Review: Niall Horan – Flicker (2017)

Na melhor das hipóteses, suas composições são presumivelmente simples e diretas. É difícil ficar impressionado com algo tão decididamente morno.

Nascido na Irlanda, Niall Horan é mais conhecido por seu trabalho no One Direction. O grupo tornou-se uma das boybands mais famosas dessa geração – equivalente aos Backstreet Boys e *NSYNC no final dos anos 90 e começo dos anos 2000. Com sua carreira em espiral, eles decidiram fazer um hiato em busca de novos horizontes. Muitas vezes ofuscado por seus companheiros, é bom ouvir a voz do Niall Horan no centro das atenções. Ele tem talento para brilhar em determinadas músicas, uma vez que há paixão e doçura em seu tom. O seu primeiro álbum solo, “Flicker”, é maduro, atraente e pesadamente infundido pelo folk pop. Ele trabalhou com vários produtores, incluindo os gostos familiares de Julian Bunetta e AFTERHRS. Mas além do folk, o álbum contém influências de rock, pop, country e até mesmo soul. Enquanto Zayn explorou um R&B sexy e Harry Styles um rock experimental, Horan permaneceu num território acústico e sensível. Ele conseguiu criar uma coleção coesa que atravessa gêneros sem grandes complicações. Enquanto as letras são simples e diretas, ele possui créditos de escrita em todas as dez faixas. Sem dúvida é bom vê-lo tão envolvido no processo criativo. Como um todo, “Flicker” me impressionou principalmente pela maturidade do Niall Horan. O álbum possui uma curta duração, mas consegue entregar faixas muito cativantes. O repertório começa com uma vibe funk que cria uma batida constante em “On the Loose” – canção atraente que fala sobre uma garota que não sai de sua mente.

Os riffs de guitarra que aparecem sobre os tambores e a linha de baixo emitem uma sensação pop rock muito agradável. “This Town” foi o primeiro vislumbre que tivemos da carreira solo do Horan. Uma canção country acústica e folk incrivelmente despojada e emocional. “Acordo para te beijar e não tem ninguém / O cheiro do seu perfume ainda está no ar”, ele canta na introdução. “Ontem pensei que tinha visto sua sombra passando / Engraçado como as coisas nunca mudam nessa cidade”. “Seeing Blind”, um dueto com Maren Morris, apresenta um território meio incomum para ele. Há uma composição acústica, suave e crescente sobre uma bela influência country. O vídeo vê Horan e Morris em um estúdio aconchegante, que serve como cenário para um conto amoroso. Ele se afasta quando começa a música, mas não demora muito antes dela se juntar em uma harmonia alegre inesperadamente feliz. O segundo single, “Slow Hands”, mantém a vibração simplista de “This Town”, embora mostre um novo lado dos seus vocais. O estilo descontraído e despreocupado da produção incorpora aplausos, pisadas orgânicas e uma guitarra abafada no centro de tudo. “Suaves, mãos suaves / Como o suor escorrendo por baixo de nossas roupas sujas / Não, sem chance de eu ir embora daqui sem você comigo”, ele canta. “Slow Hands” emite uma vibração mais funk em comparação com a inspiração country pop do primeiro single. Uma música sutilmente sensual onde o Horan usa seu registro mais baixo e mostra seu lado mais sedutor.

O conteúdo lírico foi uma surpresa bem-vinda, enquanto a produção e progressão mantêm um tom infeccioso. Lançado em 15 de setembro, “Too Much to Ask” é outra canção extremamente despojada e infecciosa. Uma balada de piano vulnerável e promissora, onde Niall Horan depende de sua minimalista sedução vocal. “E me diga que se arrepende de algumas coisas / Porque, sendo sincero, eu ainda não superei você / É tudo o que eu estou pedindo / Isso é pedir demais?”, ele diz no refrão encantador. “Paper Houses”, por sua vez, é a melhor representação da maturidade do jovem cantor. Outra canção que encaixa-se no gênero acústico, destacada principalmente pelo violão, percussão e conteúdo lírico: “Sim, paguei o preço e tenho as cicatrizes / Por que escalamos e caímos tão longe?”. Produzida por Greg Kurstin, a midtempo “Since We’re Alone” possui um balanço sereno, escuro e pegajoso, enquanto a faixa-título explora algumas questões do coração sobre uma bela orquestração de cordas. “Quando você deita e está dormindo / Ouça a sua respiração / E te digo coisas que você nunca ouviu antes / Fazendo perguntas para o teto / Sem nunca saber o que você está pensando / Temo que o que tivemos acabou”, ele reflete. Embora seja inofensivo, “Flicker” é um álbum sólido, honesto, sensível e surpreendentemente maduro. A maior parte do repertório é gentil, minimalista e construído para salientar os vocais e letras. Provavelmente, o que mais se destaca no álbum é a boa composição. Todas as faixas são cruas, sinceras e mostram perfeitamente quem Niall Horan é como artista.

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    SCORE - 64%
64%

Favorite Tracks:

“On the Loose” / “Slow Hands” / “Too Much to Ask”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.