por causa de sua narrativa, auto-confiança e vulnerabilidade. E, certamente, ela evolui bastante desde que lançou o seu EP de estreia. “BLUE LIPS” possui 44 minutos de sensualidade revestida sobre letras confiantes, onde Tove Lo aborda o seu próprio corpo. A sexualidade feminina está em plena exibição, fazendo deste registro o seu mais bem realizado até à data. Além disso, não deixa de ser um álbum conceitual, dividido em dois capítulos: “LIGHT BEAMS” e “PITCH BLACK”. A primeira metade é fortemente apoiada por sintetizadores, enquanto a segunda possui um tom mais emocional. O primeiro single, “disco tits”, é um eletroclash instantaneamente dançante e memorável.

Sob batidas aceleradas, Tove Lo utiliza alguns truques de produção e pequenos detalhes que fazem toda a diferença. “Eu estou suando da cabeça aos pés / Minha roupa está toda molhada / Estou totalmente carregada, os mamilos estão duros / Pronta para ir”, ela canta vulgarmente, mas de forma brutalmente sincera. Em seguida, “shedontknowbutsheknows” mostra o seu lado mais profundo, visto que contém uma batida mais repetitiva e pronta para as boates. Ademais, o trabalho vocal está muito forte neste álbum – não apenas pelo desempenho em si, mas também pelo uso inteligente de efeitos distorcidos. A boa química entre Nilsson e os compositores Ludvig Söderberg e Jakob Jerlström é instantaneamente clara em “shivering gold”. Desta vez, ela fornece versos mais sonolentos, mas um refrão incrivelmente absorto e ótimas amostras de fundo. Há muita variedade por aqui, desde o dance-pop pesado números mais lentos como “dont ask dont tell”. Uma canção crua e honesta que foca mais no desempenho lírico do que qualquer outra coisa. Sua alma disco aparece em “stranger”, onde o piano é bem pontuado, as guitarras saem de controle e a percussão dá um maior impulso. É um destaque do álbum, especialmente pela adorável sensação oitentista. As batidas eletrônicas a conduzem de forma mais potente, enquanto sua voz soa emocionalmente despreocupada. A última faixa do primeiro capítulo, “Bitches”, é incrivelmente honesta sobre sua sexualidade. Embora possua letras provocativas, é extremamente direta e sem qualquer filtro.

Sonoramente se inclina para o hip-hop, além de conter harmonias crescentes e letras dominantes. Enquanto “romantics” é um pouco genérica com elementos de hip-hop e versos de Daye Jack, “cycles” evidencia sua capacidade lírica. Ao lado de amostras de sintetizadores, é um dance-pop maravilhosamente experimental. Da mesma forma, “struggle” fornece batidas constantes a fim de destacar as letras obscuras. Tove Lo canta sobre o amor desonesto e como se comunicar através do sexo. Refletindo sobre os melhores momentos de um relacionamento do passado, “9th of october” é um número lento com brilhantes sintetizadores e energia refrigerada. Embora seja musicalmente mais simples que a maior parte do álbum, “bad days” cativa de uma forma que nenhuma outra música consegue. “hey you got drugs?, por sua vez, encerra o álbum de forma promissora. Dolorosa e aventureira, esta canção é uma nota triste e vulnerável que se transforma em uma bela balada de piano. Mergulhando em temas mais escuros, Tove Lo utiliza as drogas como metáfora para falar sobre a intimidade física: “Ei, você tem drogas? / Só preciso de um estimulante apenas para hoje a noite / Não conte a ninguém que eu estava com você”. Ela analisa uma separação e mostra o quanto quer escapar da realidade. “BLUE LIPS” é a sequência ideal para o “Lady Wood”. Tove Lo construiu sua carreira sobre uma alta energia EDM e cantando letras sexualmente carregadas – e “BLUE LIPS” não é diferente. Apesar de não possuir singles de destaque como “Habits (Stay High)” e “Talking Body”, é coeso e sinaliza um crescimento artístico.

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Favorite Tracks:

“disco tits” / “stranger” / “bad days”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.