Resenha: Quicksand – Interiors

Lançamento: 10/11/2017
Gênero: Post-Hardcore, Metal Alternativo
Gravadora: Epitaph
Produtor: Will Yip.

Quicksand é uma banda americana de post-hardcore fundada em Nova York em 1990, formada pelos membros Walter Schreifels, Tom Capone, Alan Cage e Sergio Vega. Depois de lançar dois álbuns de estúdio, “Slip” (1993) e “Manic Compression” (1995), por grandes etiquetas, a banda separou-se em 1995 por causa de conflitos internos. A especulação sobre novas músicas da Quicksand surgiu em julho de 2013, quando a banda publicou uma foto no estúdio que foi posteriormente excluída. Lançado em 10 de novembro de 2017, “Interiors” é o seu terceiro álbum de estúdio, sendo o primeiro em 22 anos. Quicksand sempre fez um som intricado, agressivo e até mesmo acessível numa época onde os Estados Unidos ainda estava aprendendo sobre o grunge. “Interiors” é certamente o álbum que a banda precisaria lançar agora, considerando tudo o que aconteceu desde então.

Nos últimos anos, os quatro membros passaram o tempo assumindo outros projetos, cuja diversidade refletiu na profundidade do álbum. “Interiors” adapta-se perfeitamente à arte de sua capa. Uma imagem surrealista que mostra uma montanha e janela flutuando no ar, através da vista de um oceano. É algo tão denso quanto o som das músicas. O repertório não é escuro por si só, mas promove uma jornada musical misteriosa. Onde o “Slip” (1993) alavancou a dinâmica e o “Manic Compression” (1995) foi um teste de resistência para a banda, “Interiors” soa muito mais experiente. No geral, é um disco aparentemente mais melódico que os anteriores. Canções como “Illuminant”, “Cosmonauts” e “Feels Like a Weight Has Been Lifted” são bons exemplos disso. Entretanto, existem outras faixas que chegam mais próximas do clássico Quicksand, como “Under the Screw”, “Interiors” e “Sick Mind”.

Por fim, faixas como “Warm and Low”, “Hyperion” e “Fire This Time” representam a combinação do som clássico da banda com tons mais melódicos. Os arranjos em todas as faixas são bem intricados, embora não sejam qualquer coisa exagerada. Cada membro conseguiu trazer algo de interessante para o álbum, mas coletivamente eles fizeram um bocado melhor. Sergio Vega forneceu algumas linhas de baixo assassinadas para a mistura, principalmente em “Warm and Low”. Enquanto isso, o baterista Alan Cage ofereceu boas seções e serve como uma verdadeira âncora para os vocais de Walter Schreifels. A faixa de abertura, “Illuminant”, é um número de post-hardcore com riffs poderosos, ritmos de condução e letras emocionais e intensas.

Enquanto isso, “Under the Screw” fornece uma repetição dissonante um tanto quanto divertida e gradual. Embora seja uma das mais restritas, “Cosmonauts” é uma das melhores do repertório, seja pelo baixo sombrio de Vega ou a tenção silenciosa dos tambores de Cage. Por fim, as últimas faixas, “Sick Mind” e “Normal Love”, alcançam um bom equilíbrio entre as faixas ásperas mencionadas acima e as mais suaves do álbum. De alguma forma, ambas canções conseguem mostrar as raízes e o futuro do Quicksand. No decorrer do repertório, há fragmentos de algumas bandas contemporâneas, mas através de todas as complexidades e nuances, “Interiors” é um disco sólido e agradável. Não é exatamente como os antigos trabalhados do Quicksand, mas funciona. Ele não possui nada de tão cativante como “Fazer” ou “Dine Alone”, porém, parece uma progressão natural de uma banda com tanta experiência.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.