Review: Lady Gaga – ARTPOP (2013)

Embora consiga entreter, “ARTPOP” carece de uma forte conexão pessoal e não é marcante como o “The Fame Monster” (2009) ou “Born This Way” (2011). Liricamente, Lady Gaga discute sobre sexo, drogas, luxúria e fama.

Lançado em 06 de novembro de 2013, “ARTPOP” é o terceiro álbum de estúdio da Lady Gaga. Ela descreveu o sucessor do “Born This Way” (2011) como “uma celebração e jornada musical poética”. Para sua criação, Gaga recorreu à colaboradores de longa data, incluindo DJ White Shadow e RedOne, além de parceiros mais recentes como will.i.am e Zedd. As letras giram em torno da fama, amor, feminismo, auto-capacitação e sexo. Em seu conceito, o “ARTPOP” faz referências à mitologia grega e romana, enquanto o repertório inclui colaborações com T.I., Too $hort, Twista e R. Kelly. Nos Estados Unidos, o álbum estreou em #1 na Billboard 200 com vendas de 258 mil cópias na primeira semana. Lançado em 12 de agosto de 2013, “Applause” foi o primeiro single do álbum – apresentado pela primeira vez no Video Music Awards. Desde que estourou com “Just Dance” e “Poker Face”, Lady Gaga mostrou ser uma artista extremamente talentosa e sagaz. Nos últimos anos, ela esteve nos holofotes da música pop e construiu uma enorme fã base. Ela sempre teve uma forte presença nas maiores premiações e causava um reboliço com sua maneira inusitada de se vestir. Definitivamente, Stefani Germanotta foi uma dos maiores fenômenos da música mundial na última década. Ela é uma das cantores mais premiadas dos últimos anos; para efeito de curiosidade, em sua prateleira encontram-se atualmente 6 Grammy Awards, 1 AMA, 7 Billboard Music Awards, 3 BRIT Awards, 13 Video Music Awards e 8 Europe Music Awards.

Quando “ARTPOP” foi lançado em 2013 todos apostavam que seria outro álbum de enorme sucesso. Entretanto, as coisas não foram bem assim. Comparado aos seus antecessores, ele ficou muito abaixo da média. Nos Estados Unidos, por exemplo, ainda não conseguiu o certificado de platina e vendeu somente 748 mil cópias. Se comparamos com o “Born This Way” (2011), que vendeu 2,3 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos, são números um tanto quanto decepcionantes. Ao longo do caminho, “ARTPOP” apresenta algumas faixas genéricas e nenhum sinal de qualquer evolução. Mas também há melodias extremamente cativantes e refrões memoráveis que só Lady Gaga faz com maestria. As músicas se esbaldam no universo EDM e é um tanto quanto barulhento. Mas como um álbum pop, é bem executado e cumpre o seu papel. A faixa de abertura, “Aura”, foi a primeira música vazada do álbum. Aqui Lady Gaga se pergunta: “Você quer ver a garota que vive por de trás da aura?”. Em meio as letras relacionadas com a cultura muçulmana e uma série de batidas nervosas, o que mais se destaca é o maravilhoso refrão. “Venus” é um dance-pop que apresenta uma mistura de astrologia, mitologia romana e sexo. Gaga parece realmente se identificar com o conceito da música, mas pecou pelas letras desajeitadas. O ritmo é empolgante e possui boas melodias, mas em alguns momentos parece uma reciclagem de “Judas”. O EDM “G.U.Y.” (abreviação de “Girl Under You”) foi encomendada por Zedd e, embora não traga nada de novo, é bem executada.

Enquanto o refrão é o ponto alto, as letras ironizam as relações sexuais e a luxúria. No synth-pop “Sexxx Dreams”, Gaga está completamente obcecada por sexo e floresce sobre maravilhosos sintetizadores. “Jewels n’ Drugs”, com T.I., Too $hort e Twista, pisa levemente no hip-hop na tentativa de ostentar sua versatilidade. “MANiCURE” parecia uma escolha óbvia para single, pois é uma das mais radiofônicas – uma canção glamourosa com bom jogo de palavras, solos de guitarra elétrica e refrão arrebatador. A fascinante “Do What U Want” é um dueto sensual com R. Kelly. Embora lançado como segundo single, não possui um videoclipe oficial – provavelmente devido a vida social polêmica do astro do R&B. Uma música synth-pop e R&B com instrumental oscilante, versos incrivelmente melódicos e elementos urbanos mesclados com sua assinatura EDM. “Meu artpop poderia significar qualquer coisa”, ela canta na faixa-títuloEla possui um ritmo mais lento e cansativo, além de parecer uma versão retrabalhada de “Love You Like a Love Song” da Selena Gomez. A pavorosa “Swine” é um dubstep incrivelmente irritante e provavelmente a pior música da carreira da Lady Gaga. Uma canção barulhenta e desordenada com letras banais recheadas de metáforas com porcos. O trabalho do Zedd e a performance da Lady Gaga em “Donatella” também ficaram aquém do esperado. Provavelmente, o seu título seja direcionado à estilista italiana Donatella Versace. “Fashion!” possui uma ótima introdução no piano, além de arranjos que acenam para David Bowie e sonoridade dos anos 80. 

“Mary Jane Holland” contém batidas latejantes e letras sobre alguém que está transformado por fumar maconha. Não é um grande destaque, mas é uma música divertida e dinâmica com guitarras durante a ponte. Produzida por Rick Rubin, “Dope” é uma balada eletrônica com bons vocais e atmosfera eficaz. Sua letra é confessional e uma manifestação anti-drogas, mostrando o quanto substâncias ilícitas podem prejudicar um relacionamento: “Eu preciso de você mais que heroína”Entretanto, não é uma canção memorável por qualquer meio, é aquele tipo de balada dramática que não engata. Em contrapartida, “Gypsy” é a melhor balada do registro – uma música europop com aspecto de hino: “Eu não quero ficar só para sempre / Mas eu posso esta noite”É praticamente uma reminiscência das melhores faixas do “Born This Way” (2011) e uma verdadeira ode ao amor. Ela começa com um simples piano e depois apresenta um som eletrônico de alta energia. Produzida por DJ White Shadow e Nick Monson, a cativante “Applause” aborda novamente a fama. Enquanto isso, Gaga performa sobre um electropop pegajoso com refrão irresistível e características de eurodance. Embora seja um trabalho que consegue entreter, “ARTPOP” carece de uma forte conexão pessoal e não é memorável como o “The Fame Monster” (2009) ou “Born This Way” (2011). Felizmente, Lady Gaga conseguiu permanecer atraente e ambiciosa. Ninguém pode negar que ela é uma artista singular, seja por suas músicas ou personalidade excêntrica.

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Favorite Tracks:

“Sexxx Dreams” / “Do What U Want (feat. R. Kelly)” / “Applause”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.