Review: Kendrick Lamar – To Pimp a Butterfly (2015)

A excelente continuação do “good kid, m.A.A.d city” (2012) é irônica, triste, irritada e caótica – muitas vezes ao mesmo tempo. Kendrick Lamar conseguiu criar outra obra-prima!

Ofenômeno do hip-hop Kendrick Lamar lançou em 15 de março de 2015 o seu terceiro álbum de estúdio, intitulado “To Pimp a Butterfly”. É o sucessor do universalmente aclamado “good kid, m.A.A.d city” (2012). Para esse projeto, ele colaborou com uma série de nomes, alguns dos quais são grandes na indústria em termos de produção. Para aqueles que não são familiarizados, Kendrick Lamar é um rapper de Compton, Califórnia, vencedor de 7 Grammy Awards. Embora ele tenha ganhado atenção com sua quarta mixtape, “Overly Dedicated” (2010), foi com seu segundo álbum de estúdio que ele chegou à fama. Um disco amplamente elogiado e descrito como um clássico moderno, que narra uma parte da vida de Lamar enquanto crescia em Compton. Desde o seu lançamento em 2012, Lamar manteve-se relevante na indústria e colaborou em um série de singles de outros artistas. “To Pimp a Butterfly”, por sua vez, é um material meticulosamente trabalhado que apresenta um conteúdo lírico politicamente carregado. Musicalmente, além do rap e hip-hop, ele incorpora elementos de jazz e funk. Ao longo de suas letras e poesias, Lamar apresenta o auto-retrato de uma emoção crua, descrevendo realizações, inconsistências e falhas de caráter. É um registro maduro e reflexivo que demonstra um grande crescimento por parte do rapper. Entre as variadas mensagens, o álbum faz apelos subjacentes referente ao empoderamento negro, hipocrisia social e tentações da fama.

Tanto musicalmente quanto liricamente, “To Pimp a Butterfly” é surpreendentemente inovador e criativo. Ele ultrapassa qualquer limite imposto por uma convencional narrativa na música popular. O repertório começa com “Wesley’s Theory”, canção fortemente influenciada pelo funk. Em uma entrevista para a Rolling Stone, Lamar havia revelado o quão influente o funk dos anos 70 foi para a sonoridade do álbum – e na faixa de abertura isto é bastante nítido. Como esperado, temos boas batidas e um fluxo narcótico que acompanham em perfeita concomitância a história contada. Lamar também aproveitou para explicar o conceito por trás do título e capa do álbum. Inicialmente, a canção começa com leves sons de toca-discos e um canto distante que gradualmente fica mais alto e claro de “Every Nigga Is a Star” do cantor jamaicano Boris Gardiner. Oscilações de guitarras funky e interessantes jingles juntam-se ao canto hipnótico, enquanto mergulham profundamente na arquitetura P-Funk do colaborador George Clinton. O baixista Thundercat também aparece como contribuinte, ao passo que Dr. Dre entrega vocais adicionais através de uma mensagem de voz. Ele oferece sabedoria para Kendrick Lamar ao alertá-lo das dificuldades de manter o sucesso adquirido. O interlúdio “For Free?” aparece em seguida e rapidamente traz a primeira pitada de jazz para o registro. O saxofone, piano e o baixo impostos por uma banda orquestral transmitem uma sensação jazzística e agradavelmente otimista.

O produtor Terrace Martin, filho de um baterista de jazz, lida com a produção, bem como é apoiado pelo pianista Robert Glasper. O fluxo do Kendrick Lamar é acelerado, apoiado por poesias faladas e frases repetitivas. As letras não são tão compreensivas, mas podemos notar que possui um senso de auto-respeito. Embora frases com temática sexual como “este pau não é livre” seja repetida várias vezes ao longo da canção, é um interlúdio definitivamente bem-sucedido. A terceira faixa, “Kinga Kunta”, é uma das minhas favoritas do álbum, principalmente por causa da forte batida e pesado baixo funky. Ela me lembra algumas canções de rap dos anos 80 e apresenta uma forte influência do hip-hop da Costa Oeste e do G-Funk. Quando o ritmo começar a ganhar força, com adição de mais instrumentos, ela fica cada vez melhor. Sounwave a deixou mais atraente quando adicionou amostras perturbadoras de “Get Nekkid” (Mausberg), elementos de “The Payback” (James Brown), interpolações de “We Want the Funk” (Ahmad Lewis) e letras de “Smooth Criminal” (Michael Jackson). Liricamente, temos um personagem chamado Rei Kunta que está chateado com as pessoas que estão sentadas no seu trono. Lamar começa com um discurso retórico, abordando todos os outros rappers que tentaram tomar seu lugar enquanto passou dois anos longe da indústria. O título é uma referência ao escravo rebelde Kunta Kinte, personagem base retratado no principal romance de Alex Haley.

“Onde você estava enquanto eu caminhava? / Agora eu mando no jogo, o mundo todo fala, Rei Kunta / Todos querem cortar as pernas dele, Kunta / Homem negro não assume as perdas”, ele rima no refrão. Semelhante a Kunta, Kendrick Lamar sente que está sendo acorrentado e paralisado por outros rappers da indústria – resultante de sua ausência na mídia. Além disso, ele também fala sobre rappers que possuem “escritores fantasmas” na indústria musical. A quarta faixa, “Institutionalized”, nos remete aos seus primeiros álbuns, embora siga o estilo funky predominante do repertório. Produzido por Rahki e Tommy Black, ela conta uma história frustrada de Compton, alternando entre personagens para representar determinadas lutas. Quando Lamar fecha seu primeiro verso, ele introduz o neo soul de Bilal, que canta no refrão: “Merdas não mudam até você se levantar e lavar sua bunda”. Essa estranha frase é cantada a partir da perspectiva da avó do Kendrick Lamar. Em seguida, Snoop Dogg introduz o verso final e afirma explicitamente: “Você pode levar seu filho para fora da capa / Mas você não pode tirar o capuz mano”. No geral, Lamar fala sobre sua educação e como a mentalidade que ele desenvolveu na infância transcendeu para sua vida adulta de fama repentina. Anna Wise, colaboradora do “good kid, m.A.A.d city” (2012), também contribui e dá um toque feminino para a música. Assim como a faixa anterior, “These Walls” também apresenta Bilal e Anna Wise, além do talentoso Thundercat. 

Uma canção narcótica, onde Kendrick Lamar oferece insinuações sexuais cimentadas através de versos poéticos. Ele apresenta uma metáfora complexa ao comparar implicitamente paredes literais com as paredes da vagina de uma mulher. O rapper usa essa base para explorar contrastes do sexo, luxúria e fama. Ele também justapõe o conceito de paredes vaginais com as paredes da prisão do homem que matou um dos seus melhores amigos de infância. As letras são muito mais profundas e complexas do que possam parecer. Todos os versos são incríveis, ao passo que o significado por trás de cada um é demasiadamente curioso. O estalar de dedos, maravilhoso riff de saxofone e o piano, bem como os gemidos femininos e a sensualidade dos vocais, fazem de “These Walls” uma das produções mais fortes do registro. A próxima faixa, apenas intitulada “u”, é uma das mais obscuras do “To Pimp a Butterfly”. É a canção oposta da otimista “i” – penúltima faixa do álbum vencedora de dois prêmios Grammy. “u” mostra o rapper gritando em um quarto de hotel, embriagado e considerando o suicídio. É uma música deprimente e emocional com letras dolorosas, onde ele está no seu momento mais vulnerável. A sensação de desgraça juntamente com a atmosfera escura paira sobre esta canção. Muitas vezes, ouvimos ele dizer em meio a lágrimas nos olhos: “Amar você é complicado”. O saxofone jazzy, a pausa onde o serviço de limpeza bate na porta do hotel, as harmonias de fundo, o tilintar de garrafas de cerveja e os ruídos complementam os lamentos agudos da música.

“Alright” é o acompanhamento perfeito para a canção anterior. Para Kendrick Lamar, o objetivo desta música é tentar se convencer de que, apesar de todos os problemas pessoais indicados em “u”, ele vai ficar bem. Toda a dor das letras de “u” é deslocada por ele e transformada em uma energia completamente otimista. “Alright” começa com uma voz alta e forte cantando que tudo vai ficar bem. Acompanhada por um saxofone, essa música festiva e esperançosa apresenta vocais sem créditos do Pharrell Williams no refrão. Inspirada por uma viagem à África do Sul, local onde testemunhou problemas sociais, ela começa com letras como: “Por toda a minha vida eu tenho que lutar, mano / Tempos difíceis como Deus / Mas se Deus está por nós então tudo tem que ficar bem”. Mesmo com as dificuldades, Lamar é capaz de ver o lado bom das coisas e tenta espalhar uma mensagem edificante. Ele também explora as tentações do diabo, introduzindo o personagem “Lucy” como metáfora para Lúcifer. Sonoramente, a grande batida imposta por Pharrell e Sounwave, além do cativante gancho radio-friendly, foram peças chaves para complementar o rap desta potente faixa de hip-hop infundida pelo jazz. O interlúdio “For Sale?” apresenta um conceito que envolve tentação. Ele é contado a partir do ponto de vista de Lucy tentando seduzir Kendrick Lamar. Ele faz uma alusão a Lúcifer ao mencioná-lo em várias linhas, enquanto aponta os aspectos negativos de uma carreira no hip-hop.

O rapper cospe versos que enumeram as coisas que Lúcifer iria lhe oferecer para que caia na tentação. Sonoramente, “For Sale?” inicia com Lamar tomando fôlego e respirando ofegante, conforme é acompanhado por seus habituais vocalistas: Bilal, Taz Arnold e SZA. É uma canção sonhadora com sinos eletrônicos, piano, saxofone e vibe ensolarada. Knxwledge, um beatmaker de Los Angeles, foi o responsável por produzir “Momma”. Um neo soul influenciado pelo hip-hop da Costa Oeste, conduzido por uma amostra de “Wishful Thinkin'” (Sly and the Family Stone). Novamente, Bilal fornece vocais como contraponto, assim como Lalah Hathaway auxilia com suaves tons de apoio. “Momma” tem uma batida sólida e fala sobre voltar às suas raízes. Kendrick Lamar se concentra na ideia de voltar para casa, que diz respeito à sua residência em Compton com sua mãe. Ele descreve essa viagem em sua própria mente, a partir de um olhar de gratidão com o quão longe ele chegou na busca por seu sonho. Na politicamente carregada “Hoods Politics”, Lamar justapõe a política do governo federal e da hierarquia social no seu bairro em Compton. Ele percebe que há muitas coisas para se preocupar, porque pessoas estão morrendo muito jovens devido à violência das gangues. Ele ainda acrescenta que, muitas vezes, o governo faz coisas até piores que as gangues de ruas. O rapper argumenta que grupos políticos afetam os americanos de várias formas, ao contrário das pessoas pobres do seu bairro. Lamar também aproveita para atacar a hipocrisia, tanto da crítica quanto do consumidor.

A introdução de “Hood Politics” é uma das peças mais interessantes do álbum. No fundo, você pode ouvir um dedilhar de guitarra e simples bateria que, posteriormente, são precedidos por batidas estranhamente saltitantes. Influenciada por amostras do Sufjan Stevens, a batida fornece um cenário perfeito para os versos do Kendrick Lamar. Em “How Much a Dollar Cost”, ele conta uma história que envolve a interação entre ele e um homem sem-teto. Durante o diálogo, o mendigo pede um dólar a ele. Isto leva para a questão filosófica do título de quanto realmente custa um dólar. Lamar, pensando que o homem iria gastar com álcool ou qualquer outra droga, não dá o dinheiro. Porém, o homem revela que ele, na verdade, é uma imagem de Deus. O pedido de um dólar foi um teste para ver se ele realmente se preocupa com os pobres. “De Nazaré, e eu vou te dizer exatamente quanto custa um dólar / O preço ter um lugar no céu / Abrace sua perda, Eu sou Deus”, ele recita. Na música, ouvimos Kendrick Lamar admitindo seu erro e arrependendo-se na esperança de receber o perdão de Deus. É uma metáfora espiritual obscura que se move hipnoticamente através de um encontro com o Criador. Chaves de piano e um pandeiro criam a abertura para essa música. James Fauntleroy, conhecido por seu trabalho como compositor, fornece vibrações de R&B e emerge maravilhosos tons angelicais durante o refrão. Ronald Isley também faz uma excelente aparição no final e contribui com sua influência soul.

“Complexion (A Zulu Love)” também possui uma mensagem importante; que diz que não devemos julgar uns aos outros pela cor da pele. Lamar faz alusão à escravidão nos Estados Unidos enquanto imagina a si mesmo como um escravo colhendo algodão. Para todas as referências ao passado, Lamar decide que ele não tem que deixar a história ditar o futuro. Por isso, tenta educar a sociedade sobre padrões de beleza, mas especificamente o colorismo na comunidade negra. O refrão é cativante, ao passo que a batida é uma das mais interessantes do álbum. A rapper convidada Rhapsody também destaca-se e fala em nome das mulheres. Ela desafia aquelas com baixa auto-estima a ter mais fé em sua beleza, cabelos crespos, quadris cheios de curvas e pele mais escura. O segundo single do álbum, “The Blacker the Berry”, apresenta vocais de Assassin, um artista jamaicano de dancehall. É uma canção racialmente carregada com letras que celebram a herança afro-americana de Kendrick Lamar. Também contém um significado profundo sobre os perigos da hipocrisia e do racismo na sociedade. “The Blacker the Berry” é mais agressiva e incisiva que o restante do repertório, uma música poderosa com ritmo enlouquecer e impressionante gancho do Assassin. Kendrick Lamar começou a escrever essa música quando viu a notícia da morte de Trayvon Martin, um afro-americano de 17 anos que foi assassinado por um segurança de condomínio. O rapper está realmente irritado e legitimamente farto com a sociedade.

Suas letras agressivas e impetuosas verbalizam sua raiva reprimida, relativa ao bem-estar atual da comunidade negra. Lamar aborda os ouvintes e os convida a questionar suas próprias crenças em relação a cultura negra. A produção expressiva ficou a cargo de Boi-1da, enquanto Lalah Hathaway fornece vocais de apoio. A batida contundente de tambor, o baixo pesado e as palavras completam a força de “The Blacker the Berry”. Em seguida, “You Ain’t Gotta Lie (Momma Said)” praticamente te leva de volta para o hip-hop da década de 90. Sob uma melodia fria e batidas old-school, Kendrick Lamar começa o primeiro verso a partir do ponto de vista de sua mãe. Ele reconhece que voltar a seus antigos caminhos é muito difícil, uma vez que ele foi recompensado com dinheiro e fama. Lamar transmite a ideia de que no seu regresso a Compton, ele não retrata o comportamento estereotipado dos principais artistas de hip-hop. Ele quer permanecer fiel a si mesmo e não corresponder a uma moda passageira apenas para ser aceito. Lições dadas por sua mãe e questões do passado são revistas por ele durante sua execução. Quando “i” foi lançada em 2014 como primeiro single, várias pessoas não curtiram por ser muito extravagante. Mas é certamente um dos principais destaques do álbum. Inesperadamente, sua nova versão é ao vivo e acabou fazendo sentido dentro do seu contexto. Possui mais de 5 minutos de duração e apresenta uma nova introdução estrelada por um locutor não identificado que prepara a platéia.

Tomando uma abordagem mais otimista, ela é inspirada pelo funk e soul, e mostra um estado mental completamente diferente de “u”. É como um raio de sol no meio da escuridão da outra faixa. A instrumentação ao vivo – com tambores rítmicos e riffs de guitarra – alivia o ambiente. Uma amostragem de “That Lady” do grupo The Isley Brothers acrescenta um toque especial à vibe otimista e positiva da música. Ao longo de “i”, Kendrick Lamar afirma que, embora haja caos no mundo e batalhas constantes, “ele ama ele mesmo”. Esta canção oferece um ambiente positivo para a juventude, com a mensagem de que devemos amar a nós mesmos. A última faixa é uma peça de 12 minutos de duração intitulada “Mortal Man”. Kendrick Lamar estabelece e pondera tudo o que ele desenrolou ao longo do álbum. Perspectivas históricas e modernas são examinadas com o máximo de cuidado, assim como sua relação com a fama. “Quando a merda bater no ventilador, você ainda será um fã?”, ele pergunta. Ele usa esta questão para ramificar temas como liderança, lealdade e incertezas. Ele questiona sua mortalidade através destes tópicos, perguntando se ele poderia ser vítima dos mesmos males que derrubaram seus heróis. O rapper se comparada a líderes do movimento negro, como Nelson Mandela, Huey Newton, Martin Luther King Jr., Malcolm X e até mesmo Michael Jackson. Ele empurra a mensagem de fortalecimento da mesma forma que estes homens fizeram, e quer saber se não será abandonado por seus fãs e seguidores.

Quando a música termina, Lamar apresenta uma entrevista fictícia entre ele e seu ídolo, o falecido Tupac Shakur. Esta conversa abrange questões vitais, como a luta pela fama, opressão, frustrações da comunidade negra, desigualdade social e o futuro dos negros nos Estados Unidos. Embora seja estranha e emocional, a conversa artisticamente criada entre os dois é um momento gratificante para o hip-hop. Fiquei surpreso com o quão natural a conversa com 2Pac soou, uma vez que só se tornou possível porque Kendrick Lamar pegou emprestado uma antiga entrevista de 1994. Para terminar, ele recita outro poema a fim de explicar o nome e conceito do álbum. Sonoramente, “Mortal Man” possui batidas cativantes, sons jazzy, saxofone, piano e um baixo extremamente poderoso. Depois dessa análise faixa-a-faixa, posso concluir que “To Pimp a Butterfly” é um dos álbuns de hip-hop mais criativos, inteligentes, desafiantes e memoráveis da história. É uma verdadeira obra-prima! Quase todas as músicas são surpreendentes por conta própria. E juntas elas formam um projeto incrivelmente coeso, complexo e marcante. Artisticamente, Kendrick Lamar foi capaz de fazer um álbum musicalmente e socialmente poderoso. Por causa dos comentários sociais das letras, Lamar serve como uma faísca para o emponderamento negro. Este álbum diz ao mundo que os negros estão aqui para ficar e sempre buscarão a igualdade. A metodologia e o talento do Kendrick Lamar pavimentaram ainda mais seu caminho para se tornar um dos maiores artistas de hip-hop de todos os tempos, juntamente com The Notorious B.I.G. e 2Pac.

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Favorite Tracks:

“King Kunta” / “Alright” / “The Blacker the Berry”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.