Review: Maroon 5 – Red Pill Blues (2017)

Adam Levine e companhia retornam para o seu sexto álbum antisséptico e insípido, que de alguma forma conta com participações de A$AP Rocky, Kendrick Lamar e Future.

Depois do lançamento do “Songs About Jane” (2004), a carreira do Maroon 5 tem sido bastante mista. Para cada grande sucesso, havia sempre um par de faixas fillers em seu álbuns. À medida que a banda afastava-se do pop rock sensual de sua estreia, ela adotava cada vez mais um estilo eletrônico. Muito parecido com “Overexposed” (2012) e “V” (2014), o seu novo álbum de estúdio, “Red Pill Blues”, foi lançado em 03 de novembro. Seu sexto álbum apresenta vocais de uma variedade de artistas que, consequentemente, interferiram na paisagem sônica da banda. Poucas músicas valem a pena, enquanto muitas provavelmente não suportarão o teste do tempo – ao contrário de singles anteriores como “This Love”, “She Will Be Loved” e “Sunday Morning”. Infelizmente, a maioria das batidas eletrônicas não complementa a voz do Adam Levine da forma que deveria. Embora “Red Pill Blues” tenha o mesmo lirismo romântico característico da banda, ele possui um som eletrônico que lembra o The Chainsmokers. Esse som eletrônico está presente em algumas faixas divertidas, mas na maior parte, é algo decepcionante. Infelizmente, “Red Pill Blues” não mantém a emoção e melancolia profana das melhores faixas do Maroon 5. O estranho título é uma referência ao filme “The Matrix” de 1999, no qual o protagonista deve escolher se engole uma pílula vermelha e descobre a verdade cruel, ou toma a azul e permanece ignorante perante a realidade. Uma das primeiras coisas que você notará é a ausência dos dois primeiros singles na versão padrão.

“Don’t Wanna Know” (com Kendrick Lamar) e “Cold” (com Future) foram estranhamente colocadas na versão deluxe como faixas bônus. Este álbum não provoca uma mudança radical no repertório do Maroon 5, uma vez que possui o mesmo estilo dos dois últimos e alternam entre temas de desgosto e paixão. Portanto, é um disco que permanece fiel à marca do Maroon 5. Como mencionado, “Red Pill Blues” vê Adam Levine e companhia longe de suas raízes pop rock em favor da música eletrônica, pop e R&B. Uma rápida olhada no repertório revelará que alguns dos maiores nomes do hip-hop atual marcam presença por aqui. Entretanto, nenhum deles conseguiu contribuir em suas respectivas músicas da maneira esperada. A capacidade de cada música tornar-se familiar em meio ao conjunto genérico de produtores, torna sua escuta cada vez mais desanimadora. Ademais, é incansável a quantidade de vezes que escutamos os falsetes do Adam Levine cantando o quanto ele gosta de determinadas mulheres. Aliás, a maioria das canções possui uma estrutura lírica repetitiva e semelhante. Os versos são compostos por rimas simples e os refrões tendem a repetir as mesmas linhas duas ou três vezes. “Songs About Jane” (2004) estabeleceu o Maroon 5 como uma das melhores bandas de pop rock do mainstream, graças às músicas sensuais e melodias melancólicas. Entretanto, este álbum foca principalmente em instrumentos sintetizados e bateria com efeitos adicionais, exalando um tom mais analógico e auto-sintonizado.

Em outras palavras, “Red Pill Blues” fez o Maroon 5 abandonar de vez o som que o impulsionou para o sucesso. Assim como nos seus dois últimos discos, os instrumentos eletrônicos são usados ​​em excesso e a maioria das músicas não possui qualquer vulnerabilidade ou emoção. A primeira faixa, “Best 4 U”, rasteja sobre sintetizadores de estilo oitentista, percussão eletrônica, guitarras e batidas de hip-hop. Possui um groove bastante atraente e cativante, encontra Levine usando o seu registro superior de marca registrada e, inevitavelmente, o auto-tune. Uma música otimista claramente inspirada pelos anos 80, além de canalizar atos como The Weeknd. “What Lovers Do”, com SZA, é um número pop ensolarado parecido com algumas faixas do grupo DNCE. Aqui, a banda faz uma mistura repetitiva de influências retrô, batidas eletrônicas e ritmos funky. Mais uma vez, Adam Levine usa falsetes durante o refrão, enquanto SZA o complementa perfeitamente. O refrão desesperado de “Wait” é um momento particularmente bem construído. Possui um ritmo mais distinto que combina com o tema lírico proposto. Sonoramente, é formada por uma mudança fundamental no teclado, bateria e repetições suplicantes. Em “Lips On You”, Levine tenta injetar um pouco de profundidade com apoio de uma boa percussão. Sua atmosfera consegue exalar um clímax diferenciado, ao passo que ele emite vocais mais consistentes. Enquanto “Bet My Heart” apresenta sons de violão e adiciona um sabor caribenho, os ásperos vocais da Julia Michaels o auxilia na divertida “Help Me Out”.

Em seguida, as coisas ficam mais familiares durante “Who I Am”, uma das faixas mais animadas do repertório. Uma canção pós-disco e synth-pop com uma inesperada seção de rap – cortesia de LunchMoney Lewis. “Whiskey”, com A$AP Rocky, é provavelmente uma das faixas mais entediantes do álbum. Dessa vez, a banda mistura superficialmente e lentamente elementos de EDM com versos de rap. Da mesma forma, a monótona “Girls Like You” também trabalha sobre fundamentos eletrônicos e maçantes riffs de guitarra. O fraco refrão só reforça a má qualidade da música, que não soaria fora do lugar se estivesse presente no “V” (2014). A última faixa, “Closure”, possui surpreendentemente 11 minutos de duração. Um número quase insuportável e excruciante com uma duração totalmente desnecessária, uma vez que não faz jus a isso. Embora seja uma faixa ambiciosa de jazz-fusion e blue-eyed soul, não possui nada que prenda sua atenção por tanto tempo. Os primeiros 4 minutos incluem vocais de Adam Levine, handclpas e licks de guitarra acústica, enquanto o restante é composto por um longo e enfadonho instrumental. Embora algumas músicas sejam cativantes, as letras não possuem substância real. Como resultado, o registro é formado por uma série de faixas pop genéricas e superficiais. Basicamente, “Red Pill Blues” é a síntese de uma indústria cada vez mais carente de profundidade. Em suma, este álbum mostra que o Maroon 5 não está preocupado em correr riscos ou se reinventar.

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    SCORE - 48%
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Favorite Tracks:

“Best 4 U” / “What Lovers Do (feat. SZA)” / “Wait”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.