Review: Jessie Ware – Glasshouse (2017)

Cada música do “Glasshouse” tem sua própria estética; diferente de seus álbuns anteriores, não há músicas que possam ser confundidas uma com a outra – tudo soa surpreendentemente distinto.

Muita coisa aconteceu desde que Jessie Ware lançou o “Tough Love” (2014) há três anos. A britânica deu à luz em 2016, casou-se e escreveu o seu terceiro álbum, “Glasshouse”. Enquanto “Devotion” (2012) e “Tough Love” (2014) foram enraizados na música eletrônica e R&B, o seu novo LP explora um estilo mais contemporâneo e soulful. Embora seja estruturalmente parecido com seus antecessores, é definitivamente mais lento e pesado. É outro perfeito exemplo do poder, sensibilidade e elegância da Jessie Ware. A produção é o que realmente chama atenção no maravilhoso “Glasshouse”, algo muito bem equilibrado com o seu estilo sofisticado. No interior, temos algumas obras-primas realmente criativas e sem qualquer enchimento. Ao escrever o álbum em meio a sua gravidez, Ware adicionou temas mais amorosos e esclarecedores dentro das músicas. Lançada como carro-chefe do álbum, “Midnight” foi o primeiro vislumbre que tivemos do “Glasshouse”. “Você é especial”, ela canta no verso inicial. Rapidamente, nós percebemos como ela se sente. Os seus belos, delicados e refinados vocais exalam uma vibração incrivelmente adorável. Ware é conhecida por seus tons sensuais e hipnotizantes, além de ser bem sucedida na música R&B e soul. Em “Midnight”, ela apresenta uma produção pop com alguns elementos desses dois gêneros. Ela começa com uma vibração misteriosa e versos sutis, antes de transformar-se numa balada com notas altas e grandes vocais. “Não me deixe cair, agora que eu preciso de você”, ela implora ao seu marido. 

“Midnight” desloca-se com sons eletrônicos, mas é o poderoso piano do refrão que eleva as coisas. A forma como o excitante piano é utilizado, foi um dos maiores acertos da música. O sintetizador e os tambores também foram bem usados, mas o ponto mais impressionante continua sendo a sua voz. Em seguida, “Thinking About You” fornece poderosos tambores, enquanto Ware emociona com seu canto edificante. Os vocais estão realmente fortes, embora a canção seja uma reminiscência de músicas mais conhecidas do Sam Smith. O bluesy “Stay Awake, Wait for Me” é um retorno bem-vindo ao seu estilo mais conhecido. Ela possui um refrão mais romântico e deslumbrante, além de oferecer um groove rastejante e solos de trompete. Da mesma forma, “Your Domino” possui melodias que casam perfeitamente com o álbum. O produtor ST!NT conseguiu criar o pano de fundo ideal para os brilhantes vocais. É um dos destaques do registro, principalmente por proporcionar uma óbvia mudança de ritmo. O terceiro single, “Alone”, é uma canção sincera e dramática elevada por um coro de backing vocals. Sobre um piano solene, melodia consistente e vocais mais íntimos, “Alone” é uma peça deliciosamente suave. “Selfish Love” possui uma produção ainda mais épica. Possui elementos latinos e um sulco tropical, mesmo permanecendo fiel ao estilo da Jessie Ware. Tudo soa perfeitamente no lugar, desde as guitarras saltitantes até as linhas vocais. O synth-R&B “First Time”, por outro lado, fornece uma melodia mais etérea e letras estritamente pessoais. 

Co-escrita por Julia Michaels, “Hearts” é um dos momentos mais radiofônicos do repertório. Diferente da maior parte do álbum, possui mais dinâmica e um refrão explosivo. Em cima de linhas de órgãos, “Slow Me Down” usa uma base melódica para falar sobre o amor. À medida que os vocais crescem, sua personalidade a faz tornar mais familiar. “Finish What We Started”, por sua vez, é uma maravilhosa e apaixonada fatia pop. Os vocais estão muito mais celestiais, delicados e aveludados do que de costume. Além dos perfeitos tambores, a canção contém brilhantes sintetizadores e uma notável guitarra elétrica. “Last of the True Believers”, com Paul Buchanan, do The Blue Nile, ressalta sua elegância como artista. Musicalmente, possui uma produção global espetacularmente suave que torna sua escrita mais direta e infecciosa. A última faixa, “Sam”, co-escrita por Ed Sheeran, também consegue deixar uma impressão duradoura. Desta vez, Jessie Ware explora um som completamente acústico. Intitulada a partir do nome do seu marido, “Sam” é uma ode honesta e sincera dedicada a ele e ao nascimento de sua filha. Mais uma vez, temos um refrão altamente emocional com letras requintadas e profundamente pessoais. O álbum termina com quase 1 minuto de solo de trompete e efeitos de gotículas. Jessie Ware trabalhou com uma série de escritores e produtores no “Glasshouse”, mas ainda conseguiu torná-lo autêntico. Ela é uma jovem mãe e artista em evolução, que gosta de compartilhar suas visões sobre o amor. Em suma, é um registro fabuloso, elegante e muito maduro.

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    SCORE - 80%
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Favorite Tracks:

“Midnight” / “Your Domino” / “Finish What We Started”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.