Review: Kelly Clarkson – Meaning of Life (2017)

“Meaning of Life” não reinventa o gênero, na verdade nem tenta, mas retrata uma artista que continua se redefinindo no processo, solidificando sua posição como uma das mais fortes vocalistas de sua geração.

Depois de sete álbuns lançados, Kelly Clarkson finalmente saiu da RCA Records, gravadora da qual ela fazia parte desde a conquista do American Idol em 2002. Enquanto o seu último álbum, “Piece by Piece” (2015), não alcançou o mesmo sucesso comercial de seus lançamentos anteriores, Kelly Clarkson assinou com a Atlantic Records. Posteriormente, ela anunciou que estaria lançando um disco mais influenciado pelo soul, algo que sempre teve vontade de fazer. O primeiro fruto do seu novo contrato é o “Meaning of Life” – seu oitavo álbum de estúdio. Durante quinze anos, Clarkson procurou controlar e diversificar o seu som, consequentemente sua nova liberdade criativa expandiu sua paleta sonora. Enquanto os seus discos anteriores apresentaram influências mais amplas, eles eram firmemente amarradas ao pop rock de suas raízes. Seus vocais podem definitivamente se prestar a esse gênero, mas “Meaning of Life” oferece um pop mais imerso no soul e R&B. A primeira faixa, “A Minute (Intro)”, é apenas um aquecimento para o que está por vir. Suas novas influências urbanas são sentidas fortemente no primeiro single, “Love So Soft”. Um esforço cativante que destaca a devoção por tais gêneros enquanto ela procura por um parceiro romântico. Musicalmente, contém linhas de baixo, teclados, trompas, vocais de apoio em camadas, elementos de trap e ritmo soulful. Em seguida, “Heat” destaca sua habilidade vocal e personalidade, ao passo que adverte o seu atual interesse amoroso.

“Estou deslizando de seus dedos / Mantenha-se frio como novembro / Estou acostumada a sentir essa febre / Eu quero mergulhar em você mais fundo”, ela admite no segundo verso. A primeira metade do álbum gera um resultado positivo sobre tudo que ela sofreu nos últimos quinze anos. A faixa-título é uma grande síntese do repertório. Uma balada atmosférica com uma mensagem amorosa que adapta-se perfeitamente à sua voz. É aqui onde podemos discernir o soul que Clarkson está tentando inserir no álbum. Originalmente escrita para o “Piece By Piece” (2015), esta canção concentra-se em sua nova perspectiva artística. Desde a vibração soulful e doo-wop da produção até o conteúdo lírico, encontramos uma artista encarnando adequadamente o conceito por trás do projeto. Aqui, o ouvinte é tratado com piano, batidas midtempo, violinos, trompetes e coral de apoio. O segundo single, “Move You”, é uma balada soul, rock e gospel que destaca ainda mais o alcance vocal da Kelly Clarkson. Uma canção que lindamente constrói camadas em sua instrumentação e alcança uma atmosfera escura e temperamental. Inesperadamente, uma clássica balada emparelhada com uma produção mais dramática e soulful. Nos versos, ela mostra o desejo de deixar uma impressão duradoura num parceiro que conquistou o seu coração. A sexta faixa, “Whole Lotta Woman”, é a favorita da própria Kelly Clarkson. Nesta canção, ela se mostra orgulhosa em relação a sua cidade natal e educação, admitindo ser uma pessoa incontrolável.

Linhas como, “No sul, não é tão autêntico, pote cheio de grãos, estou mais quente que a janta da sua mãe” e “Eu sou uma mulher completa, tudo o que eu vejo que eu quero, eu consigo / Eu sou uma garota forte, malvada, um clássico, confiante”, definem esta música. Assim como outras faixas, possui uma vibração soul e poderosa seção de trompetes. Outro momento de destaque vem com “Medicine”, uma música sobre cortar os laços com aqueles que simplesmente não são bons para você (“Eu lhe dei muitas chances / Mas você causou mais dano”). Possui uma introdução ligeiramente funky e transforma-se numa poderosa faixa pop com um dos mais fortes e exuberantes refrões do álbum. Na balada “Cruel”, ela implora apropriadamente ao seu parceiro que não seja cruel. Uma faixa que assume o espectro de uma tradicional balada cheia de frustração, vulnerabilidade e raiva. A abordagem simplista da produção permite que o desempenho vocal ocupe o centro das atenções. Sobre graves pesados, a uptempo e aborrecida “Didn’t I” fornece uma atitude semelhante a da faixa anterior. Ao questionar a fidelidade e confiança, ela deixa claro que não será a única culpada pelo fim do relacionamento. “Não te dei tudo? / Eu te dei tudo / Baby, eu não?”, Clarkson pergunta retoricamente. A produção é corajosa e possui trompas apoiando-a fortemente. Na segunda metade do repertório, ela transita por uma rota mais escura e séria.

Em “Would You Call That Love”, “I Don’t Think About You” e “Don’t You Pretend”, por exemplo, ela menciona todas as dores que sofreu para tornar-se a mulher que é hoje. O produtor Greg Kurstin, seu frequente colaborador, fornece apoio em “Would You Call That Love”, onde Clarkson é forçada a lidar com as conseqüências de um término. Enquanto isso, “I Don’t Think About You” a encontra recuperando-se de um coração partido sobre um delicado piano e alguns falsetes. Posteriormente, “Slow Dance” exibe um ritmo sólido, riffs de guitarra e uma sensação de calma e conforto. Na metade da canção, um poderoso solo injeta um toque surpreendentemente agradável. “Go High” é um número inspirador enraizado no discurso de Michelle Obama durante as eleições presidenciais de 2016. Sua cativante melodia desencadeia um relacionamento de amor e ódio, enquanto fornece um refrão verdadeiramente edificante. “Meaning of Life” possui um dos repertórios mais coesos e poderosos da Kelly Clarkson até à data. Com raízes fincadas nos gêneros soul e R&B, Clarkson deixou sua estética pop rock para trás e explorou algo mais desafiante e sofisticado. Apesar de co-escrever apenas três das quatorze faixas, “Meaning of Life” parece um recomeço para ela. Clarkson explicou que com este álbum gostaria de honrar a música que cresceu ouvindo na sua juventude. Em suma, é um projeto que mostra um nítido crescimento musical se comparado com seus antecessores.

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Favorite Tracks:

“Meaning of Life” / “Move You” / “Medicine”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.