Review: The Lumineers – The Lumineers (2012)

O primeiro disco da banda The Lumineers é honesto e possui uma sonoridade simplista muito agradável. Não há nada inovador aqui, apenas três músicos dedicados abrindo seus corações.

The Lumineers é uma banda estadunidense de folk rock de Colorado, Arizona, fundada pelos membros e compositores Wesley Schultz e Jeremiah Fraites. Os dois começaram a escrever e se apresentar juntos em Nova Jersey em 2005, enquanto Neyla Pekarek juntou-se à banda somente em 2010. Stelth Ulvang e Ben Wahamaki também de juntaram ao The Lumineers como membros em tempo integral em 2012. O seu primeiro álbum auto-intitulado foi lançado nos Estados Unidos em 03 de abril de 2012. Nos últimos anos, o indie rock teve um grande aumento de popularidade – e a banda The Lumineers está inclusa dentro desse parâmetro. Eles possuem elementos essenciais em suas canções, como os típicos banjos, bandolins e as palmas. “The Lumineers” é um álbum de estreia sincero e autêntico sem parecer superficial – algo que muitas vezes encontramos em bandas pré-fabricadas. Nesse registro, eles apresentaram uma simplicidade genuína e faixas extremamente simpáticas. A primeira faixa, “Flowers In Your Hair”, têm apenas 2 minutos de duração e cai mais para o lado country do que o rock. O dedilhado do seu violão é intrinsecamente contagiante, enquanto Wesley Schultz canta sobre amor e amadurecimento. O refrão é festivo e lembra muito a banda Mumford & Sons. “Esteja nos meus olhos / Esteja em meu coração”, ele canta com sua típica simplicidade. “Classy Girls” segue pela mesma direção com um refrão explosivo, gritos, palmas e letras para refletir com os amigos: “”Isso é bem legal, mas as meninas de classe não beijam em bares, seu tolo”

A terceira faixa, “Submarines”, é um dos destaques do repertório. Uma canção brilhante guiada pelo piano que consegue ser energética e sombria na mesma proporção. “Dead Sea” têm belos arranjos construídos pelo violão e violoncelo, além de um marcante refrão. Enquanto isso, “Ho Hey” – o grande hit do álbum – certamente gerou uma enorme visibilidade para a banda. Uma música fantástica carregada por melodias vigorosas e impetuosas, e uma atmosfera excepcionalmente juvenil. Suas letras são apaixonadas e sonhadoras, e ganham força conforme os “ho hey” ecoam ao fundo. “Eu pertenço a você, você pertence a mim / Você é minha doce amada”, Schultz docemente. Em “Slow It Down”, podemos ouvir um som mais profundo e escuro que permite a banda pisar um pouco fora da zona de conforto. Além de desacelerar o ritmo do álbum, sua harmonia é inesperadamente linda. “Stubborn Love”, por sua vez, possui uma estética soul invocada pelo violino e bandolim de Neyla Pekarek. Além de capturar uma grande nostalgia, há linhas como: “Quando éramos jovens, fizemos o suficiente / Quando ficava frio, nos agasalhávamos / Não posso dizer que algo não posso fazer”. “Big Parade”, por outro lado, possui um ritmo mais forte marcado por um bumbo pulsante. Embora sua batida seja mais simples, o piano consegue lhe dar uma abordagem diferenciada. Sem percussão e com uma natureza mais atmosférica, “Charlie Boy” consegue injetar um senso de variedade e novo contraste no repertório – uma canção bem mais despojada e descontraída. 

“Flapper Girl” é uma balada conduzida pelo piano que liricamente invoca luxúria e sofrimento, enquanto “Morning Song” funciona perfeitamente como faixa de encerramento. “Quando todos os trens que se afastaram / Das estações locais em decadência / Sou eu quem espera, é você quem está atrasada de novo”, Schultz canta delicadamente. Em um contexto geral, “The Lumineers” é um disco surpreendentemente honesto e intenso. Embora as letras sejam inevitavelmente simplistas, elas conseguem evocar um mix de emoções. Agora imagine você com seus amigos e familiares festejando em uma noite deliciosa. Seja em um bar, churrascaria, praia ou em qualquer outra lugar. O importante aqui é a sensação que você sente nessas noites agradáveis quando está com pessoas que gosta, olhando para um céu deslumbrante e respirando um ar fresco. Boas bebidas, conversas fluindo, paqueras (…) Imaginou? Então, essa é a sensação que sentimos ao escutar o primeiro álbum de estúdio da banda The Lumineers. Sua música consegue encarnar esse sentimento de felicidade e bem-estar, que só sentimos quando estamos cercado por pessoas que simpatizamos. Em seu interior, também há canções mais tristes, mas entregues de forma completamente elegante. Cada música é inventiva, adorável e perfeitamente arranjada. Com exceção de “Ho Hey” e “Submarine”, as outras canções não são tão memoráveis. Entretanto, todas irradiam vida e arrepiam da melhor forma possível. Elas têm algo que faz despertar o seu interesse em querer ouvir mais vezes.

  • 73%
    SCORE - 73%
73%

Favorite Tracks:

“Submarines” / “Ho Hey” / “Stubborn Love”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.