Review: The Beatles – Live at the Hollywood Bowl (2016)

“Live at The Hollywood Bowl” está de volta com novas mixagens de Giles Martin. O grande álbum perdido dos Beatles está mais aguçado e simplesmente fantástico.

O“Live at the Hollywood Bowl” é uma versão remixada e remasterizada do disco lançado originalmente em 1977. O registro, de duas apresentações dos Beatles no famoso anfiteatro de Hollywood, em 1964 e 1965, mostra como o quarteto inglês levava os adolescentes da época à histeria. Nos ano 70, ele foi lançado pela Capitol Records nos Estados Unidos e pela Parlophone no Reino Unido. Esta nova versão foi lançada para acompanhar o documentário “The Beatles: Eight Days a Week”, do cineasta Ron Howard sobre a Beatlemania. Ela inclui quatro músicas adicionais não encontradas na versão original e foi produzido por Giles Martin – filho do produtor braço-direito dos Beatles, George Martin. “A Capitol Studios disse que descobriu algumas fitas de Hollywood Bowl em seu arquivo. Nós os transferimos e percebemos uma melhora em relação às fitas que mantivemos no arquivo de Londres”, disse Giles sobre o processo de produção. Essa reedição deu a chance de novos ouvintes possuir e ouvir o LP de 1977. “Live at the Hollywood Bowl” foi lançado em 09 de setembro de 2016, sete anos após o lançamento do catálogo principal remasterizado da banda. Curiosamente, o apelo do “Live at the Hollywood Bowl” não é visto nas canções, pois você pode escutá-las em suas versões de estúdio em outros álbuns. A razão pela qual esse disco chama atenção é o alvoroço causado pela platéia. Uma vitrine do grande poder cultural que os Beatles tinham naqueles picos de turnês entre 1964 e 1965.

No “Live at the Hollywood Bowl” de 1977, as meninas da platéia gritavam tanto que a música era quase inaudível. Entre outras razões, os gritos impossibilitavam ouvir as próprias vozes e instrumentos da banda. Felizmente, o maravilhoso trabalho de produção do Giles Martin fez possível filtrar a gritaria para que afinal se ouvissem os Beatles. Uma atualização remodelada e reconfigurada daquelas gravações de Los Angeles trouxe a música para o primeiro plano. Aqui, podemos encontrar canções consagradas como “Ticket to Ride”, “Can’t Buy Me Love”, “A Hard Day’s Night”, “Help!” e “She Loves You”. Hits originais como esses são reproduzidos com grande eficiência, vitalidade e inocência pura. Além disso, temos alguns covers muito energéticos, como “Dizzy Miss Lizzy”, “Twist and Shout”, “Roll Over Beethoven”, “Long Tall Sally” e até mesmo Ringo Starr assumindo a frente em “Boys”Todas as performances conseguem superar as expectativas graças a energia lançada pela platéia. As quatro faixas bônus são bem sólidas, mas um pouco desnecessárias, porque o principal recurso do disco não são as músicas. As quatro faixas que ficaram de fora da edição de 1977 são o rock and roll “You Can’t Do That”, a perfeita “I Want to Hold You Hand”, o rockabilly “Everybody’s Trying to Be My Baby” e o folk rock “Baby’s in Black”. Essa última era o lado B do single “Real Love” (1996) e anteriormente não estava disponível em um álbum ou como download digital.

Faixas menos desalinhadas, como a valsa elétrica de “Baby’s in Black” e a exuberância de “You Can’t Do That”, ainda exibem o pulso selvagem não encontrado em versões anteriores. A maior surpresa do “Live at the Hollywood Bowl” é a sua atualização sônica. Agora você pode realmente ouvir os Beatles sobre os gritos da audiência. É talvez a melhor apresentação ao vivo da banda, por isso devemos agradecer Giles Martin por ter essas fitas de 50 anos de idade em forma audível. É incrível como “Live at the Hollywood Bowl” consegue capturar momentos gloriosos de uma era perdida do pop. A gente consegue sentir a euforia e alegria da massa que se reuniu há mais de 50 anos para testemunhar essa apresentação. No repertório a banda toca algumas músicas realmente clássicas que fizeram dos Beatles uma banda tão inspiradora. Naquela época, eles já eram titãs da música popular e verdadeiros artesões do rock and roll. Através de tudo aquilo, a emoção da Beatlemania soa perfeitamente ao longo de 45 minutos de duração. Enquanto John Lennon e Paul McCartney introduzem as músicas afogados pelos gritos agudos da multidão, você sente como se estivesse ao lado deles. “Live at the Hollywood Bowl” não vai lhe convencer de que é o seu melhor trabalho em cima do palco. No entanto, lhe dá uma ideia do tamanho da força que a Beatlemania tinha nos anos 60. Ademais, é sempre bom ouvir a melhor banda da história cantando alguns dos seus maiores clássicos.

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Favorite Tracks:

“Can’t Buy Me Love (Live)” / “A Hard Day’s Night (Live)” / “Help! (Live)”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.