Review: Imagine Dragons – ƎVOLVE (2017)

O “Evolve” não possui qualidade suficiente para convencer que a Imagine Dragons realmente tem substância. Na teoria é um bom álbum, mas na prática, ele simplesmente não funciona.

Osingle “Radioactive” é uma das canções mais memoráveis dessa década. Com certeza, você já ouviu essa música em algum lugar, seja no rádio, internet ou algum comercial. Mas não seria correto dizer que a Imagine Dragons acompanhou o mesmo sucesso de “Radioactive” e seu álbum de estreia, “Night Vision” (2012). A banda, formada em Nevada, já se tornou um nome familiar no mainstream. “Night Vision” (2012) fez um enorme sucesso comercial e colocou a banda no centro das atenções. Em 2017, Imagine Dragons, composta por Dan Reynolds, Wayne Sermon, Ben McKee e Daniel Platzman, retornou com um novo álbum. Intitulado “Evolve”, é uma coleção de onze músicas produzidas pela própria banda juntamente com Alex da Kid, Joel Little e Mattman & Robin. Essa mistura de diferente produtores criou um som meio bipolar que de alguma forma é muito radiofônico. Nesse álbum, o grupo parece mais otimista em comparação com os discos anteriores, mais particularmente o “Night Vision” (2012). Eles estão de volta às suas raízes pop rock com sucessos de rádio, como “Believer” e “Thunder”. Enquanto nenhuma dessas duas possuem refrões inventivos, fornecem bons instrumentos eletrônicos e vocais elevados. As habilidades do Dan Reynolds de começar uma música com tons sutis e posteriormente bater fortemente com os rígidos instrumentos, mostra o quanto sua voz tem um grande alcance. Imagine Dragons afirmou que “Evolve” é uma evolução, como o próprio nome sugere. Mas na verdade, eles não foram longe do seu território de costume.

A banda sequer empurrou os seus limites para fora de sua zona de conforto. Apesar deles terem prometido uma evolução, “Evolve” simplesmente entrega o mais do mesmo. Eles só fizeram alguns ajustes sutis aqui e ali, e apresentam uma maior ênfase no piano e bateria, a fim de garantir um acabamento mais moderno. Mesmo sendo talentosos e com boa musicalidade, Dan Reynolds e companhia somente lembraram os fãs o que a Imagine Dragons costuma fazer. O álbum abre com os teclados agudos de “I Don’t Know Why”, uma faixa decididamente radio-friendly. Ela começa a evoluir energeticamente e mostra um grande entusiasmo, algo típico das músicas da banda. Uma canção mais pop orientada com apenas alguns lances espontâneos de guitarra. Ademais, ela contém uma bateria sem brilho durante sua execução, e melodias eletrônicas jogadas juntamente com os vocais. Ela lembra muito pouco o seu primeiro álbum, que, embora desarticulado, pelo menos tinha boas raízes de pop rock. “I Don’t Know Why” não é uma música completamente ruim, mas certamente é pouco atrativa. “Whatever It Takes” possui um conteúdo mais pessoal e profundamente emocional, apesar de não proporcionar uma escuta deprimente. Ela têm inesperados elementos de hip-hop e, embora não seja de grande qualidade, contém boas guitarras e harmonias bem combinadas. Apesar de ser um pouco diferente, “Whatever It Takes” ainda apresenta os tons de assinatura da banda. O seu sentimento geral, por exemplo, parece com o de “Radioactive”.

O primeiro single, “Believer”, é a Imagine Dragons tradicional por excelência e de maneira incrivelmente cativante. Ela tem uma vibração grandiosa e um sentimento autêntico pelo qual eles são tão conhecidos. A batida é estilisticamente mais animada do que o ritmo habitual, graças aos tambores assassinos. Reminiscente de algumas faixas do passado, como a fenomenal “Radioactive”, é um número igualmente radio-friendly e infeccioso. “Believer” é carregada por uma linha de baixo estruturada, aplausos percussivos e acordes staccato capturados de uma discreta guitarra. Dito isto, ela fornece uma energia que você esperaria de uma banda de pop rock. “Walking the Wire” não é fundamentalmente diferente, se comparada com o passado da Imagine Dragons. Ela tem um som alternativo atual, gerado através da mistura de um piano eletrônico e riffs de guitarra. Em suma, o refrão é naturalmente alto e conduzido por uma bateria simplista. “Rise Up” tenta usar a mesma fórmula de sucesso de “Radioactive” e “Demons”, mas falha drasticamente. Ela lembra muito o som apresentado no seu álbum de estreia, uma vez que captura os golpes de bateria do Daniel Platzman, a guitarra principal do Wayne Sermon e os elevados vocais do Dan Reynolds. No entanto, o instrumental é completamente estagnado. A maior parte do registro é previsível, mas “Rise Up” se superou nesse quesito. Semelhante a “Walking the Wire”, mas sem o mesmo nível de positividade, “I’ll Make It Up to You” segue pela mesma veia lírica.

Sonoramente, oferece vibrações de pop rock oitentista – graças à linha de baixo, riffs de guitarra, piano e rajadas de sintetizadores. “Yesterday”, por sua vez, contém uma sensação experimental e mais inclusão de elementos eletrônicos. Conceitualmente, é uma canção intrigante, mas possui uma execução questionável e obsoleta. De qualquer maneira, é um esforço que merece ser aplaudido pela mudança de ritmo. Apesar de “Mouth of the River” ser bem produzida, não é necessariamente memorável ou interessante. Em contrapartida, “Thunder” é um synth-pop respeitável, radiofônico e incrivelmente viciante. Sonoramente, está mais alinhado com as músicas anteriores da banda, além de possuir fortes influências eletrônicas e muitas amostras vocais. “Star Over” tem uma sensação caribenha onde a incorporação de uma flauta compensa o refrão preguiçoso. Infelizmente, os vocais foram colocados sobre uma batida tribal sem graça. Honestamente, é difícil ver algo por trás dessa música, além da necessidade de seguir por tendências atuais do mainstream. Na sequência, Reynolds tenta encerrar o álbum com uma nota sensual chamada “Dancing in the Dark”-  uma balada restrita com paleta sonora ligeiramente irritante. Embora Imagine Dragons não tenha sido a banda mais original do mundo quando surgiu em 2012, pelo menos tinha um senso de identidade. Mas infelizmente, o grupo parece ter perdido o seu foco e direção. Com um repertório em grande parte esquecível, “Evolve” não proporciona qualquer evolução real.

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    SCORE - 49%
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Favorite Tracks:

“Whatever It Takes” / “Believer” / “Thunder”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.