Review: Lana Del Rey – Lust for Life (2017)

Há momentos no “Lust for Life” que, apesar de serem menos bem-sucedidos em termos de composição do que alguns dos seus trabalhos mais antigos, são fascinantes destilações de uma música da Lana Del Rey.

O“Lust for Life” é um lembrete do quão cinematográfica a música da Lana Del Rey é. Sua voz e letras continuam sendo os principais métodos para invocar contradições de sua vida. Entre arranjos melódicos e harmoniosos, e tensas narrativas, Del Rey combina sua estética com artistas como The Weeknd, Sean Ono Lennon, A$AP Rocky, Playboi Carti e Stevie Nicks. Com longas dezesseis faixas, alguns podem se perguntar o que mantém o álbum tão bom. Mas o seu grande comprimento é usado a seu favor. Misturando um pop vintage com hip-hop, ela está no seu território habitual. Enquanto o álbum demora para engrenar, a maioria do repertório compensa as pequenas falhas. Como mencionado, a produção é novamente embriagada pelo hip-hop, mas desta vez decorada por referências dos anos 60. Além disso, seu estilo emocional foi atraído pela influência do rock dos anos 70 e do trip hop. Lana Del Rey nunca pareceu mudar a indústria, mas sempre foi uma artista genuína e singular. Sua atitude pouco convencional é retrata em suas letras e na forma de cantar. Tal como Adele e Amy Winehouse, ela sempre esconde uma história por trás de suas metáforas. “Lust for Life” é temperamental, atmosférico e misterioso. Como sempre, as melodias flutuam suavemente sobre sons eletrônicos, paisagens cinematográficas e tons acústicos. Embora suas letras pareçam reflexões surrealistas, são ponderadas pela verdade que possuem. “Lust for Life” apresenta um novo giro, mostrando uma América nebulosa e em luto. Com “Love”, ela manteve uma estética cinematográfica e dramática, mas com sons mais expansivos e atmosféricos. Um single que soa parecido com seus trabalhos anteriores – mais em consonância com o “Born to Die” (2012).

A produção se acumula perfeitamente enquanto os tambores do refrão lhe dão uma qualidade mais consistente. A voz sonhadora e vintage está emparelhada com uma simples progressão de acordes. Uma canção pop que captura seu som de assinatura e mistura com um ar de tristeza e tédio. A produção combina impecavelmente com o contexto esperançoso, romantizado e reconfortante das letras. “Você se prepara, se arruma todo / Para ir a lugar nenhum em particular / De volta ao trabalho ou à cafeteria / Não importa, pois é suficiente / Ser jovem e apaixonado”, ela proclama no refrão. Ademais, a influência dos anos 50 e 60 permeia através de cada segundo. As cordas doloridas e os tambores sobrecarregados exalam um sentimento retrô. Em outras palavras, é uma faixa íntima que serve como reminiscência do seu primeiro álbum. O estilo trip hop que elevou suas músicas mais conhecidas estão ausentes. Entretanto, “Love” ainda presta um verdadeiro e tocante tributo aos seus primeiros trabalhos. Indo numa direção maior, “Lust for Life”, com The Weeknd, entrega um som maravilhosamente direto – um dream pop com discretas influências de hip-hop e R&B. Seguindo por uma nota sombria, “13 Beaches” vê Del Rey no seu estado mais vulnerável. Uma canção devastadora onde o piano e a orquestra contribuem para a fragilidade e vulnerabilidade das letras. Em “Cherry”, ela se torna um personagem diferente e mais obscuro. A guitarra e o tambor subjugado escorregam na escuridão, ao passo que a produção pega emprestado algumas batidas de trap. “Summer Bummer”, com A$AP Rocky e Playboi Carti, a leva completamente para o mundo do hip-hop.

Sua harmonia devidamente sinistra casou devidamente com os vocais. Permanecendo pelo território urbano, “Groupie Love”, novamente com A$AP Rocky, possui notas subordinadas, produção mais sutil e qualidade sonhadora. As coisas ficam mais emocionantes na segunda metade do álbum, onde algumas canções possuem um teor político. Divulgado anteriormente, “Coachella – Woodstock in My Mind” é uma faixa de trap que fala sobre ter bons momentos em festivais, enquanto os Estados Unidos parece estar caminhando para uma guerra. “God Bless America – and All the Beautiful Women in It” é uma ode para a irmandade em tempos que os líderes de estado não parecem preocupados com os direitos das mulheres. Essa relaxada canção contém uma guitarra sutil e vocais de fundo inspirados pelas baladas dos anos 90. Enquanto “Beautiful People Beautiful Problems”, com Stevie Nicks, vê suas vozes entrelaçadas brilhantemente, “Tomorrow Never Came”, com Sean Ono Lennon – filho do John Lennon – mostra ambos flutuando sobre um pop vintage. Nesta canção, eles refletem sobre a triste realidade do mundo sobre algumas melodias simbólicas dos anos 60. Ademais, há uma inegável vibração de rock clássico por toda parte. A balada “Change”, por sua vez, é um simples movimento que aproveita o máximo do seu piano. Delicada e gentil, pode ser considerado o momento mais doce do álbum. Para quem esperava por alguns sons tradicionais, há muita coisa para aproveitar aqui. “Lust for Life” não é um material transformador, pois sua estética pouco mudou. Ela simplesmente lançou o seu álbum mais consistente, diversificado e interessante até a data. Em outras palavras, é um clássico disco da Lana Del Rey, mas com algumas reviravoltas.

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Favorite Tracks:

“Love” / “Lust for Life (feat. The Weeknd)” / “Coachella – Woodstock In My Mind”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.