Review: Sam Smith – The Thrill of It All (2017)

“The Thrill of It All” ainda apresenta algumas músicas que deixam o coração partido, mas com exceção de alguns experimentos interessantes, nem todas as faixas são bem sucedidas.

Inicialmente, Sam Smith chegou aos olhos do público quando participou de “Latch” do Disclosure. Desde então, ele passou a acumular milhares de vendas e diversos prêmios, incluindo 4 Grammy Awards e 1 Oscar por “Writing on the Wall”. Após lançar o seu primeiro álbum, “In the Lonely Hour” (2014), ele transformou-se em uma conhecida estrela mundial. Precedido pelo single “Too Good at Goodbyes”, bem como as faixas promocionais “Pray” e “Burning”, o seu novo álbum, “The Thrill of It All”, foi lançado em 03 de novembro. Um registo formado por confissões pessoais e letras que falam sobre o amor, perda, oração, aceitação e auto-estima. Na maior parte, “The Thrill of It All” fornece um som mais maduro e coeso do que sua estreia, além de performances vocais encorpadas e vulneráveis. É uma boa vitrine do seu talento e crueza. Inspirado pelo desgosto de um relacionamento, é um álbum visivelmente mais honesto. Cada canção é preenchida por letras impactantes e dolorosas, mesmo que indulgentes em sua tristeza. Há momentos em que Sam Smith escapa por pouco das armadilhas repetitivas de álbuns como este. Mas infelizmente ele permite que o repertório caia em um território tedioso. “Too Good at Goodbyes” é uma revelação dolorosa de alguém que reconhece que seu namoro está chegando ao fim. Sam Smith está mais preocupado com o seu bem-estar emocional do que com o futuro do seu relacionamento.

Co-produzido pelo freqüente colaborador Jimmy Napes, é um hino para aqueles que desistiram de ser felizes ao lado de determinada pessoa. “E quanto mais você me machuca, menos eu choro / E a cada vez que você me deixa, mais rápido estas lágrimas secam / E a cada vez que você vai embora, menos eu te amo / Meu bem, não temos chance, é triste, mas é verdade”, ele canta no pré-refrão. Liricamente, este single pisa no mesmo terreno do seu primeiro álbum. Uma balada pop emocionalmente erguida por uma produção ligeiramente animada e influenciada pela música gospel. Os elementos corais, sem dúvida, fornecem uma textura incrivelmente agradável. “Penso em você enquanto durmo / Sonho com o que poderíamos ser de nós se crescermos / Desenrolamos juntos”, Smith canta em “Say It First”. Uma canção midtempo suave e terapêutica, direcionada para aqueles que já experimentaram um amor não correspondido. Enquanto é conduzida por uma guitarra melancólica, algumas leves batidas invadem o refrão. O segundo single, “One Last Song”, expressa a raiva, decepção, arrependimento e a frustração do cantor. Ele realmente consegue evocar diferentes emoções nesta canção. Uma peça de blue-eyed soul com sensação clássica, refrão tipicamente emocional, piano saltitante e sample de “Be a Lion” (The Wiz Original Cast). Em seguida, “Midnight Train” aborda acontecimentos posteriores a uma ruptura amorosa. Esta música é quase o oposto de “Say It First”, pois mostra Sam Smith no outro lado do amor não correspondido.

O conteúdo lírico emparelhado com a produção influenciada pelo doo-wop cria uma justaposição bem interessante. “Burning” possui apenas o suporte do piano, uma vez que toda atenção é voltada para a performance vocal do Sam Smith. A simplicidade da composição combinou muito bem com o lirismo turbulento. Uma balada soul apaixonada com um suave acompanhamento de piano, belas harmonias no refrão e arranjo minimalista. Um tema comum no álbum vê Smith abordando sua própria fé e sexualidade. “HIM” é provavelmente o melhor exemplo da mesclagem desses dois temas. Com um tema assim, parece adequado que a música possua um forte coro gospel e grande apoio do piano. Smith confessa o seu amor por outro homem e explora habilmente a interseção da fé, aceitação e intolerância. Sua voz surge de forma confiante, melancólica e emocionante quando ele canta no refrão: “Não tente e me diga que Deus não se importa com nós / É ele que eu amo, é ele que eu amo”. Em “Baby, You Make Me Crazy”, Smith opta por se envolver com uma produção mais otimista e animada – embora seja tão emocionalmente carregada como o restante do álbum. Ele fornece alguns sons jazzy saltitantes e visa afogar seus pensamentos em uma única noite. Além de empregar um som doo-wop e excelentes falsetes no refrão, a animada melodia e os instrumentos de metais causam um contraste adequado com as letras: “Por que você tem que preencher meu coração com tristeza?”.

Para o dueto “No Peace”, com YEBBA, Sam Smith aborda as consequências da solidão. Sob a química entre os vocalistas, a escrita é carregada por poderosas performances vocais. A penúltima faixa, “Palace”, o vê relembrando das boas lembranças de um relacionamento do passado. Dessa vez, o som exuberante e rítmico das faixas anteriores foi substituído por uma guitarra de influência irlandesa. Embora o desempenho vocal e os falsetes sejam bons, não é uma faixa tão memorável. Além disso, o lirismo é desperdiçado no momento que faz uso de vários clichês. A edição padrão encerra com “Pray”, outra ótima midtempo inspirada na viagem de Smith ao Iraque. Produzida por Timbaland, pode ser considerada um novo território para ele. Uma mistura de R&B, soul, hip-hop e gospel, onde ele contempla a religião. Um apelo honesto de um homem pecador que possui muitas perguntas. É a única faixa que não lida diretamente com sua própria vida amorosa e, consequentemente, causa mudanças refrescantes de conteúdo. “Sou jovem e tolo, tomei decisões ruins / Me nego a ver notícias, dou as costas para a religião / Não tenho diploma, sou meio ingênuo / Cheguei até aqui sozinho”, ele canta. Uma canção profunda e pessoal, independentemente da religião que você segue. “The Thrill of It All” é um passo confiante se comparado com a sua estreia. Ainda é uma coleção de incertezas, mas possui um repertório mais consistente. Algumas músicas correm o risco de serem um pouco parecidas entre si, mas sua voz e entrega conseguem se sobressair.

  • 58%
    SCORE - 58%
58%

Favorite Tracks:

“Too Good at Goodbyes” / “One Last Song” / “Midnight Train”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.