Review: Metallica – Hardwired… to Self-Destruct (2016)

Não há tentativa de recapturar o som clássico do Metallica, e nem mesmo de realizar mais do que eles estão acostumados. Além disso, é muito longo, com algumas faixas que não nos levam a lugar nenhum. 

OMetallica já possui mais de 35 anos de carreira – mas passaram-se oito anos desde que lançaram o “Death Magnetic” (2008) – é o maior hiato de sua carreira. Seu décimo álbum de estúdio, intitulado “Hardwired… to Self-Destruct”, é o primeiro onde o guitarrista Kirk Hammett não participou do processo de escrita. Esse trabalho ficou a cargo somente dos membros fundadores. “Death Magnetic” (2008) foi um grande passo na direção certa, enquanto esse álbum é mais voltado para os valores da velha escola da banda. Como podemos notar, a auto-edição ainda é um problema para o Metallica, uma vez que quase todas as músicas possuem cerca de 6 minutos ou mais. Mais do que qualquer outro álbum desde o “…And Justice for All” (1988), “Hardwired… to Self-Destruct” é fortemente dominado por James Hetfield. Os riffs e as harmonias de sua guitarra são inconfundíveis e entregues com grande precisão. E apesar de alguns pontos embaraçosos, este registro possui o seu melhor desempenho vocal desde o auto-intitulado álbum de 1991. Enquanto isso, a bateria do Lars Ulrich está inevitavelmente sólida – suas habilidades foram cruciais para a eficácia do disco. O guitarrista principal, Kirk Hammett, também teve sua chance de brilhar em quase todas as faixas. Espero que em álbuns futuros eles deixem Hammett contribuir novamente no processo de escrita. A faixa-título, “Hardwired”, pode ser um pouco genérica, mas é um thrash metal acelerado com bons riffs de guitarra elétrica. Embora tenha letras juvenis, dá ao registro um começo explosivo e promissor. Musicalmente, é um verdadeiro retorno às raízes mais agressivas da banda.

Em “Atlas, Rise!”, Hammett brilha ao conduzi-la através de ótimos riffs e solos de guitarra – uma mistura intricada de thrash metal e heavy metal. “Now That We’re Dead” é um perfeito triturador midtempo que fala sobre as quedas da humanidade. “Quando tudo é dor, pode ser / Que isso seja tudo o que sempre soubemos”, Hetfield grita. “Moth into Flame”, por sua vez, move-se através de um riff robusto enquanto explora o comportamento narcisista da população. Em seguida, “Dream No More” apresenta versos mais escuros, vibrações misteriosas e arranjos dinâmicos, que mais parecem uma mistura de “All Nightmare Long” e “Enter Sandman”. O disco 1 fecha com a nota poderosa de “Halo on Fire”, canção que define a realidade de que cada ser humano é preenchido com o bem e o mal. Uma balada com tons de guitarra mais limpos e intensos vocais de James Hetfield. “Halo on Fire” é a peça mais longa do repertório, com pouco mais de 8 minutos de duração. No meio do caminho, a fim de manter sua atenção, ela apresenta um apropriado solo de guitarra. O disco 2 começa com “Confusion” e seus riffs reminiscentes do “…And Justice for All” (1988). Desacelerando ligeiramente o ritmo, “ManUNkind” apresenta inicialmente uma nota silenciosa e acústica. Quando os tambores retrocedem, o som mais caótico é rapidamente inserido.  “Here Comes Revenge” é uma das canções mais tristes e angustiadas do repertório: “Pequeno túmulo, estou de luto, eu irei consertá-lo / Sonho com uma doce vingança, eu acabarei com você”. Uma camada espessa de metal que mostra o outro lado do Metallica, especialmente pela tensão rara do seu catálogo.

Hammett abre e fecha a canção com alguns ruídos de guitarra que consequentemente adicionam um sentimento essencial às letras. “Am I Savage?” mantém as coisas mais suaves enquanto possui semelhanças com os discos “Load” (1996) e “Reload” (1997). A penúltima faixa, apropriadamente intitulada “Murder One”, é ostensivamente uma homenagem para Lemmy Kilmister – ex-vocalista do Motörhead que faleceu no final de 2015. Mas o ponto mais brilhante do disco 2 é a estrondosa “Spit Out the Bone”. Nessa canção, podemos dizer que o Metallica está no seu auge artístico. Essa faixa é thrash-metal por qualquer definição, conforme Hetfield soa vicioso e apaixonado. Ele equilibra-se entre rosnados cativantes e vocais harmoniosos durante a maior parte dos versos. Ele lança vocais realmente poderosos que não são ouvidos desde o “Master of Puppets” (1986). Movendo-se numa velocidade feroz, a música também fornece um frenético e apertado trabalho de guitarra. Durante 7 minutos, o arranjo e a bateria são excessivamente ferozes, enquanto os riffs e solos se superam. Algumas coisas neste álbum não são tão essenciais, mas abaixo de suas falhas, é um material bom e convincente. A auto-edição do Metallica é um ponto negativo e, embora seja um disco duplo, “Hardwired… to Self-Destruct” sente-se ligeiramente incompleto. Da mesma forma, a disparidade de qualidade entre as músicas mais exuberantes e animadas, em comparação com as mais simples e lentas, é muito evidente. Ademais, os elementos de thrash metal são um pouco mais old-school do que aqueles encontrados no “Death Magnetic” (2008). Mesmo com o passar dos anos, Metallica continua sendo a banda agressiva que ajudou a definir este gênero.

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Favorite Tracks:

“Halo on Fire” / “Here Comes Revenge” / “Spit Out the Bone”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.