Review: Jordin Sparks – Right Here Right Now (2015)

O R&B, hip-hop e a nova maturidade da Jordin Sparks permitem que ela apresente um potencial novo papel. No entanto, ela ainda parece estar tentando encontrar uma voz própria.

Sucessor do “Battlefield” (2009), “Right Here Right Now” foi o primeiro lançamento da Jordin Sparks em seis anos. Nesse disco, ela trabalhou com Salaam Remi, Babyface, The Underdogs, Jonas Jeberg, Dem Jointz e DJ Mustard. A ex-American Idol descreveu o projeto como “música bonita com colisão”, além de ser influenciado pelo R&B da década de 90. Já faz muito tempo que ouvimos “No Air” nas rádios, sua parceria incrivelmente cativante com o Chris Brown. Não há dúvidas de que Jordin Sparks tem excelentes vocais, mas durante os últimos anos ela lutou para encontrar o seu lugar no pop e R&B. Antes do lançamento de “Right Here Right Now”, Sparks sofreu uma série de problemas em sua vida, incluindo a separação com Jason Derülo e a tensa mudança de gravadora. Originalmente, ela anunciou que estava começando a trabalhar no seu terceiro álbum em 2010, mas os problemas com a Jive Records atrasou as coisas. Mais tarde, após assinar com a Louder Than Life – subsidiária da Sony Music Entertainment – ela conseguiu recomeçar. Ao trabalhar com o fundador Salaam Remi, tudo pareceu mais fácil. “Right Here Right Now” é uma coleção suave de R&B e hip-hop catapultada por seus fortes vocais. Foi muito refrescante vê-la num tom de R&B mais escuro, mesmo distanciando-se de músicas pop como “Tattoo” e “Battlefield”. Liricamente, é o seu melhor álbum até o momento, uma vez que comprova a força de sua maturidade. Dessa vez, ela optou por abraçar completamente seu lado urbano. As características de convidados como B.o.B, 2 Chainz, Shaggy e Elijah Blake só reforçou o som contemporâneo.

Sob delicadas melodias, “Work from Home”, com o B.o.B, abre o álbum. Pode parecer uma canção de ninar, mas posteriormente a produção em camadas muda a direção das coisas. Ela serve como uma ruptura do passado da Jordin Sparks, uma vez que é mais sensual do que de costume. Enquanto ela sempre destacou-se nas baladas, outras faixas não conseguem encontrar coesão e um ritmo distinguível, como é o caso de “1000”. Uma canção instrumentalmente pesada e com melodias esquecíveis – nem os vocais conseguiram salvá-la. A faixa-título é um número R&B orientado para o hip-hop – dado o trabalho da produção – ao passo que “Double Tap”, com 2 Chainz, é um hip-hop cativante, apesar das péssimas referências líricas: “Insta-famosa de um dia para o outro / Não tenha medo de admitir / Já vi o jeito como você me olha, desde o início / Você fica olhando meu Instagram / Olho secretamente o seu celular”. Enquanto Sparks canta sobre o amor pelos homens em “Boyz in the Hood” sobre um piano atraente, “Silhouette” mostra toda sua intimidade juntamente com falsetes e letras significativas. “Hoje à noite é só você, eu, e nossa silhueta / Não há nenhum espaço entre nós”, ela canta no refrão. À medida que o registro avança, Sparks retrocede em suas influências. A linda balada “They Don’t Give”, por exemplo, nos lembra algumas faixas das Destiny’s Child. Com cortesia de ninguém menos do que Babyface, é uma música completamente reminiscente dos anos 90, onde o principal foco é o seu fabuloso e equilibrado vocal. “Se conseguirmos o que quer que seja / Não deixe que eles odeiam / Porque o nosso amor deveria ser para sempre / Não importa o que eles dizem”, ela canta.

Na sequência, “Left….Right?” afrouxa as coisas e abraça um R&B moderno e temperamental. Uma faixa sexy cheia de nuances e vibrações que lembra “Motivation” da Kelly Rowland. “Casual Love” é um dueto com Shaggy que poderia soar desastroso no papel, mas apenas soa fora do lugar em um álbum de R&B contemporâneo. Uma faixa uptempo cativante com influências de reggae e sons tropicais que mostra sua versatilidade. Depois de “Unhappy”, provavelmente o dueto mais belo e harmonioso, o álbum ganha vida com a clássica balada de R&B “Tell Him That I Love Him”. Enquanto isso, “11:11”, pode ser considerada uma das mais maduras e bem realizadas do repertório. Além de utilizar o seu registro mais rico e sensual, essa canção possui a mesma vibração escura que tornou “Left….Right?” bem sucedida. A sensual balada “100 Years” destaca-se, principalmente, pelo trabalho de produção de Key Wane. Sobre uma sutil percussão, Sparks diz ao seu namorado o quanto quer ficar do lado dele. “Cem anos não é tempo o suficiente com você / Fantasio tudo o que podíamos fazer / Eu queria que você soubesse o quanto eu amo você”, ela canta no refrão. Embora não seja o número mais forte do álbum, “It Ain’t You” a encontra explorando novamente o R&B contemporâneo. Produzida por DJ Mustard, é uma canção influenciada pelo hip-hop que, apesar de desafiadora, soa um pouco previsível. “Right Here Right Now” pode não ter conseguido êxito comercial, mas é um esforço com alto valor de repetição. Se a intenção era causar algum impacto emocional, Jordin Sparks certamente conseguiu. É exatamente o tipo de álbum sólido e comovente que os fãs esperavam na época.

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Favorite Tracks:

“They Don’t Give” / “Unhappy (feat. Elijah Blake)” / “Tell Him That I Love Him”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.